Entrevista a José Pinto Coelho

Entrevista realizada pela redacção do Causa Nacional a José Pinto Coelho, cabeça-de-lista do PNR por Lisboa, a propósito das eleições legislativas de 2005

1. O que distingue o PNR dos restantes partidos?

Várias coisas: o PNR é um partido realmente novo. Não é, por isso, refém de vicissitudes passadas e de desgaste de mensagem ou de protagonistas. Mesmo a Nova Democracia, sendo mais recente não é por esse facto um partido “novo”, pois nasce em torno de uma figura mediática que já não trará nada de novo e por isso mesmo não trás mesmo nada…

Sendo assim, o PNR distingue-se dos restantes partidos sem representação parlamentar, que estão amarrados a alguma figura conhecida, mediática, como o Garcia Pereira ou a Carmelinda Pereira, com um discurso passadista, ou que têm uma certa história e implantação mas que não têm “alma” e dinâmica de crescimento, como o PPM ou MPT. Por maioria de razão, nada tem que ver com os partidos com assento parlamentar, ou seja, partidos de poder, que são reféns de muitos compromissos… Em última análise, o PNR é um partido “livre”.

Além disso, o PNR ocupa um espaço que estava vazio há longos anos. Esse espaço para uns chama-se simplesmente Nacionalismo, para outros Direita Nacional ou Direita Nacionalista, para outros ainda, Extrema-Direita. De qualquer modo, aceitando uma terminologia parlamentarista, o nosso espectro político ia apenas da extrema-esquerda ao centro-direita liberal, terminando aí…

Mas para além de qualquer tentativa de classificação e rotulagem, o mais importante, no entanto, é obviamente o aspecto ideológico. O PNR é o único partido que defende verdadeiramente uma política de defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses. Os outros partidos, pelo contrário, alinham-se por compromissos federalistas, por compromissos de carreira política no seu seio e por compromissos com lóbis. O PNR é livre desse estilo de compromissos.

O PNR, em resumo, denuncia sem papas na língua os podres do sistema instalado que diariamente, nas suas políticas agride e destrói a Pátria, a sua soberania e os seus interesses.

O PNR defende, sem hesitações, o imperativo de devolver Portugal aos portugueses, lutando por isso contra todas as políticas de lóbis que sistematicamente destroem os valores da Nação.

2. Quais são as propostas imediatas que os nacionalistas têm para oferecer aos eleitores?

Votar PNR é votar pela identidade e soberania nacionais, e por isso, contra a construção federalista europeia, contra os ditames de Bruxelas, contra a Constituição europeia, contra a entrada de Turquia na UE e pela reposição das fronteiras nacionais.

Votar PNR, é votar pela vitalidade de Portugal, garantindo a natalidade de portugueses e o crescimento demográfico, apoiando assim as famílias portuguesas e incentivando-as a terem filhos, nomeadamente através de abonos de família condignos e de benefícios fiscais claros. É por isso votar contra a solução “fácil” da invasão imigrante.

Votar PNR é votar pela vida. Pela dignidade humana. Por isso, é votar contra o crime do aborto, assassínio ignóbil de vidas inocentes e indefesas.

Votar PNR, é votar pela empresa portuguesa e pelo trabalhador português, protegendo e animando, na medida do possível o tecido produtivo nacional. É por isso, votar contra o totalitarismo das multinacionais e do capitalismo selvagem.

Votar PNR é votar pela justiça social e por um justo equilíbrio entre a livre iniciativa e a moderação do Estado, através da melhoria de condições de trabalho, de segurança nos empregos e das regalias sociais para os portugueses. É por isso votar contra a crescente desigualdade escandalosa entre os muito ricos e a classe média cada vez mais pobre.

Votar PNR é votar pelo restabelecimento da segurança nas ruas e pela dignificação das forças da autoridade. É por isso, votar contra a criminalidade, contra a má utilização das forças policiais na escandalosa caça à multa, insustentável para a classe média e contra as condições injustas do trabalho das forças da ordem.

Votar PNR, é votar pela moralização do poder, pelo espírito de serviço dos cargos e instituições públicas. É por isso votar contra a corrupção e as excessivas e gritantes regalias dos políticos e detentores de cargos públicos.

Votar PNR é por último, votar na devolução da esperança aos portugueses e na fé em que Portugal vale a pena. É devolver Portugal aos portugueses!

Mas não tenhamos ilusões: o PNR não é para já um partido de governo. Por esse motivo as nossas propostas não têm que apresentar soluções práticas para os diversos tipos de problemas. Mais ainda, não pode fazer, nem fará propostas eleitoralistas demagógicas. Não fará promessas fáceis e falsas.

Sendo assim, o convite ao voto no PNR deve ter resposta afirmativa, obrigatória, naqueles que comungam das mesmas ideias e sonham o mesmo “sonho”. É o voto que permite sonhar com a eleição de deputados. É a recusa ao chamado voto útil que por ser contra Portugal é completamente inútil.

3. O choque de civilizações é uma realidade, preservar a nossa identidade nacional e europeia vai continuar a fazer parte do discurso do PNR?

Esse choque é uma realidade grave que se tem vindo a avolumar exponencialmente nos últimos anos. Ele é fruto das tentações imperialistas de domínio do globo por parte de certas potências, quer a nível político, quer a nível económico, que gera fluxos migratórios e, no caso particular europeu, é especialmente grave por ser fruto de uma verdadeira invasão da Europa por outros povos, outras culturas, outras civilizações.

Não somos obviamente contra as outras civilizações, nem tão-pouco defendemos qualquer tipo de supremacia ou domínio, como alguns de má-fé querem fazer crer. Bem pelo contrário, um verdadeiro Nacionalista tem um profundo respeito pelas outras nações sejam elas de que continente forem. Não podemos aceitar é que a civilização europeia se torne numa autêntica Torre de Babel. Não queremos ver a Europa transformada numa grande Jugoslávia, numa grande Bósnia ou num grande Kosovo. Parece que os políticos não aprenderam com a história recente…

Portugal, por ser um país periférico, não sofre deste mal do mesmo modo que outros países centrais da Europa, mas para lá caminhamos…

Não posso assegurar qual será o discurso do PNR no futuro por uma questão de seriedade, mas por minha vontade, esse discurso, enquanto for de importância capital dever-se-á manter. No entanto, não creio que deva ser a principal “bandeira”. Quer queiramos quer não, embora tenhamos razão, uma boa parte da população ainda vê nisso algo de “antipático”. Prefiro “bandeiras” afirmativas pela positiva.

4. Como qualquer português sabe, África fez parte de um passado recente, contudo, devido ao 25 de Abril, tornaram-se territórios independentes. Quais são as propostas do PNR para as relações com os países que pertenceram ao império português?

Como disse numa resposta anterior, defendemos linhas mestras de pensamento político e não tanto medidas concretas, por não sermos ainda partido de poder.

No entanto, a minha opinião pessoal, é a de que Portugal, em matéria de política externa, pode ter um importante papel a desempenhar por sermos um país de “charneira”. Podemos e devemos explorar a nossa situação geo-estratégica bem como a nossa longa experiência e riqueza históricas, para sermos interlocutores privilegiados — sendo a tal charneira — entre a Europa e a América. Entre a Europa e a África.

O relacionamento comercial com os antigos territórios ultramarinos pode ser de facto um campo a explorar. Seja como for, Portugal nunca poderá “sair a perder” seja em que domínio for, no relacionamento com esses povos.

5. É a segunda vez que o PNR participa em eleições legislativas, que ambições têm? Quais as vossas expectativas?

A primeira ambição foi concretizada: concorrer a bem mais do que os 8 círculos de 2002! Isso revelou os frutos do esforço de implantação no terreno.

Quanto aos resultados eleitorais… Bem, são uma incógnita.

Temos muito poucas referências. Apenas que tivemos quase 5.000 votos em 2002, e 8.400 há apenas 6 meses atrás…

É verdade que estas eleições, sendo gerais e não europeias, estão sujeitas a critérios diferentes na mente dos eleitores. Mas não sei como vai funcionar a abstenção. Não sei como vai funcionar o voto (in)útil. Não sei se a ausência do PPM vai funcionar nalguns casos a nosso favor. Não sei a quantas mais pessoas chegará a mensagem do PNR e o conhecimento de que este partido existe…

Espero apenas que a votação no PNR continue a crescer em número de votos, não estabelecendo, por isso, expectativas em metas concretas. O estabelecimento de metas quantificadas sem qualquer base científica pode trazer alguma desilusão e amargo de boca. Basta esperar, naturalmente, uma subida interessante. Claro que uma votação bem expressiva seria o meu desejo…

6. O boicote dos meios de informação é uma realidade, como esperam furar esse boicote?

Com tempo e paciência! Não creio que haja outro remédio senão o da “água mole em pedra dura”. Não podemos contar com simpatias vindas dos “media” nem com facilidades. Antes pelo contrário. Os ventos Nacionalistas que sopram por toda a Europa, mais tarde ou mais cedo chegarão a Portugal e como os meios de informação, ao serviço do sistema instalado, temem isso mesmo, tudo farão para manter o boicote.

A nossa credibilização e conquista de respeitabilidade junto da sociedade civil é absolutamente indispensável para influenciar os meios de comunicação agindo em consonância com o tal tempo e a tal paciência. É desse modo que temos que agir.

7. Como é ser político amador? Vale a pena pagar para fazer política?

Diz bem: amador! Sou um simples português que por amor à Pátria entendeu desinstalar-se, meter mãos à obra e ajudar a desbravar caminho para que outros surjam e dêem seguimento e amplitude ao trabalho iniciado. Precisamos de encontrar profissionalismo, quadros e vocações políticas não-amadoras, que se entreguem com verdadeiro espírito de serviço à sociedade.

O meu espírito de serviço, só por si, sem outras qualidades necessárias, é insuficiente para a causa. Digo-o com simplicidade e realismo.

Se vale a pena? “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”…

“Fazer política”, para mim, custa de facto dinheiro, tempo e desgaste. Muito desgaste, nervos…

Mas vale a pena, pois a consciência do dever cumprido vale bem esse preço. Claro que não poderei ir além do que me for humanamente possível. Isso ninguém pode exigir, pois quem faz o que pode e o que sabe, a mais não é obrigado. A paixão, determinação e entrega fazem-me encontrar forças e resistências onde, e quando penso que as perdi. Mas elas têm e terão algum limite e sei bem das minhas limitações e dos meus amadorismos…

Mas dentro destes limites vale a pena, sim.

8. Numa entrevista concedida ao «24 Horas», disse que seria salazarista se vivesse no Antigo Regime, não receia que associem o PNR ao Salazarismo e ao fascismo? Não terá o PNR que se libertar desse estigma?

Esta pergunta é claramente de âmbito pessoal, sendo desse modo uma boa ocasião para se separarem as águas.

Mas antes de mais, três reparos:

Primeiro: salazarismo e fascismo não são, nem política nem historicamente a mesma coisa. Serão quanto muito vizinhos contemporâneos, mas não são o mesmo.

Segundo: o PNR não se pode confundir com as tendências de um dirigente qualquer. Pois tem e terá diferentes dirigentes e estes têm por sua vez diferentes tendências. Eu poderia então ser Salazarista sem que o PNR o seja, que obviamente não é!

Terceiro: respondi a essa questão do jornal a título pessoal e não em nome do PNR. Às notícias dos jornais há que dar sempre um desconto, devido à contextualização das questões…

É sabido que o PNR é um partido do século XXI, que está virado para futuro e as realidades de hoje são bem diferentes daquelas de há 40, 50, 60 anos atrás. Não podemos sofrer de anacronismos nem de estigmas. Por isso não é, nem poderia ser, um partido salazarista. Isso é ridículo e não faz sentido. Além disso, sei bem que entre os seus militantes e apoiantes há quem veja Salazar de uma perspectiva favorável, desfavorável ou empatada.

Eu, pessoalmente, tenho direito a ter as minhas referências, tal como qualquer pessoa e por isso não escondo que sou profundo admirador de Salazar e do Estado Novo e que me considero da Direita Nacional. Mas isso são apenas referências, o que não significa que deseje decalcar nos tempos actuais as políticas e mentalidades de então. Isso seria patético.

Foi nesse contexto que afirmei ao “24 Horas” que se vivesse naquela época teria sido, sem margens para dúvidas, incondicional e activamente apoiante do regime. Mas ser Salazarista sem Salazar é no mínimo caricato, não? Salazar é para mim uma referência e um exemplo mas não um homem e um modelo a “ressuscitar”…

Aquilo que considero acima de tudo, é a extrema necessidade da criação de uma Plataforma Nacional, onde várias tendências coexistam, privilegiando os pontos comuns – que são imperativos na nossa luta – e minimizando os pontos de divergência.

Tenho dificuldade em entender, isso sim, é que haja pessoas na área Nacionalista que se digladiem sistematicamente entre si por questões de divergências. Há que sabermos respeitar as tendências e as vivências dos outros e reforçarmos os laços de camaradagem.

Ora o PNR é a primeira realidade desde há longos anos que poderá consubstanciar essa plataforma.

9. Obrigado pela entrevista, deseja fazer algumas considerações finais?

Eu é que agradeço este “tempo de antena”.

Apenas desejo e peço aos Nacionalistas que saibam dar valor à unidade e à solidariedade entre as diversas linhas de pensamento que constituem a área Nacional.

Que saibam transmitir ao povo português elevação e credibilidade das suas convicções através dos seus exemplos e de condutas irrepreensíveis.

Que não desistam de lutar por Portugal e que não desanimem perante os insucessos e fracassos.

Que tenham sempre esperança e fé no fruto do seu esforço. Este há-de chegar, nem que seja como herança (a melhor que se pode desejar) para as gerações vindouras.

Viva Portugal!

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