Knut Hamson - um escritor na lista dos malditos

Por Miguel Jardim, publicado no extinto blogue Alternativa Identitária

Com Ezra Pound, Louis Ferdinand Céline, Drieu La Rochelle, Ernst Jünger e muitos outros, Knut Hamson milita na lista dos escritores malditos.

Personalidade controversa, de uma luminosidade heróica, Hamsun sofreu a má sorte de integrar o grupo dos vencidos na II guerra mundial, todavia a envergadura de escritor genial ninguém a pode retirar.

Nascido em 1859, no seio duma família pobre de camponeses noruegueses teve uma infância de privações. A educação recebida resumia-se a conhecimentos adquiridos numa escola rural. Após uma adolescência infeliz e penosa, acaba por emigrar para os Estados Unidos onde vagabundeia exercendo as mais diversas profissões: aprendiz de sapateiro, cobrador, pescador na Terra Nova, trabalhador agrícola, operário da construção civil, etc. Vida de trabalho duro e criador, usufruindo do calor da experiência vivida entre os que o destino não contemplou com a sorte.

De regresso à Europa, a Paris, com trinta anos escreve o seu primeiro livro, uma obra prima da literatura mundial, reflexo da sua própria existência: "A fome". Acolhido pela crítica como uma obra magistral, abre a Hamsun uma brilhante carreira como escritor.

Publica seguidamente, "Mistérios" (1892), "Pan" (1894), "Sob a Estrela de Outono" (1906), "A Última Alegria" (1912), "O Despertar da Glebe" (1917), acabando por lhe ser concebido o prémio Nobel da literatura em 1920, com a sua obra publicada no mesmo ano, "Benção da Terra". A sua criação prossegue com "Vagabundos" (1927), "Augusto" (1930), "A Vida Continua" (1933) e, finalmente, " O Círculo que se fechou" (1937).

Os seus textos reflectem o início do absoluto individualista isolado na sociedade, até à personagem que se compromete com a sua pátria e com uma concepção do mundo que busca o homem novo.

Hamsun escreve: "A nossa época está doente; o individualismo é uma tara e uma gangrena. Os homens necessitam de reagrupar-se em comunidades que os superem e que imponham um destino colectivo heróico".

Este discurso leva-o a apoiar Quisling (nacionalista norueguês) e o movimento nacional-socialista. Escreve textos elogiosos sobre a pessoa de Adolf Hitler e apoia a Ordem Nova Europeia.

Finda a guerra é injustamente condenado a um manicómio pelo simples facto de ter apoiado intelectualmente o Nacional-Socialismo, "A estranha tolerância dos tolerantes vencedores!"

Termina ostracizado durante muitos anos pelos media e pela opinião pública.

Com noventa anos de idade e apesar da sua fragilidade física e mental, publica uma obra fundamental de defesa da sua pessoa e das suas ideias: "Os fogos que caem sobre a erva".

Knut Hamsun falece em 1952. Extingue-se uma voz de integridade heróica num mundo de cada vez mais "normalizados". Hamsun permanece na eternidade do exemplo que perdura em muitos que recusam o novo "totalitarismo da falsidade", esta nova era de indefinições e ausente de fidelidade e honra!

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