Horst Mahler: um radical

Por Jean-Charles VAN ZEE (Fonte: revista Devenir, nº 16. Nota: O texto sofreu algumas alterações da nossa inteira responsabilidade.)

O debate político relativo à subida do nacionalismo continua intenso na Alemanha. Depois de Horst Mahler aderir ao NPD, o partido sofreu algumas alterações e teve agora uma excelente votação. A sua adesão ao NPD foi vista como uma conversão estranha: o que faz um homem de extrema-esquerda aderir, aos 74 anos, ao NPD?

Enquanto que a Alemanha continua na dúvida democrática sobre a utilidade ou não de proibir o partido nacionalista NPD, este acaba de obter uma votação forte e convencer uma franja importante do eleitorado. O partido sofreu algumas alterações, aderiram personalidades como Horst Mahler, que nasceu em 1936 na Silésia (região alemã na altura, polaca hoje). E é deste homem que vamos falar um pouco.

Filho de nacional-socialistas, fica em Berlim ocidental após a perda da Silésia e a morte do pai em 1949, cresce na imagem contraditória dos seus pais e do regime nacional-socialista como a "encarnação da bondade humana" e aquela que a escola ensina: "Nós Alemães éramos um povo agressivo que desencadeou duas guerras mundiais e culpados pela morte de seis milhões de Judeus. Não podia odiar os meus pais. Mas queria ser um Alemão correcto. Refugiei-me na teoria marxista que permitia sair desta culpabilidade e mergulhei na luta do proletariado."

Estudou em Berlim, a sua carreira política inicia-se na juventude socialista, posteriormente aderiu à principal organização de extrema-esquerda alemã dos anos 60, o SDS (Sozialistischer Deutscher Studentenbund - Federação Alemã dos Estudantes Socialistas).

Em 1968, era um dos principais porta-vozes da revolta estudantil. O seu discurso é marcadamente esquerdista, e pela virulência dos seus ditos, encarna rapidamente no entender da direita conservadora a imagem do alvo a abater, do inimigo principal.

Hoje, Horst Mahler interpreta os acontecimentos de 1968 como uma "revolução conservadora" sem sucesso, como "Nacional-Bolchevique" e mesmo como um "fascismo de esquerda". Outros líderes da extrema-esquerda alemã como Gunther Maasche e Reinhold Oberlehrer têm a mesma opinião. Foi um período conturbado da sua vida, e em 1968 a sua vida altera-se completamente quando conhece Andréas Baader e Gundrun Enslinn, futuros fundadores da Fracção Exército Vermelho. Com a radicalização do movimento de 1968, torna-se militante activo na clandestinidade.

Após alguns atentados e assaltos à mão armada, Horst Mahler vai refugiar-se no Médio Oriente no campo palestiniano de Ali Hassan Salamek, "o ódio comum aos Estados Unidos e aos seus aliados sionistas, Israel, unia rebeldes alemães e árabes", escreve no Welt Am Sonntag. Quando regressa à Alemanha é alvo de uma denúncia em 1970 e foi condenado a catorze anos de prisão.

No período em que está preso distancia-se do terrorismo e declara-se maoista. Na tentativa de obter a liberdade contrata o actual chanceler Gerhard Schröder. Em 1980 é libertado, contudo em 1988 é preso outra vez e distancia-se da política. Mas no fim dos anos 90 volta ao panorama político para se tornar um pensador nacional revolucionário e um ideólogo nacionalista.

A questão que todos colocam é: Como é possível um antigo militante da extrema-esquerda ser hoje um dos líderes da resistência nacional? Quando se coloca esta questão a Horst Mahler encolhe os ombros e declara: "Ontem, como hoje o meu principal trabalho político foi denunciar como inimigo o imperialismo americano. A política externa dos Americanos está por trás desta invasão de estrangeiros e pretende “balcanizar” a Europa. Colocar a Europa a ferro e fogo é o objectivo.”

Combate o politicamente correcto e afirma que o seu principal objectivo é combater imigração que afecta a Alemanha: "Para mim é evidente – afirma –, que os Alemães que querem continuar a ser Alemães vão ser minoria. Com o retrocesso da natalidade e os sete a oito milhões de estrangeiros, sobretudo Muçulmanos que fazem vir a sua família e que são mais propensos à natalidade, em cinquenta anos, o povo alemão será uma minoria".

Com alguns intelectuais do antigamente juntou-se ao NPD a fim de criar um "colégio alemão" para "reconquistar a elite do povo" e instruir a filosofia do idealismo nacional. Para Mahler só o povo tem o direito de decidir a política de imigração, só a ele cabe decidir a atribuição da nacionalidade, e não os grandes lóbis através dos partidos do sistema.

Desejamos-lhe BOA SORTE e esperamos que com clareza conduza os revolucionários de esquerda ao seguinte pensamento: “o tempo da luta de classes terminou, perfila-se no horizonte um combate bem mais incerto... a luta pela sobrevivência da cultura europeia”.

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