Sammy & Vicki Weaver: Não vos esqueci…

Por J.A. Spínola

Peço, logo à partida, perdão pelo teor deste artigo, que admito ser sentimentalista mas que, em parte, marcou o meu despertar nacionalista e que por vezes me assombra recordar, como jovem nacionalista que era quando tomei, pela primeira vez, conhecimento da tragédia que mudou definitivamente a vida do nosso camarada Randy Weaver, na altura militante da Aryan Nations e actualmente apenas mais um cidadão anónimo, e em parte incerta…

Recordo também que, posteriormente, em 1997 ou 1998, foi emitida uma mini-série sobre este acontecimento na RTP 2, infelizmente não me recordo do nome da mesma.

Randy Weaver, nacionalista americano, optou por virar costas ao decadente mundo moderno e mudou-se com a sua família – Vicki, a sua esposa, Sammy, filho de 14 anos, as suas filhas Sara, Rachel e Elisheba, respectivamente com 16 anos, 10 anos e, a última, uma bebé de 10 meses, bem como com o amigo Kevin Harris – para Ruby Ridge, no Idaho, uma zona montanhosa e isolada, ansiando viver pacificamente e de acordo com os seus ideais, fornecendo uma educação saudável aos seus rebentos.

Na altura vários nacionalistas, tão próximos quanto a Espanha e a Inglaterra, tentavam criar comunidades nacionalistas isoladas, nenhum dos projectos parece ter vingado.

Comecei por pensar em traduzir um artigo sobre o sucedido da autoria de Wally Conger, mas optei por utilizar parte dos dados do artigo e escrever, eu mesmo, algumas linhas.

Randy Weaver, que entre outras coisas era também serralheiro, foi contratado em 1991 por um indivíduo para cortar os canos a duas armas de caça, um crime ao abrigo da lei dos EUA, tratou-se duma cilada, o indivíduo era, na realidade, um agente governamental que criou deste modo um crime pelo qual pudesse processar Randy, uma táctica muito utilizada nos EUA.

Randy foi detido e tentaram intimidá-lo para obter informações sobre as actividades da Aryan Nations, não tendo obtido qualquer sucesso deixaram-no ir sob fiança. Randy recebeu uma notificação com a data errada do seu julgamento, o mesmo estava marcado para 20 de Fevereiro de 1991, mas a data que constava na carta era 20 de Março de 1991. As autoridades têm alegado desde então que se tratou de um erro tipográfico… um erro que teve graves repercussões, e que não me parece ter sido inocente… por não ter aparecido no julgamento Randy foi considerado como foragido e foi emitido um mandato de captura em seu nome.

Nos 18 meses que se seguiram as autoridades vigiaram a cabana em que Randy residia, construída pelo próprio, com a sua família e amigo, tarefa incumbida aos Marshals, que certamente conhecemos de filmes como O Fugitivo.

Por fim, no dia 21 de Agosto de 1992, seis agentes das forças especiais armados com armas automáticas, munidas de silenciadores, e os rostos cobertos, cercaram a cabana da família, sem se identificarem e sem apresentarem qualquer mandato de captura. A sua primeira acção foi matar o cão da família, um labrador amarelo, que havia dado conta da sua presença. Sammy, filho de Randy, testemunhou a morte do seu animal de estimação, e como os intrusos não se identificaram, disparou a sua carabina contra os mesmos e correu para casa. Os agentes atingiram Sammy no braço e, posteriormente, nas costas, matando-o. Recordo que Sammy tinha 14 anos.

Vinte e quatro horas mais tarde a casa encontrava-se cercada por mais de 400 agentes federais e a família, barricada na sua cabana, já tinha atingido mortalmente um Marshall, defendendo-se dum ataque que julgavam anónimo.

Na tarde de 22 de Agosto Vicki Weaver encontrava-se junto da porta da cozinha, ao seu colo tinha Elisheba, bebé de 10 meses, um atirador furtivo atingiu Vicki em cheio na cabeça. Vicki encontrava-se desarmada e faleceu a abraçar a sua bebé de 10 meses, num último instinto maternal…

O cerco durou 9 dias, Randy era um ex-boina verde e soube defender bem a sua casa, o corpo de Vicki foi mantido em casa, ao 9º dia Randy Weaver, Kevin Harris, gravemente ferido, e as crianças, renderam-se…

Onze meses mais tarde Randy foi considerado INOCENTE de todas as acusações. O caso foi encoberto, nenhum dos agentes responsáveis pela morte de uma criança e de uma mãe foram julgados.

As tácticas do sistema americano não mudaram muito, faltar a audiências de tribunal foi este ano também o álibi utilizado para deter Germar Rudolf e extraditar Ernst Zündel, em vez de agentes e atiradores das forças especiais, foram utilizados agentes do SEF, é mais polido e atrai menos atenção.

O que pensou Sammy ao ver o seu animal de estimação ser morto, nunca saberemos, nunca saberemos também o que pensaram os agentes que abateram uma criança de 14 anos pelas costas e uma mãe com um bebé ao colo, desses nem o nome saberemos, que as consciências lhes pesem…

Isto não aconteceu num qualquer regime de ditadura comunista asiático ou africano, foi ali no bastião mundial da liberdade e da democracia, nos mui democratas Estados Unidos.

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