Agentes da Polícia: vítimas do sistema

Por Artur Barros (Jovem NR, nº2 – Verão 2002)

Com o constante aumento dos níveis de criminalidade, tem vindo a aumentar também a contestação às forças policiais. Mas serão estes profissionais incompetentes ou serão, isso sim, vítimas do sistema?

É fácil acusá-los de nada fazer e dizer que a criminalidade aumenta sem que a autoridades façam algo Mas que poderão eles fazer?

A vida de polícia é muito dura e ingrata: trabalha-se mais do que as 40 horas semanais estipuladas pela lei; não se recebe horas extraordinárias; a manutenção da farda está a seu cargo; o pagamento de eventuais danos na viatura de serviço sai-lhes do bolso (então porquê perseguir os criminosos de carro, se se arriscam a ter um acidente?); prendem os criminosos e muitas vezes, antes de acabarem de preencher os papéis da detenção, já o juiz pôs essa escumalha na rua; são agredidos e muitas vezes nada acontece ao agressor (mas se são eles que dão uma chapada no criminoso correm logo o risco de sofrer uma participação); frequentemente, se um criminoso é condenado, lá vem depois o Presidente da República com uma amnistia; etc., etc. Agora digam-nos lá com que motivação podem estes homens trabalhar de forma empenhada? Sem nada de útil para fazer, são, isso sim empurrados para a “caça à multa”, que pressiona os automobilistas das grandes cidades a gastar quantias incomportáveis nos estacionamentos cujos lucros chorudos servem para os presidentes das câmaras municipais -veja-se o caso de Lisboa- andarem a oferecer casas a quem tem muito bom corpo para trabalhar para as ter (fora o resto dessas quantias, que vai para tudo menos para melhorar a qualidade de vida dos munícipes).

Voltando aos agentes da Polícia, é triste constatar que aqueles que, teoricamente, os deviam ajudar (juizes, políticos, governo) são os seus principais inimigos. Repetimos:

- Obrigam-nos a trabalhar mais de 40 horas semanais sem lhes pagar horas extraordinárias nem subsídios de risco. Já sem falar nos salários miseráveis que recebem inicialmente. Enquanto isso, os nossos deputados, que recebem centenas de contos por mês, muitas vezes não metem os pés na Assembleia da República. Para eles não falta nada, seja subsídios para viagens-fantasmas ou ajudas de custo para tudo e mais alguma coisa.

- Quantas vezes os policias são obrigados a tratar de processos nos tribunais nas suas folgas? Mas nossos deputados, para além de nada fazerem (que, segundo se pode inferir das palavras do nosso antigo Ministro das Finanças, o Dr. Sousa Franco, limitam-se a fingir que trabalham) têm ainda assim direito ao mês de Agosto para férias.

- Se, durante uma perseguição, os agentes da Autoridade danificarem o veículo de serviço, esses agentes são obrigados a pagar do seu bolso a reparação dos danos. Contudo , para os nossos governantes sempre se arranjam uns trocos para lhes comprar uns BMW’s ou uns Mercedes.

- Prendem os criminosos e, antes de acabarem de preencher a papelada do processo, já está a escumalha de novo na rua pronta a cometer mais crimes (e então se estes forem menores de 16 anos nem chegam a aquecer a cadeira, podendo ser detidos quase todos os dias para depois serem libertados rapidamente). Um dos suspeitos dos recentes assaltos e tentativa de violação na CREL, foi detido há algum tempo por novos assaltos e agressões numa bomba de gasolina. A escumalha hoje em dia sente-se intocável: nada nem ninguém os pode deter. Para esses não há “punições exemplares” nem prisões preventivas!

Há vários meses, num bairro degradado da Amadora, vários agentes da PSP foram baleados, tendo necessitado de tratamento hospitalar. Vários indivíduos foram, na altura, detidos. Mas, ainda estavam os agentes a receber tratamento médico, já os suspeitos estavam outra vez na rua! Se a situação se inverte e é o agente o autor dos disparos, é logo suspenso, fica com o ordenado congelado e arrisca-se a esperar por julgamento detido com criminosos julgamento detido com criminosos civis (veja-se o triste caso daquele agente de Évora, ocorrido há alguns anos).

Então, se a culpa da inoperância não é da policia, é de quem?

É da generalidade dos juízes:

- Que habitam em condomínios fechados ou em zonas ‘nobres’, altamente policiadas e em que a insegurança “passa ao lado”, pelo que fazem de conta que não vêem o que se passa com o grosso da população nas ruas.

- Têm protecção policial sempre que a requisitam.

- Os filhos estudam em escolas privadas, sem se misturar com a escumalha que invade o ensino público.

- Tanto eles como as respectivas famílias raramente usam transportes públicos.

Para a generalidade destes profissionais da Justiça, o drogado é normalmente um doente e nunca um indivíduo incontrolável e sem escrúpulos que agride e rouba o povo. E os gangs de jovens africanos que agridem e roubam os Portugueses não existem: são apenas grupos de “jovens incompreendidos, inseguros e injustiçados pela sociedade”. E mesmo que o fossem, que culpa teríamos nós disso, nós, os cidadãos comuns que vivemos na insegurança constante do assalto iminente sempre que apanhamos um transporte público à noite?

E, mais do que dos juizes, a culpa é sobretudo dos (des)governantes deste País, os quais:

- Durante as campanhas eleitorais prometem muito, mas na hora da verdade nada fazem.

- Quando têm o poder para fazer a diferença, lá aparece um lobby a pedir favores e todo o prometido é logo esquecido.

- Têm a capacidade para alterar as leis, podendo assim ajudar a policia a cumprir o seu dever mas, em vez disso, arranjam leis que acabam por proteger os criminosos (cedendo sempre ao “politicamente correcto”).

É devido a esta gente miserável que a nação está em ruínas. Estes sim, merecem a nossa contestação. São estes os verdadeiros responsáveis por tudo. Temos pois de obrigá-los a serem leais para com Portugal e para com os Portugueses.

Uma das melhores formas de os pressionarmos é apresentarmos SEMPRE queixa na polícia cada vez que formos roubados. É que a pouca vergonha é tanta que muita gente já só se dá ao trabalho de apresentar queixa quando tem a certeza de que pode reaver os seus bens. Mas isso faz com que esses crimes não fiquem registados para as estatísticas e depois é ver os ministros na televisão a dizer que “ao contrário do que as pessoas dizem na rua, as estatísticas provam que a criminalidade não aumentou”. E depois pegam nos fundos do Orçamento Geral do Estado que devia ser destinado à nossa segurança e aplicam-nos nos famosos buracos sem fundo…

A nossa solidariedade para com os agentes da Autoridade é, pois, total. Exceptuamos apenas os cães de guarda amestrados do sistema, ou seja, as polícias ideológicas, entre as quais se incluem o SIS, uma certa ramificação da PJ e uma certa brigada da PSP, cuja única função é manter no poder a classe política que nos devasta e coagir aqueles que pensam de maneira diferente a “estar quietinhos” (só assim se justifica que andem para aí a identificar pessoas à noite pelo simples facto de estas estarem a distribuir autocolantes, como aconteceu há dois anos com uns camaradas nacionalistas de um outro grupo).

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