Entrevista à redacção do Causa Nacional

Entrevista concedida pela redacção do Causa Nacional ao extinto blogue Porta-Bandeira

1. Antes de mais, como surgiu a ideia do portal "Causa Nacional"?

A ideia surgiu entre dois camaradas que não eram virgens nestas experiências de internet. Um já tinha feito o blogue Puro e Duro e o outro tinha realizado o blogue Nacionalista. Já nos conhecemos há alguns anos e em conversas informais surgiu a ideia de formarmos um blogue em conjunto, contudo as ideias foram evoluindo e gerou-se a página. Inicialmente a ideia era fazer da página uma coisa simples, como complemento do blogue, no entanto acabamos por chegar à conclusão de que era preferível concentrar tudo num só local, para evitar a dispersão de visitas.

Nós somos e queremos ser um Centro de Divulgação do Nacionalismo, sem contudo esquecermos a nossa linha identitária.

2. Quantas pessoas compõem a redacção do portal? O que fazem, para além de trabalhar neste projecto?

A “tempo inteiro” somos dois: um é o responsável pela parte gráfica da página e por algumas traduções, enquanto que o outro escreve os textos diários e distribui os textos para tradução entre os colaboradores. Temos um grande trabalho, ocupa-nos um pouco do nosso dia, porque para termos um trabalho de alguma qualidade é necessário viver isto e programar as grandes actualizações semanais. Chegamos a programa-las com um mês de antecedência.

Mas não somos só nós. Temos ainda alguns colaboradores mais ou menos regulares, que nos ajudam sempre que podem. Gostaríamos de referir os camaradas Gil Roseira, Francisco Silva, Rui, Catarina, Miguel Jardim e Fernando Alba que nos ajudam nas traduções e nos textos. Pedimos desculpa se falta mencionar alguém, mas desde já agradecemos a todos que nos ajudam, que nos lêem e que nos incentivam a continuar.

Em termos de movimento nacionalista, somos apoiantes do PNR. Tivemos sempre uma constante actividade e militância na linha de Cascais até estas últimas eleições. Infelizmente, por razões que não interessa divulgar, a nossa participação em actividades de rua nesta campanha foi quase nula, por isso realizamos aquele “Especial Eleições” [série de entrevistas com vários cabeças-de-lista do PNR durante as eleições legislativas de 2005]. Foi a nossa forma de mostrar que continuamos presentes e preocupados com o futuro do partido e o seu rumo.

3. A cruz celta [utilizada no portal] é muitas vezes conotada com a xenofobia e a violência. Porquê escolhê-la como símbolo? Consideram-se, de alguma forma, racistas?

A céltica faz parte da nossa identidade enquanto europeus e representa uma parte muito importante da nossa herança étnico-cultural. Além de que é um símbolo utilizado por inúmeros movimentos nacionalistas por toda a Europa. Fazia todo o sentido utilizar a céltica.

Quanto à conotação com a “xenofobia e a violência” não é algo que nos preocupe. Independentemente da simbologia que usemos, o sistema irá acusar-nos sempre de xenofobia e violência. Até podíamos usar uns coraçõezinhos cor-de-rosa que seríamos acusado de ódio na mesma.

Quanto à segunda questão, não somos nem racistas nem xenófobos. Reconhecemos a existência de raças humanas e criticamos a imigração/invasão do nosso país e da Europa, mas isso não faz de nós racistas. Pretendemos apenas garantir que amanhã Portugal ainda será Português, que amanhã os Portugueses não serão estrangeiros no seu próprio país.

Amamos acima de tudo o nosso povo, a nossa história e tradição. Respeitamos o passado e pretendemos preservar o nosso futuro. Isto não é ser racista.

Os verdadeiros racistas são aqueles que negam a existência de raças, que promovem a sua destruição pela miscigenação, que pretendem uniformizar o mundo, tornar-nos todos iguais. Esses é que odeiam a diversidade humana, não nós.

4. O lema do vosso portal, exposto em várias imagens e autocolantes, é "Identidade, Justiça, Revolução". Qual o significado destas três palavras?

Um slogan deve condensar toda a ideologia, por isso escolhemos este. O significado é simples:

Identidade – A nossa Identidade é aquilo que somos. Lutar pela nossa identidade é lutar pela nossa preservação e pelo nosso futuro. A defesa da Identidade Nacional é o primeiro dever de qualquer Nacionalista. Só poderemos perpetuar Portugal se preservarmos o nosso povo, a nossa história, cultura e tradições. Portugal deixará de existir assim que a sua identidade étnico-cultural se alterar.

Justiça – A justiça consiste em dar a cada um o que lhe pertence. Portugal pertence aos Portugueses e é por isso que nos batemos. Estamos fartos de partidocratas corruptos e vendidos, estamos fartos de eurocrápulas mundialistas. Queremos devolver Portugal aos seus legítimos donos, os Portugueses e a Europa aos Europeus.

Estamos fartos das injustiças sociais verificadas em Portugal e na Europa, queremos um sistema social europeu solidário e que restitua os direitos e garantias ao povo português e europeu. Lutamos e lutaremos pela diminuição das desigualdades sociais verificadas na Europa que são sustentadas pelo grande capital. A União Europeia de hoje, é uma União económica que defende o interesse do capital, nós queremos uma Europa solidária e justa para com o povo, para quem trabalha seja operário ou empresário. Também não queremos uma Europa que sustente os parasitas que vivem à custa dos subsídios, apelamos sim à justiça para com quem trabalha. Combatemos a exploração imobiliária, combatemos os lucros fáceis da banca, connosco a banca não terá privilégios. Em ano de crise a banca teve lucros excessivos, não podemos tolerar uma situação destas já que é o povo que sofre. Os créditos para os jovens acederem a casas teriam de ser facilitados, porque consideramos inadmissível que os jovens casais queiram constituir família e sejam vítimas da grande finança. Enfim o rol de injustiças sociais é vasto… e os exemplos seriam imensos.

Revolução – Acreditamos que o actual sistema é intrinsecamente injusto. Não acreditamos que seja possível reformá-lo, por isso defendemos a Revolução como único método de salvação nacional e europeu. Não se pense no entanto que defendemos o levantamento em armas, contra o Estado. Ainda estamos muito longe disso. Neste momento é preciso, acima de tudo, revolucionar as mentalidades, é preciso doutrinar, é preciso mostrar aos portugueses e aos europeus que há um outro pensamento além do “politicamente correcto”. Quando essa tarefa estiver concluída o resto virá naturalmente.

A Revolução será um processo natural, porque acreditamos que o povo vai despertar perante a injustiça de que é alvo. Como tudo na vida, é uma questão de tempo.

5. A Internet é um espaço privilegiado para expor as doutrinas nacionalistas que são constantemente ignoradas pelos outros meios de comunicação. Acham que o recente crescimento de projectos nacionalistas (sítios, blogues, fóruns) pode levar a um dispersar de esforços?

Somos apologistas do quanto mais e variado, melhor. É preciso que todas as correntes do Nacionalismo tenham a sua expressão, o que não deve impedir que haja congregação de esforços entre os vários espaços na Internet, especialmente tendo em vista campanhas temáticas específicas, como a questão do aborto, da Constituição Europeia, etc. A Internet pode permitir coordenar esforços e fazer a divulgação de eventos, que de outro modo não seriam conhecidos.

A Internet tem também servido para o crescimento do movimento, o Fórum Nacional é o exemplo paradigmático dessa situação; um espaço onde conflui muita gente da área nacionalista.

Muitos dos participantes têm o seu blogue pessoal, outros como nós têm a sua página e não deixam de participar no fórum. O que tem de haver entre todos é respeito e compreensão pelas variadas tendências, e os espaços da internet possibilitam que isso aconteça. Verifica-se uma estreita colaboração entre todos, o que é salutar e traduz a vontade de trabalhar dos militantes nacionalistas portugueses que tem necessariamente que se reproduzir na RUA. Somos apologistas da militância virtual, mas não nos podemos esquecer que é na RUA que devemos estar representados de várias formas. Temos que ser as caras e os corpos de uma ideologia que se quer para o presente e para o futuro de Portugal.

6. No vosso sítio, pode ver-se uma imagem contra a entrada da Turquia na União Europeia. Qual a vossa opinião sobre a UE? Acham que Portugal se devia retirar?

É uma pergunta complicada. Em nossa opinião a política internacional caminha cada vez mais aceleradamente para a criação de grandes blocos geo-políticos. Temos a China, que é, só por si, um enorme bloco civilizacional e geo-político, em rápida ascensão. Temos também a Índia (enorme, e com um potencial imenso), os EUA que têm a vocação de dominar toda a zona Americana (tanto a Norte como a Sul); até mesmo o Islão parece querer ressurgir em força. Neste contexto qualquer país europeu tem poucas hipóteses de se fazer ouvir na cena internacional.

Por tudo isto entendemos que o futuro é uma união europeia, não necessariamente esta, que é uma Europa dos plutocratas e mundialistas, mas sim uma Europa Identitária. A Europa tem que se unir perante os outros grandes blocos que emergem, contudo hoje assiste-se a uma Europa que está a ser invadida por esses blocos. Invadidos demograficamente por gentes de África, economicamente pelo bloco asiático concretamente a China, e em termos religiosos pelo Islão. Só uma Europa Unida, e a concretização do mito Fortaleza Europa vai permitir a defesa da nossa identidade, se não despertarmos a tempo consideramos que a Europa e os Europeus caminham para a extinção.

Quanto à segunda questão, entendemos que enquanto for possível salvar a actual União Europeia nos devemos manter. Esperamos é que este modelo de Europa não seja de tal forma nocivo que afaste os Europeus da sua união.

7. Qual é o caminho que propõem para o nacionalismo português? Acham importante a aliança com outras correntes nacionalistas?

Há que ter em conta que não existe um nacionalismo, existem muitos, e não podemos ter a pretensão de achar que o “nosso” nacionalismo é melhor do que o dos outros. Tendo isto em mente, consideramos que a fórmula a seguir deve ser “unidade na diversidade”. Unidade para fora e flexibilidade para dentro, união em torno das questões fundamentais, pluralidade nas acessórias. O caminho e o rumo do nacionalismo será aquele que os nacionalistas quiserem, já que movimento pressupõe acção e infelizmente hoje vê-se muita inércia. Somos nós que fazemos o movimento, é necessário criar estruturas para estarmos presentes na sociedade portuguesa, a nossa voz tem de ser ouvida e sentida pelos portugueses e não apenas de quatro em quatro anos quando existem eleições legislativas.

Consideramos que é necessário criar associações cívicas que tenham voz e participação em assuntos tão banais como o ambiente, o aborto, associações que promovam a natalidade, termos grupos que se dediquem à realização de colóquios e conferências, a realização de acampamentos e convívios para aprofundar o espírito de camaradagem. Não estejam à espera dos outros para o fazer, façam-no. Ideias todos temos, por isso ponham-nas em prática.

Mas não podemos cair no caos e indiferentismo ideológico. Nós não somos “conservadores”, ou “democratas-cristãos”, somos nacionalistas, e é bom que se separem as águas. Não é pelo facto de convergirmos em alguns pontos com o CDS-PP, ou com o PND que faz desses partidos nacionalistas. Também temos pontos em comum com o MRPP e ninguém propõe uma aliança com eles, pois não?

Que fique bem claro: unidade entre nacionalistas, sim! Unidade com conservadores e reaccionários, não! Não queremos ter nada a ver com quem ainda sonha com África e com os territórios do império. Nós somos revolucionários, não somos conservadores nem reaccionários.

8. Nas recentes eleições legislativas, o portal "Causa Nacional" apoiou o PNR - Partido Nacional Renovador. Acham que o PNR é o único partido em Portugal que defende os valores nacionalistas?

O PNR é o único partido nacionalista português, logo tem o nosso apoio. É o único que defende Portugal e os Portugueses. É o único que coloca os direitos de Portugal e dos Portugueses em primeiro lugar. Naturalmente que contará sempre com o nosso apoio.

9. Qual o futuro do portal "Causa Nacional"?

O futuro é uma incógnita. O trabalho envolvido é grande e cansativo e somos apenas dois efectivos, mas o site vai existir enquanto o conseguirmos manter actualizado regularmente, e enquanto acharmos que estamos a fazer um trabalho com o mínimo de qualidade. Trabalho e empenho, é só isso que podemos prometer.

10. Obrigado pela entrevista. Querem deixar algumas considerações finais?

Nós é que agradecemos a oportunidade e queremos dizer a todos que nos lêem: por mais que eles apertem nunca desistam!

Trabalhem, colaborem e ajudem porque todos os braços são necessários, existe tanto que pode ser feito! Não temos que estar todos a fazer o mesmo, porque enquanto um escreve um texto o outro pinta uma faixa. Enquanto um faz um desenho o outro cola um cartaz. Enquanto um impede um opressor de nos chatear o outro cola um autocolante. O que é preciso é ter vontade de trabalhar por Portugal. Existe tanto para fazer, é só querer e não esperar que os outros o façam, por isso:

ao trabalho, Camaradas!

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