Nacionalismo: Acima do Marxismo

Por Paulo Rodrigues (Jovem NR nº 2)

O Marxismo é como uma epidemia… e daquelas bem contagiosas! Vai-se espalhando e, devagarinho, corrói o cérebro das pessoas. Assim, ao longo do nosso percurso escolar, ele vai-nos acompanhando, embora muitas vezes nem nos apercebamos da sua presença. Lá está ele na sociologia… lá está ele na história… lá está ele nos textos que damos na disciplina de português.

Omnipresente mas escondido, vai-nos gradualmente impondo uma forma de pensar segundo os seus parâmetros. E depois lá andamos nós todos felizes, a pensar segundo perspectivas de luta / divisão de classes, “Nova História”, etc.

Tudo passa a ser interpretado à luz de uma forma marxista de ver o mundo e aqueles que depois vão estudar economia fecham o seu percurso académico com “chave de ouro” e, como uma desgraça nunca vem só, acabam por juntar à sua educação marxizante as teorias igualmente questionáveis e igualmente perigosas do liberal-capitalismo. Temos assim os defensores do capitalismo selvagem que, embora contrários às teorias económicas de Marx, nunca se conseguem afastar da ideia do mundo (cosmovisão) marxista que lhes foi sendo inculcada ao longo dos anos e concebem também eles os problemas sociais em termos de uma mera luta de classes ou conflito de interesses entre patrões e empregados.

Nada mais errado! Os interesses de patrões e empregados não são necessariamente discordantes, desde que o Estado intervenha na vida económica para regular a situação, garantir a justiça social e aplicar as energias de ambos os grupos no serviço à comunidade e à Nação. Mas atenção que INTERVENÇÃO não significa DOMÍNIO TOTAL.

Lamentavelmente, até no Nacionalismo encontramos por vezes o virus marxista instalado. E outra coisa não seria de esperar, dado o sistema de (des)educação a que somos submetidos ao longo de, pelo menos, 12 anos.

Têm sido vários os exemplos disso: foram vários os grandes teóricos do nacionalismo orgânico do passado que caíram no vocabulário marxista, por exemplo, ao utilizarem o termo “trabalhador” como sinónimo de “operário” ou “assalariado”, o que é errado: por exemplo, um empresário em nome individual não é um assalariado e pode trabalhar muito mais do que o chamado “trabalhador”.

O verdadeiro Nacionalismo visa unir a Nação, com TODOS os seus elementos, com vista ao alcançar de um desígnio comum. Ora, ao querer unir TODA a Nação, um discurso nacionalista coerente não deve deixar ninguém de fora. Por isso, um discurso da luta de classes não faz sentido nos nossos meios.

Críticas à chamada burguesia? Sim e não! Devemos sempre criticar não o grupo social em si mas sim o espírito burguês (presente em tantos!), ou seja, o espírito daquele empresário gordo que em vez de melhorar as condições de trabalho e de vida das operárias da sua fábrica prefere comprar dois ou três Ferraris para tentar mostrar lá na terra que “é o maior” e para tentar levar uma dessas operárias a “dar uma voltinha depois do trabalho”, enquanto a mulher e os filhos o esperam em casa. Mas daí a ver os empresários TODOS como traidores à Nação… vai muito!

É traidor o empresário que se vê confrontado com a concorrência desleal das empresas estrangeiras e tenta contratar mão-de-obra mais barata para salvar o seu negócio de uma vida? Não! Assim como não é traidor o operário que prefere trabalhar para uma multinacional alemã que paga melhor em vez de trabalhar para um pequeno empresário português que paga pior. Nenhum deles é traidor e nenhum deles tem culpa da actual situação: ambos tentam apenas salvar o seu ganha-pão. Tal como não é traidor o operário que vai às compras ao Lidl (que é estrangeiro, mas mais barato) em vez de ir ao Pingo Doce (que é português, mas mais caro). De quem é, então, a culpa? A culpa é do Estado e só do Estado! O Estado tem de intervir, fechando as portas à invasão imigrante e instituindo critérios OBRIGATÓRIOS de preferência nacional no acesso ao mercado (em benefício das empresas portuguesas) e ao trabalho (em benefício dos operários ou assalariados portugueses de um modo geral), ao mesmo tempo que deve aprovar legislação que coloque os assalariados ao abrigo de situações de exploração por parte dos patrões, assegurando sempre a igualdade de oportunidades e uma valorização do trabalho que permita que os mais empreendedores (seja qual for a sua origem social) possam constituir empresas e progredir na vida para benefício de todos.

Resolvido o problema das injustiças sociais pela intervenção (repetimos, e não pelo domínio) do Estado na economia, comcluímos que o espírito nacionalista está presente em TODOS os grupos da sociedade, em todos aqueles que sentem a Nação no coração, independentemente da sua proveniência (é este sentimento supraclassicista que nos torna tão superiores às doutrinas intrinsecamente contraditórias do capitalismo e domarxismo). Já houve, por toda a Europa, grandes nacionalistas provenientes tanto de famílias operárias como da chamada burguesia e até mesmo da nobreza (e não foram poucos!). Além disso, o Nacionalismo cresce sempre onde se trabalha o terreno e há gente decidida. Os resultados eleitorais comprovam-no (nomeadamente no caso do PNR em Portugal, que investiu muito em freguesias com um determinado tipo de problemas, mas só obteve resultados satisfatórios naquelas em que conseguiu fazer trabalho de campo). Por isso, é lícito concluir que o Nacionalismo tanto chega ao operário que se vê a braços com a invasão do mercado de trabalho como ao pequeno empresário, massacrado pelos impostos e pela concorrência desleal das multinacionais estrangeiras. E porque razão chega a ambos? Porque não os hostiliza um contra o outro e aplica as energias dos dois na defesa do bem da Nação, que somos todos nós.

Poderemos assim recorrer a uma perspectiva meramente economico-marxista e confiar apenas em classes para fazer a revolução nacional? Em quem confiaríamos então? Nos operários com espírito de classe? Esses são os que menos têm a perder e estão cada vez mais descontentes, mas… como nada têm também se contentam com pouco e (tal como se tem comprovado ao longo da história) as revoluções feitas por operários ficam sempre a meio, pois quem nunca teve nada facilmente se “aburguesa” ou deixa comprar a troco de receber alguma coisa. Vamos por isso confiar noutra “classe”, na dos empresários? Esses são os que têm sempre medo de perder aquilo que já amealharam e, por isso, costumam ter medo de grandes mudanças na sociedade. Em quem confiar então?

Uma vez mais, o supraclassicismo nacionalista traz a resposta: não confiaremos em nenhuma classe definida com base em pressupostos economicistas. Isso para nós não tem que existir.

Confiaremos no Soldado Político de que nos falava José António Primo de Rivera: no homem altamente preparado doutrinária e psicologicamente para fazer parte da Vanguarda que leva os outros consigo. No homem que não vive segundo o espírito burguês mas também não tem noção de classe, pois para ele o sentido de vida é servir TODA a Nação com TODOS os seus componentes. Há quem considere isto utópico… Não me parece! Mais uma vez, recorramos à História e veremos que, por exemplo, durante o século XX houve inúmeros casos de gente que sacrificou tudo pela Nação.

Por isso, numa altura em que uma certa mentalidade marxista e internacionalista recrudesce e a extrema-esquerda (para justificar a sua existência e “utilidade” perante o sistema) desfere ataques de toda a espécie ao Nacionalismo, a nossa resposta só pode ser uma: Abaixo o espírito de classe, viva o Espírito de Nação!

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