Memória Lusitana

Texto publicado no extinto blogue Alternativa Identitária

A propósito do Portugal Contemporâneo
Revista “Águia”, volume III (XXIII) - 3ª série
De Julho a Dezembro de 1923

As classes conservadoras quanto mais enriquecem de dinheiro, mais empobrecem o coração. Somos portugueses apenas por uma fatalidade geográfica, porque a verdade é que estamos deixando de ser um povo no que esta palavra exprime: a comunhão nos interesses espirituais. Nunca houve tantas fortunas em Portugal, e nunca em Portugal houve maior miséria política e moral. Nunca houve tantos ricos e nunca houve menor número de benfeitores. Um egoísmo intratável está acabando de dissolver os laços da comunidade. Onde havia um povo, há classes que se hostilizam e defrontam com desconfiança e rancor. Como o pavão, só olhamos para o leque fulgente da nossa cultura intelectual. E se olhássemos para os pés dos pobres que enxameiam as ruas? De que nos vale o talento se o não aplicamos em dignificar a nossa terra?

Carta dirigida a Leonardo Coimbra, por Carlos Malheiro Dias.

Será que em 2004 reconhecemos este país de que fala Carlos Malheiro Dias? As diferenças são apenas cosméticas, com a agravante da actual descaracterização etno-cultural do nosso povo.

Comentários

Sem comentários

Adicionar Comentários

Este post não permite comentários