A génese multiculturalista da “lei do véu”

Por Rui

Há uns tempos atrás houve grande debate e polémica sobre uma lei aprovada pelo parlamento Francês que proíbe, naquele país, a utilização de símbolos religiosos em instituições públicas, como escolas e hospitais.

Dentro dos que maior clamor levantaram em relação a esta lei está a comunidade islâmica (que em França perfaz uns “módicos” 5 milhões de indivíduos). Tendo agora a “poeira” assentado e o debate ter perdido o fulgor inicial e o interesse mediático, é altura de tirarmos as nossas próprias ilações sobre as consequências desta decisão e quais as verdadeiras razões para ela ter sido tomada.

A referida lei foi aprovada e pareceu, pela grande indignação mostrada por este grupo, ter sido pensada para retirar direitos à comunidade islâmica. Nada mais longe da verdade. A referida lei proíbe todos e quaisquer símbolos religiosos em instituições públicas. Resultado prático: as mulheres islâmicas não podem mais cobrir os cabelos e a face pois o chamado “véu islâmico” é considerado um símbolo religioso. E com razão, diga-se, porque a razão da utilização deste acessório é ditada unicamente por razões religiosas, sendo consequentemente um símbolo religioso como o é um crucifixo.

Mas foi tanta a indignação muçulmana que ninguém referiu que também os crentes de outras confissões religiosas são agora proibidos de exibirem os símbolos da sua fé. Mas os “media”, enfurecidos (ou talvez entusiasmados), propagaram a ideia errónea de esta ser uma medida racista e preconceituosa. Esqueceram-se esses “media” que esta medida vai, por exemplo, levar a que as estudantes islâmicas deixem de levar o seu cabelo ou a sua face ocultados, apresentando-se às aulas sem visível diferenciação cultural. Disto resultam duas situações, imediatas: indiferenciação (cultural) perante os restantes indivíduos, e a tentativa de suprimir a origem cultural das comunidades estrangeiras. Isto apenas pode ter uma leitura, para qualquer nacionalista: é a tentativa mais descarada de transformar a população do país numa amálgama culturalmente uniforme, destruindo tanto a cultura autóctone (por impedi-la de usar os seus próprios símbolos) como as das comunidades estrangeiras (obrigando-as a “padronizarem-se” para se integrar, acertando-se por estereótipos americanóides, quando por ventura, a sua cultura original não defende essa “integração”). Nada nesta lei vai contra a imigração islâmica, apenas obriga a que os imigrantes abdiquem de certos valores culturais para que possam entrar para o “caldeirão” multiculturalista em que se transformou a França.

O politicamente correcto já nem advoga o respeito pela diferença, está a ir tão longe que já legisla tendo em vista o extermínio de todas as culturas para que sejamos todos indiferenciados, tanto nós, autóctones nesta Europa, como os elementos imigrantes que têm outros valores culturais. Não haja enganos, esta lei é um atentado à identidade do povo Francês, e apenas mais um passo no longo caminho da colonização que se tem assistido nesse país por culturas que nada têm a ver com a herança cultural Europeia, e vem apenas provar que o “politicamente correcto”, quando levado ao extremo, é tão “fascista” como o Fascismo que diz repudiar.

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