Paris arde: como acabam os Impérios

Por Patrick J. Buchanan

Os Romanos conquistaram os bárbaros – e os bárbaros conquistaram Roma.

É isto que acontece aos impérios. E é agora chegado o penúltimo capítulo da história dos impérios do Ocidente.

É este o significado do assassínio de Theo Van Gogh na Holanda, dos atentados de Londres e Madrid e dos motins de Paris que se espalham pela França. Os perpetradores destes crimes nas capitais da Europa são os filhos de imigrantes que outrora foram sujeitos dos impérios coloniais da Europa.

No momento em que escrevo, os motins entram na 12ª noite e já se espalharam para Rouen, Lille, Marselha, Toulouse, Dijon, Bordéus, Estrasburgo, Cannes, Nice. Milhares de carros e autocarros foram queimados e várias escolas foram bombardeadas. Uma mulher aterrorizada foi encharcada com gasolina, enquanto fugia, e incendiada.

Os amotinados são árabes e africanos, e muçulmanos. Embora tenham quase todos a nacionalidade francesa, não fazem parte do povo francês. Pois nunca foram assimilados pela cultura e sociedade francesa. E muitos desejam permanecer quem são e o que são. Vivem em França mas não são franceses.

O caos começou no dia 27 de Outubro quando dois jovens árabes, fugindo daquilo que erroneamente consideraram ser uma perseguição policial, saltaram para as linhas eléctricas e firam electrocutados. Estas duas mortes despoletaram os motins.

Diz-se que o Ministro do Interior, Nicholas Sarkozy, candidato à sucessão do Presidente Chirac, enfureceu e inflamou os amotinados. Antes do começo do caos, prometeu “guerra sem misericórdia” ao crime nos subúrbios, onde o desemprego atinge os 20% e o rendimento é 40% mais baixo do que a média nacional. Acusou os amotinados de serem “escumalha” e “ralé”.

Tal como os motins urbanos americanos da década de 60, que a Comissão Kerner atribuiu ao “racismo branco”, os motins de Paris estão a ser atribuídos à incapacidade da França em integrar os imigrantes muçulmanos na sociedade francesa. As soluções oferecidas vão desde a concessão do direito de voto aos não-cidadãos até à “discriminação positiva” na contratação de filhos de imigrantes do Terceiro Mundo.

Para compreender o porquê da improbabilidade destas medidas resolverem a crise francesa, consideremos o sucesso, e muitas vezes fracasso americano, na resolução das suas próprias crises raciais.

Embora, até aos anos 50, os negros americanos não estivessem totalmente integrados na nossa economia ou sociedade, tinham sido assimilados na cultura americana.

Adoravam o mesmo Deus, falavam a mesma língua, suportaram a mesma Depressão e guerra, ouviam a mesma música e rádio, viam os mesmos programas de televisão, riam-se dos mesmos comediantes, assistiam aos mesmos filmes, comiam a mesma comida, liam os mesmos livros, revistas e jornais, iam às mesmas escolas onde, mesmo quando eram segregadas, aprendiam a mesma história.

Estávamos divididos, mas éramos uma nação e um povo. Os negros eram tão americanos como a tarte de maçã, tendo vivido na nossa terra comum mais tempo do que quase todos os outros grupos étnicos excepto os americanos nativos. E a América tinha uma história de assimilação de dezenas de milhões de imigrantes europeus.

Mas nenhuma nação europeia alguma vez assimilou uma grande massa de imigrantes, muito menos gente de cor. Além do mais, os africanos e islâmicos que entram na Europa – são já mais de 20 milhões – são, ao contrário dos negros americanos, estranhos numa terra nova, e milhões desejam permanecer Argelinos, Muçulmanos, Marroquinos.

Estes recém-chegados adoram um Deus diferente e praticam uma fé historicamente hostil ao cristianismo, uma fé tradicionalista em ascensão que recusa violentamente a cultura secular saturada de sexo.

Separados da civilização e cultura dos seus pais, estes jovens árabes e muçulmanos podem ter a cidadania francesa e passaporte francês, mas são tão franceses como um americano que viva em Paris. Na procura de uma comunidade à qual possam verdadeiramente pertencer, gravitam em torno das mesquitas onde os imãs, muitos deles imigrantes, ensinam e pregam que o Ocidente não é a sua verdadeira casa, mas uma civilização estranha aos seus valores e historicamente hostil às suas nações e ao Islão.

A crescente população muçulmana é uma quinta coluna dentro da Europa.

No entanto, os seus números ainda vão aumentar. Pois não só têm uma taxa de natalidade superior à dos europeus nativos, como nenhuma nação europeia, excepto a Albânia muçulmana, tem uma taxa de natalidade (2,1 nascimentos por mulher) que lhe permita sobreviver por muitas mais gerações. O Ocidente envelhece, encolhe e morre.

Mas, para manter a economia da Europa em crescimento e os impostos a entrar para financiar as pensões e os sistemas de saúde da crescente população reformada e idosa, a Europa precisa de vagas de milhões de novos trabalhadores. E a Europa só os pode encontrar no Terceiro Mundo.

Nem os americanos devem pensar que estão a salvo. Em 2050, haverá 100 milhões de hispânicos nos EUA, metade deles de ascendência mexicana, fortemente concentrados num sudoeste que a maior parte dos mexicanos considera pertencer-lhes por direito.

A colonização dos países colonizadores pelos povos colonizados é o último capítulo da história dos impérios – e o próximo capítulo da história do Ocidente – que agora termina.

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