Pedofilia, homossexualidade e lóbi gay

Fonte: Batalha Final

Num artigo publicado na “Visão”, um médico, Pedro de Freitas, afirma a sua vergonha em ser português em face da recente autorização de manifestação permitida ao PNR contra “o lóbi gay, a adopção de crianças por homossexuais e a pedofilia”. De forma furiosa, exasperada, como que cego pela sua raiva, o senhor em causa afirma a sua revolta pela autorização dada por um governo socialista para uma manifestação que ele considera ter sido xenófoba, própria do III Reich e ignorante, chegando ao ponto de afirmar que os sentimentos homofóbicos dos manifestantes são resultado de uma homossexualidade recalcada.

Toldado pelo seu tumulto interior o referido médico diz refutar as afirmações dos manifestantes de que 80% dos homossexuais serão pedófilos afirmando, pelo contrário, que a pedofilia é sobretudo um fenómeno heterossexual, limitando-se a dizer que isso decorre da “literatura científica”. Curiosamente nem por uma vez o autor esclarece a que literatura científica se refere ou indica qualquer estudo que comprove as suas afirmações, provavelmente pensará que sendo médico bastar-lhe-á afirmar o que bem quiser argumentando que o faz com base numa qualquer “literatura cientifica”.

Termina o seu exercício de verborreia apelando aos militares por um novo 25 de Abril, o que só por si creio ser um bom indicador da filiação ou simpatia política do “médico-cronista”.

Devo dizer, para começar, que a questão da homossexualidade nunca foi para mim um problema prioritário para o nacionalismo - quem me conhece sabe que essa é a minha posição - por outro lado não posso também deixar de dizer que homossexualidade e pedofilia são de facto questões distintas mas isso não impede que se pense sobre as relações que existirão entre um e outro fenómeno, e elas existem. Embora não tenha sido a ligação entre homossexualidade e pedofilia a razão da convocação da manifestação, a comunicação social presente não deixou de tentar transmitir a imagem de que seria precisamente essa relação que nós estaríamos a tentar estabelecer, de forma abusiva e sem termos qualquer capacidade de a fundamentar. Para isso terão também contribuído algumas declarações de participantes menos felizes e que não conseguiram fugir à tentação de ligar a homossexualidade à pedofilia sem terem depois a capacidade de consolidar as suas declarações. Quando se vai a uma manifestação como a de Sábado e se defende que existe uma correlação entre as duas questões aqui abordadas é preciso saber fundamentar com dados estatísticos o que se diz e foi essa incapacidade manifestada por alguns manifestantes que permitiu a alguma comunicação social e aos “Pedros de Freitas” os seus efémeros, porque falsos, momentos de glória. O Dr. Freitas defende que aquilo que a organização tentou fazer não foi mais que uma tentativa “pérfida e premeditada” de confundir a opinião pública, quais pobres ignorantes incapazes de raciocinar (entenda-se, a opinião pública não são os médicos cultos e inteligentes, com capacidade de análise crítica, como o Freitas…). Na realidade, a única tentativa pérfida e premeditada de intoxicar e manipular a opinião pública, com o poder que um órgão de informação escrita como a “Visão” permite, partiu deste médico.

Para começar o Dr. Freitas parece particularmente carenciado intelectualmente, já que o que alguns manifestantes afirmaram (numa frase escrita numa faixa de grandes dimensões) não foi que 80% dos homossexuais são pedófilos (como ele afirma) mas sim que 80% dos pedófilos são homossexuais, entre as duas afirmações existe uma enorme diferença, porque, obviamente, afirmar que 80% dos pedófilos são homossexuais não implica que 80% dos homossexuais sejam pedófilos, como qualquer pessoas com um mínimo de inteligência notará. Será o Dr. Freitas uma espécie de analfabeto funcional incapaz de interpretar o que lê ou simplesmente um mentiroso compulsivo? Eu não sei quem fez essa faixa nem em que estudos se basearam para escrever tal frase, apenas os autores poderão indicar as suas fontes, os 80% são um número que me parece não ter fundamento científico.


No entanto, a verdade é que existem vários estudos estatísticos que mostram claramente uma maior propensão para a pedofilia por parte dos homossexuais, que não validando a valor de 80% confirmam no entanto a ideia geral de que existe uma correlação entre pedofilia e homossexualidade, e serão esses dados que aqui apresentarei:

- Num estudo publicado por Blanchard, Barbareee, Bogaert, Dicky, Klassen, Kuban e Zucker, em 2000, os autores, a maioria do departamento de psiquiatria da Universidade de Toronto, concluíram que apenas 2% a 4% dos homens que se sentiam atraídos por adultos preferiam outros homens (ou seja, 2% a 4 % da população masculina seria homossexual), no entanto, o mesmo estudo conclui que entre 25% a 40% dos homens que se sentiam sexualmente atraídos por menores preferiam crianças do sexo masculino, em consequência a taxa de incidência da homossexualidade é, de acordo com o estudo, entre 6 a 20 vezes superior entre os pedófilos[1].

- A Dr. Judith Reisman, investigadora da "American University", em dois estudos, “Crafting 'Gay' Children: An Inquiry into the Abuse of Vulnerable Youth Via Establishment Media and the School Room" e "Partner Solicitation Language as a Reflection of Male Sexual Orientation", referentes ao seu trabalho sobre os relatórios do Instituto Kinsey, “Kinsey: Crimes & Consequences”, chegou às seguintes conclusões baseada em estatísticas do governo dos EUA referentes ao ano de 1992; de cerca de 86 a 88 milhões de homens heterossexuais, 8 milhões abusaram de raparigas menores de idade, o que constitui 25% do total de raparigas, e uma percentagem incerta de uma população homossexual estimada de cerca de 2 milhões abusaram de 6 a 8 milhões de rapazes menores de idade, constituindo entre 17% a 24% do total de rapazes, logo, considerando os números agregados, 3 a 4 rapazes são sexualmente molestados por cada adulto homossexual do sexo masculino e “apenas” 0.19 raparigas são sexualmente molestadas por cada adulto heterossexual do sexo masculino. As conclusões são evidentes.

- O Dr. Stephen Rubin da "Whitman College" conduziu em 1987 um estudo em 10 Estados americanos sobre o abuso sexual de menores envolvendo professores. Considerou 199 casos - a dimensão da amostra -, desses casos 122 referiam-se a professores que haviam molestado raparigas e 14 a professoras que haviam abusado de rapazes e 59 casos a professores que molestaram rapazes e 4 a professoras que molestaram raparigas. Ou seja, cerca de 32% dos casos de abuso sexual de menores haviam sido perpetrados por homossexuais que, segundo o “Journal of Sex Research”, constituíam 1% a 2% da população total, isto é, cerca de 1/3 dos casos de abuso sexual de menores foram levados a cabo por homossexuais que, enquanto grupo, não ultrapassam os 2% do total da população do país considerado.

- O “Los Angeles Times” conduziu em 1985 um estudo que incidiu sobre 2628 adultos espalhados pelos EUA, desses, 27% das mulheres e 16% dos homens haviam sido sexualmente abusados, 7% das mulheres e 93% dos homens foram molestados enquanto menores por adultos do mesmo sexo, o que significa que 40% dos casos de pedofilia foram levados a cabo por homossexuais (não esquecer que estamos a falar de um grupo que não ultrapassa os 2% do total da população).

- O Dr. Freund e o Dr.Heasman do “Clark Institute of Psychiatry in Toronto” levaram a cabo dois estudos sobre abuso de menores e concluíram que cerca de 34% dos ofensores eram homossexuais (novamente lembro que estes resultados devem ser sempre comparados com a percentagem estimada de homossexuais no total da população, entre 1% e 2%)[2].

- O Dr. Adrian Copeland, psiquiatra do “Peters Institute” de Philadelphia, que trabalha com predadores sexuais, afirmou que com base na sua experiência profissional os pedófilos tendem a ser homossexuais e que 40% a 45% dos violadores de menores tiveram “significativas experiências homossexuais” (na linguagem do médico é o mesmo que dizer que são de facto homossexuais, não imagino um heterossexual a ter significativas experiências homossexuais)[3].

- O Dr. Paul Cameron, em 1993, definiu 3 tipos de evidência científica para retirar conclusões sobre a proporcionalidade da incidência de casos de abusos sexuais por parte de homossexuais: 1. relatórios dos casos de abuso sexual entre a população em geral; 2. relatórios dos que foram julgados e condenados por abuso sexual; 3. o que os homossexuais responderam em inquéritos realizados sobre as suas práticas sexuais.

Com base nestes três critérios Paul Cameron concluiu que, numa população homossexual estimada de 1% a 3%, 1/5 a 1/3 dos abusos sexuais sobre menores foram levados a cabo por homossexuais, confirmando os dados fornecidos por todos os estudos atrás enumerados. De acordo com os critérios definidos chegou aos seguintes resultados, em maior detalhe: 1/3 dos casos de abuso sexual sobre menores denunciados pela população em geral foram cometidos por homossexuais, entre 1/5 e 1/3 dos julgados e/ou condenados por abuso sexual de menores eram homossexuais, entre 1/5 e 1/3 dos homossexuais admitiu ter molestado sexualmente menores.

Cameron conclui que uma população homossexual que rondará os 2% é responsável pela prática de 20% a 40% dos casos de pedofilia e que o risco de uma criança ser molestada por um homossexual é 10 a 20 vezes superior ao de sofrer esses abusos por parte de um heterossexual. Será preciso acrescentar algo mais?

Todos estes estudos revelam que constituindo cerca de 2% da população total os homossexuais representam cerca de 1/3 do total de violadores de menores!

Estes foram apenas alguns exemplos, muitos outros existem que confirmam estes resultados, mas creio que por agora os dados que apresentei chegarão.

A maioria dos estudos sobre a relação entre a homossexualidade e a pedofilia são realizados nos EUA, Canadá, Inglaterra e França mas as tendências e conclusões mantêm-se constantes de país para país. Naturalmente em Portugal a realização de estudos deste género não será da conveniência de muita gente, certamente causará o repúdio dos “Pedros de Freitas” deste país, mas os factos falam por si. Talvez seja até melhor que os não façam no nosso país, com médicos como o senhor que escreveu na "Visão" sabe-se lá a que manipulações seriam sujeitos os estudos, talvez conseguissem mesmo a proeza de retirar conclusões para o nosso caso específico completamente incompatíveis com aquelas a que se chegaram noutros países.

Os manifestantes que se firmaram na ideia que 80% dos pedófilos são homossexuais teriam a obrigação de saber justificar aquela grandeza e saber com base em que estudos surgiram tais números, ao não o fazerem acabaram por se colocar numa posição passível de ataque por parte de vários interesses a quem a manifestação incomodou sobremaneira. Não teria sido mais simples levar uma frase distinta? Por exemplo: “2% da população é homossexual, 35% dos pedófilos são homossexuais!”. Esta frase não só teria o impacto desejado como poderia ser consubstanciada por estudos científicos.

Não obstante isso, a relação entre homossexualidade e pedofilia existe e foi aqui defendida com estudos desenvolvidos pela comunidade científica, a tal a que Pedro de Freitas se refere sem nunca indicar qualquer fonte ou estudo (talvez ache que, sendo médico, nós, os pobres ignorantes, beberíamos das suas palavras desesperados por conhecimento). A restante imundície intelectual debitada pelo Dr. Freitas será abordada no próximo texto, por agora fica o início, o primeiro esclarecimento.

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Notas:

[1] Blanchard R, Barbaree HE, Bogaert AF, Dicky R, Klassen P, Kuban ME, Zucker KJ. Fraternal birth order and sexual orientation in pedophiles. Archives of Sexual Behavior 2000;29:463-478
[2] Freund, K. “Pedophilia and Heterosexuality vs. Homosexuality,” Journal of Sex & Marital Therapy, 1984; 10:193-200
[3] Citado no "Boston Globe" de 8/8/1988

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