Portugueses na Divisão Azul

Ttraduzido por PTNS da versão espanhola em 250º Spanische

Os Viriatos Portugueses da Divisão Azul

Cada dia que passa acreditamos que tudo isto já foi falado, tratado ou visto e que não há nada por descobrir. Tal não corresponde à realidade, em especial as questões históricas, uma vez que o tempo apaga tudo, algumas vezes com a ajuda do homem, por vezes intencionalmente por acreditar que um acontecimento não tem alguma importância, outras vezes por pura negligência.

Escreveu-se, ou tentou-se, sobre o tema da Divisão Azul em mais de 300 Livros, muitos deles publicados no estrangeiro, centenas de artigos à memória de ex-divisionários, portanto através destes depoimentos todos, em nenhum é mencionada a participação de portugueses voluntários na Divisão Azul. Pelas contribuições encontradas, eram antigos combatentes, voluntários, da Espanha nacional que participaram na cruzada de 1936-1939, eram combatentes activos anti-bolcheviques que não quiseram perder a retribuição da visita feita a Espanha pela Rússia Soviética, querendo assim acompanhar os seus camaradas espanhóis na luta contra um inimigo comum.

Em ambos os casos provinham da Legião estrangeira Espanhola, a contribuição que nos deu a conhecer estes factos, sob o ponto de vista, ainda fresco, deve-se a declarações proferidas numa entrevista, executadas no mesmo ano, 1942, a João Rodrigues Júnior, um voluntário Português. Esta entrevista foi executado pela revista Portuguesa AESFERA, a 23 de Agosto de 1942 (esta revista, apesar de Portugal ser um país de influencia anglofila, a citada publicação tinha um carácter totalmente pró Nacional-Socialista, editada periodicamente, com reportagens muito boas, sobre a Guerra mundial e com secções, muito culturais, sobre os diferentes países do Eixo, entre eles a Espanha. O seu ultimo número, dava os pesamos, ao povo alemão pela morte do Fuhrer, Adolf Hitler, e encerrou a 8 de Maio de 1945, após o comité Aliado proceder ao apreendimento de bens de pessoas e empresas ligadas ao Eixo), na entrevista citada, que se transcreve a seguir, cita a existência de outros voluntários Portugueses que caíram nas garras Russas.

REGRESSO DA FRENTE DE LENINGRADO

Um legionário Português do Terceiro Reich que esteve na Divisão Azul:

Este rapaz, moreno e frágil, de 26 anos, que temos aqui connosco, tem muito que nos dizer.

Chama-se João Rodrigues Júnior e nasceu em Mafra. É pintor da construção civil, depois de ter cumprido o serviço militar, partiu para Espanha, onde havia começado a guerra Civil, e se ofereceu, para a Legião Estrangeira, no ano de 1936. Depois de se ter alistado, partiu para Melillla, para receber instrução de Legionário e foi incorporado, combateu na terrível luta de Teruel, com temperaturas muito abaixo de zero, e também na batalha do Ebro e Catalunha. Foi ferido várias vezes e uma delas deixou-o cego durante algum tempo.

O seu contrato com a Legião foi por cinco anos e estava a terminar. Podia renova-lo ou sair, mas…

- Foi então que começou a guerra contra Rússia. E eu, devido aos anos de guerra na Espanha, sabia o que eram os bolcheviques e os seus ideais sobre a pátria, e decidi continuar a minha vida de legionário, lutando contra eles. Quando em Espanha abriram as inscrições para a campanha na Rússia, ofereci-me.

Na Divisão Azul havia mais legionários Portugueses?

- Sim, uns quinze. Julgo que fui o único que sobreviveu.

Na divisão houve muitas baixas?

- Umas sei mil, mas a verdade é que a maioria foi devido ao frio. Imagine o que é lutar com 35,5 graus abaixo de zero!

João Rodrigues, explique-nos a sua vida em Berlim. Vê-se que pertenceu à divisão Espanhola, que na cruzada contra a Rússia comunista tinha o número 250, e também teve, ferido, num hospital de campanha, Alemão.

- Quando a Divisão Azul atravessava a França, o comboio foi atacado por muitos aviões ingleses que não nos acertaram. E quando passamos na parte Francesa não ocupada, um grande grupo, incluindo algumas mulheres, insultou-nos e tentou roubar o comboio. Depois de chegarmos à Alemanha, fomos para a frente de Leninegrado, onde estivemos quase um ano sob o comando de um grande militar: o Major Ramirez de Cartagena. Combatíamos sem parar e com alguma violência. Mas o nosso pior inimigo era o frio - tanto era que algumas vezes tínhamos que lutar só com uma camisa, debaixo de temperaturas inimagináveis, os casacos que nos haviam dado pareciam pedras.

O que pensa da organização da campanha na Rússia, no que toca a cuidados com os combatentes?

- Sobre isso, como em tudo o resto, eu que estive na guerra de Espanha posso dizer que era fantástica. Os alemães organizavam tudo de forma admirável, comida, munições, transportes, assistência a feridos, etc.

E os Russos?

- Os seus ataques eram constantes e muito violentos. Mas "aquilo" é totalmente diferente do que se passa no nosso lado. Atacam sempre muitos, muitas vezes com mulheres, velhos e crianças muito pequenas, e também morreram muitos, porque não utilizavam a nossa táctica de caminhar com alguma distância uns dos outros, em grupos pequenos. Aqueles que nós vimos, não eram bons militares, pois não tinham preparação nem organização militar. Posso dizer que independentemente de muitos que passaram para o nosso lado, muitas divisões Russas foram feitas prisioneiras por grupos nossos muito mais pequenos, como aconteceu no sector do rio Volchov, onde a desproporção entre vencedores e vencidos foi impressionante.

E que ideia lhe deixaram os russos?

- Horrível. Roupas más, fome, sujos. As mulheres, na sua maioria eram miseráveis. Sem qualquer charme, sem sapatos, muitas usavam "serapilheira" atada aos pés!...

Bom exemplo dos resultados de um estado comunista!

- É verdade. O que era bom seria que fossem lá comprová-lo, os que querem saber o que é o comunismo.

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