Mundialismo

Por João Franco e Paulo Rodrigues (Jovem NR, nº 1)

Regularmente, os senhores do mundialismo saem das suas tocas e juntam-se neste ou naquele local. Recentemente foi em Bolonha mas, para os mais atentos, tudo o que rodeou a cimeira mundialista realizada naquela cidade italiana foi o corolário de um acumular de tensões que começara já em Seattle e, em termos de Europa, em Davos. É isso que aqui vimos recordar: há cerca de um ano e meio, os grandes senhores do Mundialismo juntaram-se naquela cidade Suíça para decidir o futuro do nosso planeta em nome, claro está, do “bem-comum” e imbuídos das “melhores intenções”. Seria? Se assim fosse, porquê tanto secretismo em torno de todas as actividades deste tão “límpido” fórum? Esses homens e mulheres reunidos em Davos eram nem mais nem menos do que os Senhores do Mundo, esses mesmos que, camuflados sob a máscara da respeitabilidade e de uma aparência benemérita, compram governos e países e provocam guerras e assassínios, tudo em nome da sacrossanta globalização. Esta última, afinal, não é mais do que os defeitos do capitalismo elevados ao grau de ideologia impiedosa pronta a esmagar toda a iniciativa económica imparcial e toda e qualquer concorrência aos seus interesses, através dos fenómenos concentracionistas a que todos temos assistido a todos os níveis. Daí resultam fenómenos como a cartelização e situações de oligopólios económicos, que, apesar de obscuros, são de vez em quando descobertos. As vagas de imigração que assolam a Europa e as guerras que imperam nos países da periferia (os chamados países do Terceiro-Mundo) são também a eles que, em parte, os devemos. Para tal gente, nada interessa para além do poderoso dólar e, por consequência, representam o capitalismo no seu pior, não o capitalismo da livre concorrência e da igualdade de oportunidades, mas sim o capitalismo voraz e insaciável do mundo unipolar, onde a empresa maior devora constantemente a mais pequena: ou seja, o liberal-capitalismo, sempre oligárquico, sem qualquer controlo por parte do Estado.

Que lhes importa a destruição das florestas equatoriais, se daí provier o lucro? Que lhes interessa o estado do Planeta daqui a 100 anos se, nessa altura, a sua vida de luxo já terá chegado ao fim? Para nós, Nacionalistas, a Ecologia é importante porque consideramos que o nosso solo é sagrado e que as gerações futuras, portadoras da nossa herança cultural e genética, são tão importantes como a nossa e as dos nossos Antepassados. Como tal, não temos o direito de destruir nem a cultura que os vai educar como seres produtivos para a sociedade nem o solo onde irão viver. Mas, para os senhores do pensamento Materialista, Capitalista e Mundialista, o futuro não é importante. Acham que o Homem nasce com liberdade para tudo, por isso caem no egoísmo e na ganância. E quem vier depois que se amanhe!

A chamada globalização, fonte de inúmeras vantagens para um pequeno e selecto punhado de empresas, aprofunda as diferenças e o fosso entre os grupos sociais e está a lançar o caos nos países do Terceiro Mundo que, através dos seus emigrantes, estão a exportá-lo em especial para a Europa.

O “dumping”, prática proibida pelas convenções e organizações de comércio internacional, anteriormente pelo GATT e agora pela Organização Mundial de Comércio, continua a ser praticado. Basta ver o que acontece em relação a Portugal por parte de empresas espanholas e alemãs, entre outras: essas empresas, pela sua dimensão colossal ou mesmo oligopolista ou para-monopolista, conseguem colocar no nosso mercado produtos similares aos das empresas nacionais a preços inferiores aos do seu custo durante um período de tempo relativamente longo, dada a dimensão e poder económico que têm. Esse tempo é-lhes necessário, pois é o que as empresas nacionais suas concorrentes levam a entrar em crise pelo facto de os consumidores preferirem, numa óptica de mercado, o produto mais barato. É assim que os colossos empresariais de influência global vão conquistando mercados e aniquilando as economias de países mais fracos, apesar das obviamente ineficazes medidas anti-“dumping” e anticoncentracionismos de carácter oligopólico, cartelista ou monopolista (de que são exemplos, em Portugal, os casos das cervejeiras ou, até há relativamente pouco tempo, da PT.

Os indivíduos que se reuniram em Davos, são os líderes desta nova teologia de mercado que se chama neoliberalismo. Para eles, como já dissemos, nada mais interessa, não há valores nem princípios éticos que os orientem, embora clamem ser os paladinos da democracia e da liberdade.

Os meios de comunicação de massas e as pessoas que os manipulam são seus aliados fiéis, tendo por missão preliminar preparar o espírito dos povos e Nações para a “necessidade” de consumir desenfreadamente (mesmo artigos de que nunca necessitaram), mostrando-lhes até a utilidade de obscuras geringonças electrónicas e de outros igualmente “indispensáveis” acessórios do homem “moderno e civilizado”, que é, segundo o catecismo mundialista, o homem acéfalo e que nada questiona. Este tipo de homem, apenas se move por dinheiro e não por valores, sendo um bom consumidor, pronto a inundar aos fins-de-semana os mais colunáveis locais de comércio.

Os cidadãos que pretendiam manifestar-se em Davos contra o estado de coisas da economia e da política mundiais eram, ao que nos quiseram fazer parecer, “perigosos terroristas”. E não é que eram mesmo? Lá os vimos nas imagens televisivas, “armados” de camisolas com frases de ordem e cartazes, entre outros objectos igualmente “perigosos” pretendiam colocar Davos e quem sabe toda a Suíça a ferro e fogo! Eram realmente um bando “perigoso” (mas só para os senhores do Mundialismo), composto por pessoas que gostam de pensar por si próprias (eis o grande “perigo”!) e os seus elementos foram logo etiquetados de antidemocráticos. E assim, no âmbito do exercício pleno da liberdade de expressão que a tal “democracia” que dizem existir hoje em dia permite, os “malandros dos agitadores” levaram que contar, pois deviam era estar caladinhos, para ver se mais ninguém despertava do sono dogmático que o Mundialismo espalhou. E, para os mandar calar, lá vieram então muitos senhores da polícia suíça com jipes, cães, bastões, canhões de água e até balas de borracha para conseguirem manter à distância os “terroristas”, que ficaram a saber que com a “democracia” não se brinca. Quanto aos indivíduos que participavam no fórum, estavam todos muito satisfeitos pela forma amena como que este decorria, mas deixaram nas entrelinhas a mensagem de que o longo braço da “democracia” apanhará quem não pensar como eles. Um pouco à maneira daquele boçal ex-ministro português que, há não muito tempo, disse que quem se meter com o governo “leva”. E viva a “liberdade de expressão”, essa mesma que fecha a porta de TODOS os jornais de referência a um jornalista que escreva contra o sistema / regime vigente (é assim, disfarçada, que funciona a censura no nosso tempo).

Ainda de referir que, com os novos sistemas de controlo dos movimentos das pessoas via satélite por intermédio, por exemplo, do sinal emitido pelos seus telemóveis, ou com o crescente número de câmaras de vigilância existentes por esse mundo, bem como outros dispositivos de objectivo semelhante é caso para dizer: “Big brother is watching you!”

Por fim, é ainda de salientar que, com as agressões policiais em Davos sobre gente que se manifestava pacificamente, criou-se uma espiral de violência, que levou a que as manifestações antimundialistas se tornassem, a partir de então, em ocasiões para a extrema-esquerda (ela própria adepta do mundialismo, embora sob outro rosto) tomar conta deste tipo de protestos e manifestar-se da forma ordinária e criminosa como tanto gosta (veja-se o recente caso de Génova), sendo agora comum a pilhagem de lojas por marginais e outras baixarias afins cada vez que há um fórum pró-mundialista.

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