Uma Reflexão sobre a Ecologia

Por Rui

Em Portugal há várias temáticas que são muitas vezes esquecidas na dialéctica Nacionalista.

Uma destas temáticas, e talvez a que mais subvalorizada é no nosso meio, é a temática da Ecologia. Não por ser um assunto que não importe aos Nacionalistas (pelo contrário, pela minha experiência pessoal), mas porque parece ser algo que não parece, à primeira vista, ter algo a ver com as questões mais visíveis da nossa luta. Mas, como vou tentar explicar, é algo que tem a ver intrinsecamente com o que defendemos.

Um dos princípios fundamentais que qualquer Nacionalista defende é a ideia de que tudo tem o seu devido lugar na ordem Natural das coisas. Daqui podemos extrapolar sobre a condição humana no contexto dos ecossistemas. O homem, enquanto parte integrante do grande ecossistema Terra, tem de assumir uma posição condizente com a sua condição de ser vivo, dependente desse mesmo ecossistema. Estamos hoje no século XXI, e o futuro do nosso planeta é, no mínimo, pouco risonho. Estamos rodeados de betão, de máquinas que poluem o ar que respiramos e completamente rodeados por um modo de vida artificial. Um modo de vida que está projectado para responder a todas as necessidades artificiais que temos hoje. Não quero ser mal interpretado, e quero fazer bem claro que não quero com isto dizer que o movimento Nacionalista deva ter atitudes anti-tecnologia (deixo isso para os utópicos de extrema-"esquerda" que combinam manifestações por telemóvel e através da internet e se deslocam até elas de automóvel), mas sim que reflictamos sobre a nossa alienação de nós próprios, por via do consumismo absurdo que cria em nós a vontade de querermos sempre mais, quando já temos tudo. O nosso modo de vida, nesta sociedade capitalista, não é natural. Não sabemos de onde a nossa comida vem, passamos a maior parte do nosso tempo sem contacto com ar puro, usamos máquinas poluentes para a mais curta das deslocações. E tudo isto graças ao processo posto em prática desde a revolução industrial, e reforçado pelo advento dos ensinamentos marxistas e de outros pensamentos “humanistas” que colocam o animal humano acima do meio onde vive.

A nossa resposta, enquanto Nacionalistas deve ser, sempre, a resposta do equilíbrio. O homem, com o seu engenho e capacidade racional de encontrar respostas aos obstáculos que encontra, tem já hoje o conhecimento para reverter o ciclo de destruição natural que encetou há vários séculos atrás. O que o impede? A resposta, por mais previsível que possa parecer, infelizmente leva-nos à mesma resposta de sempre: os interesses do capital sem-face. E porquê? Porque a ordem instalada está de facto muito bem instalada, e uma mudança de orientação poderia destruir essa mesma ordem. Porque as energias renováveis, e o desenvolvimento sustentável não são apelativos para os grandes consórcios industriais/petrolíferos. O que estes grupos advogam são teorias de crescimento infinito das economias, que eles baseiam no esquecimento das limitações de recursos do planeta em que vivemos. E advogam-nas porque enquanto as economias estiverem sempre a crescer, os seus lucros vão crescer na mesma proporção. O custo é apenas a nossa saúde, e a nossa liberdade. Porque alimentamos o crescimento com o consumo de coisas que não precisamos, e procuramos sempre a próxima satisfação quando a última satisfação se desfaz pela mão da “mão invisível” (passo a redundância) do mercado que precisa de vender para existir.

A resposta Nacionalista é o equilíbrio. E a simplicidade. O homem pode continuar a criar tecnologia, e a melhorar as suas condições de vida. E talvez o caminho para isso mesmo seja o assumir de que o homem vive, como o mundo à sua volta vive. Vive, alimenta-se, evolui. Usa o que tem, conforme pode, e não prejudicando a sua sobrevivência futura. Não vive para se alimentar, ou para se esconder da sua condição de animal, apesar da sua especificidade racional. Isso apenas interessa a quem diz defender a variedade como “o sal da vida”, mas que depois quer que deixem de existir as diferenças naturais que fazem de nós o que somos para que sejamos todos o mesmo. Ou seja, nada.

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