Entrevista a Pedro Guedes

Entrevista realizada pela redacção do Causa Nacional a Pedro Guedes, cabeça-de-lista do PNR pela Europa, a propósito das eleições legislativas de 2005

1. Vai concorrer por um círculo complicado, o da emigração. Não é contraditório da parte de um partido como o PNR conhecido pela sua mensagem anti-imigracionista reclamar direitos para os emigrantes portugueses?

Não, não é minimamente contraditório. Desde logo, o PNR propõe-se defender os portugueses, estejam eles onde estiverem. Por outro lado, é certo que os nossos compatriotas que habitam por essa Europa fora conhecem justamente os mesmos problemas que se nos deparam, muitas vezes com a única excepção de que os sentem com maior gravidade. Refiro-me nomeadamente aos barris de pólvora que se vão criando em especial na Europa central, fruto das tensões sociais geradas por comunidades estranhas às raízes cristãs da Europa, à sua identidade e ao seu património comum. Ora, os portugueses que residem em França, na Alemanha, na Suiça ou na Holanda estão perfeitamente integrados nas respectivas comunidades cujos valores não só respeitam como fazem por partilhar, são gente trabalhadora, não criam guetos e são – eles próprios – vítimas dos malefícios da progressiva islamização da Europa e das sociedades eufemisticamente denominadas de “multi-culturais”.

Aliás – e abusando do espaço que me concedem – aproveitaria para recordar como mero exemplo que ao longo dos anos, o MSI-DN (Movimento Sociale Italiano) de Giorgio Almirante era o partido que recolhia o apoio das comunidades italianas no exterior, apresentando resultados extraordinários.

2. As comunidades emigrantes portugueses são várias por essa União Europeia fora. Com o crescimento de comunidades imigrantes do Terceiro Mundo nesses mesmos países, acha possível acontecerem situações como na África do Sul?

O caso da África do Sul – com um clima de tensão social e criminalidade violenta assustador – tem particularidades sociais e históricas muito próprias e não creio que possa ser extrapolado para a Europa. Em todo o caso, é certo que a violência decorrente de concepções absolutamente distintas de organização social e política, do papel da mulher na família e na sociedade, etc., fazem aumentar exponencialmente a probabilidade das sociedades europeias conhecerem caminhos que ninguém de bom senso deseja: observe-se o massacre de Madrid no sangrento 11 de Março, as matanças na Holanda de Pim Fortuyn e Theo Van Gogh… O perigo está bem aqui à porta de todos nós. Assim a Europa saiba defender-se a tempo!

3. Que acções os governantes portugueses deveriam ter junto dos emigrantes?

A candidatura do PNR pelo círculo eleitoral da Europa na devida hora (e antes de outras que se propõem governar), apresentou o seu manifesto eleitoral, que assenta em sete pontos essenciais: 1. Rede consular; 2. Combate firme ao tráfico de documentos de identificação portugueses; 3. Ex-combatentes; 4. Defesa e promoção da língua e cultura portuguesas; 5. Sociedade de Informação; 6. Conselho das Comunidades Portuguesas; 7. Referendo à Constituição Europeia.

Acrescente-se que a proposta política dos nacionalistas para as comunidades portuguesas residentes na Europa pode ser consultada na íntegra em:
http://pnr-europa.blogspot.com/2005/01/manifesto-eleitoral-do-pnr-pelo-crculo.html

4. Perpetuar Portugal é perpetuar a nossa cultura e a nossa história. Não é da obrigação do Estado português a criação de escolas e institutos nas comunidades emigrantes?

A contribuição para o incremento do ensino e divulgação da língua e da cultura portuguesa no estrangeiro é um dos núcleos essenciais da nossa proposta. Temos na língua um dos nossos tesouros, cujo enorme potencial o país não está em condições de desleixar, que é justamente o que vem fazendo. Há que dinamizar o Instituto Camões, há que tomar iniciativas junto das universidades europeias, há que apoiar associações de emigrantes portugueses cujo labor se substitui aos deveres do Estado, enfim… há que inovar! Mais uma vez tomo a liberdade de chamar a vossa atenção para as nossas propostas nessa área, disponíveis em:
http://pnr-europa.blogspot.com/2005/01/defesa-e-promoo-da-lngua-e-cultura.html

Numa época em que os tecnocratas que nos governam tanto gostam de proclamar o conceito de diplomacia económica, bem se podiam lembrar deste tipo de actividade diplomática, essencial para a afirmação da portugalidade nos dias que correm e para marcarmos diferenças numa Europa que nos pretende ditatorialmente iguais no consumo, meros código de barras sem nome, sem tradições e sem identidade.

5. A sua mensagem junto dos emigrantes vai ser diferente em quê? No que vai incidir?

A mensagem essencial assentará nos pontos fundamentais que atrás referi, sendo certo que esta equipa que se apresenta a sufrágio no círculo da Europa tudo fará para ser diferente dos habituais partidos do sistema: se eles prometem mundos e fundos de X em X anos, nós garantimos apenas trabalhar para levar a bom porto as nossas ideias. De entre os eleitores, aqueles que buscarem cabazes de promessas em vez de convicções deverão bater a outra porta. Para esse leilão não contam comigo.

6. Com a dificuldade que existe em chegar às comunidades emigrantes, pretende utilizar o seu blogue como veículo de campanha?

Até ao primeiro dia de Fevereiro, posso avançar que concedi apenas uma entrevista a um jornal luso-francês. De resto, por entre debates entre alternâncias que esquecem propositadamente as alternativas, são quase nenhuns os que estão dispostos a ouvir as nossas propostas. Apesar de tudo, manifesto ainda a esperança de que os órgãos de comunicação social façam por cumprir as determinações da Comissão Nacional de Eleições, que apela no sentido de se tratarem por igual quantos se apresentam a sufrágio. Naturalmente que constatando que esta é uma luta desigual e muito pouco democrática, há que encontrar formas alternativas de contactar o eleitorado, pelo que além do meu próprio blogue, foi aberto um canal específico de comunicação com as comunidades em http://pnr-europa.blogspot.com/.

7. O seu blogue é um dos mais visitados na blogosfera, qual é a receita do sucesso?

Eu creio que não existe uma receita mágica. Já tenho dito que ao contrário do que alguns pensam, o Último Reduto me dá muito gozo e está longe de ser apenas uma ferramenta política. Nele escrevo – que é coisa que gosto muito de fazer – desde notas mais intimistas aos grandes problemas do país, passando por pequenas impressões do quotidiano e pelas coisas de que gosto: livros e viagens. Enfim, se calhar a receita para o sucesso – admitindo que ele existe – é não haver receita nenhuma…

8. Sucesso é o que lhe desejamos nesta campanha. As últimas palavras são suas, por isso faça favor e muito obrigado pela entrevista.

Eu é que vos agradeço esta oportunidade que me concedem. Sempre faço questão de deixar claro que quantos sufragarem esta candidatura do PNR sabem desde já que não descansaremos enquanto não garantirmos a existência em Portugal de um referendo à Constituição Europeia. Porque na política à portuguesa todos o apregoam mas ninguém o deseja, faço questão de que fique escrito para memória futura e para que saibam que no boletim de voto aparece um partido de Palavra de Honra.

E abusando mais uma vez da oportunidade, termino dizendo que é dever de quantos se reclamam do Nacionalismo, no próximo dia 20, colocar a cruz no PNR, força política que vem crescendo sustentadamente, sendo importante referir que face aos 8 círculos a que se havia apresentado nas legislativas de 2002, surge agora em 21 círculos eleitorais com excepção da Madeira, o que demonstra uma cada vez maior implantação no terreno e aceitação junto das populações, cansadas que estão da alternância entre o senhor contente e o senhor feliz: está na hora da alternativa. Vamos a isso!

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