A Europa perante os postos avançados da subversão islâmica

Publicado em Devenir, nº 24, Primavera de 2003

Instauração da Chária e tumultos anticristãos na Nigéria, ataques de islamitas no Tajiquistão, no Curdistão e no Uzbequistão, tomada de reféns e massacres nas Filipinas, prossecução do banho de sangue na Argélia, guerrilha chechena, atentados e massacres de hindus na Caxemira, erradicação dos Cristãos das Molucas [cuja formação é da responsabilidade dos portugueses de seiscentos – N.T.], ampliação do activismo albanês, multiplicação das redes islâmicas na Europa: o ano de 2000 não passa de uma ladainha de violências ligadas ao expansionismo muçulmano, em lento mas irreversível movimento de conquista planetária, aparentemente desprovido de coerência, mas, se lermos nas entrelinhas, rigorosamente planeado por actores identificados.

Esta situação, que Robert Ervin descrevia como a terceira expansão do Islão, tem as raízes mediáticas na Revolução iraniana de 1979 (1). Na realidade, o integrismo xiita, tal como é observado essencialmente no Irão e no Líbano e, em menor medida no Paquistão e no Afeganistão, é por natureza pouco expansionista, dado que o xiismo só respeita a uma pequena minoria de muçulmanos. Os verdadeiros motores do novo expansionismo verde são a Arábia Saudita e as suas bases avançadas no Paquistão e Afeganistão. O rolo compressor integrista deixar-nos-ia indiferentes se a Europa, desde o início dos anos noventa, não estivesse no centro da estratégia de conquista dos seguidores de Alá. Tudo devido à emigração maciça e crescente de maometanos em direcção à União Europeia, mas também às guerras da Bósnia e do Kosovo. A primeira, deslocando para o âmago do continente branco as fronteiras entre a Europa e as terras da História muçulmana, tendo as segundas constituído e constituindo fantásticas bases de treino e de expansionismo para os guerreiros do Islão. Sem esquecer a inacreditável impostura da “candidatura” da Turquia aos Estados Unidos da Europa (mais comummente conhecidos como União Europeia), cujos futuros 100 milhões de habitantes quebrariam definitivamente a homogeneidade etno-cultural europeia.

A Europa Ocidental na linha de mira

Se Alexandre del Valle, na sua obra Kosovo – Bósnia – Chechénia, Guerras contra a Europa (2) evoca muito justamente uma estratégia da cintura verde contra o mundo ortodoxo, a análise vale igualmente para o conjunto da Europa rodeada, mas também “perfurada” em numerosos locais, pela força demográfica dos muçulmanos. Porque a presença muçulmana na União Europeia acarreta, por si só, pesadas incertezas na estabilidade e perenidade dos Quinze. Constitui, também, uma perigosa “estreia”: nunca, na História dos nossos povos, enfrentámos um avanço tão considerável e tão durável do Islão. A ausência total de controle visando as comunidades afro-magrebinas e o desconhecimento da sua religião e História, tornam as autoridades particularmente impotentes perante o fenómeno. Com, pelo menos, 15 milhões de membros, o Islão aumenta anualmente o seu número de fiéis em mais de 1 milhão, ao passo que a população autóctone está baixando.

Nada espanta que, com tal poder demográfico em expansão no interior da Europa, a omnipresença dos movimentos integristas e a ociosidade geral desta população, numerosos jovens muçulmanos, confusos e mergulhados na sua identidade de origem, venham a compor os batalhões de quintas colunas fundamentalistas.

«Alácubrações» das pseudo elites

Sempre chegando a tempo para uma traição, os antigos bagageiros, intelectuais ou não do comunismo, e os liberais mundializantes louvaminheiros do dogma do mercado, reúnem-se em cegueira islamófila, vendo nesta religião oriental, uns, o substituo igualitarista que lhes recorda o paraíso socialista, outros, a espiritualidade neutra que não estorva a boa marcha do capitalismo. A aceitação infalível do Islão – assimilando qualquer crítica ao racismo – é, seja dito de passagem, inversamente proporcional ao seu encarniçamento contra o Cristianismo. A sujeição mental das nossas elites ao Islão não deriva de delírio paranóico. É um costureiro reputado (Lagerfeld) quem manda queimar, por ordem de emires, um vestido supostamente decorado com um versículo do Corão. É a justiça britânica que ordena a um aposentado “de origem” que retire uma colecção de porcos de porcelana do parapeito da janela da sua casa. São as autoridades militares belgas que decidem suprimir a carne de porco das ementas servidas aos candidatos a refugiados alojados num quartel, entre os quais estava uma minoria muçulmana. São as autoridades francesas, alemãs, italianas que co-financiam a construção de mesquitas-catedrais. É o Presidente da Câmara de Estrasburgo que aceita a realização do desfile de vários milhares de integristas nas ruas da capital da Alsácia, enquadrados por um serviço de ordem próprio organizado em milícia. São os ministérios encarregados dos assuntos sociais que subvencionam centenas de associações integristas. É o Ministério do Interior francês que aceite ceder a responsabilidade pela segurança dos arredores aos imãs e aos grandes irmãos, devidamente pagos. São os Ministérios da Educação que expurgam, dos programas escolares, qualquer referência negativa ao Islão. São os media que debitam toneladas de tolices sobre a dívida cultural e científica incomensurável da Europa para com os mouros.

A Arábia Saudita, financiadora dos fundos do islamismo

Com aprovação geral e não dissimulada dos governos europeus, a Arábia saudita financia anualmente, pelos canais das fundações que controla, a construção de dezenas de mesquitas em solo europeu. Riade age assim desde há decénios, e o seu esforço na islamização vai-se intensificando. Como se pode imaginar que a Europa nem sequer pestaneje diante das iniciativas sauditas, enquanto o regime no poder na península arábica é o mais rigoroso da Terra? Com efeito, o wahabismo, do nome do seu fundador Ibn Abd al-Wahad (1703-1792) visa a aplicação integral da Chária. A aliança com o clã beduíno dos Seoud estaria na base da criação de um Estado islâmico que, após o intervalo otomano, tomará a forma que hoje reveste. Os tributos sauditas, assentes no maná petrolífero que o saber e a tecnologia “ocidentais” permitiram explorar, dispõe, há três dezenas de anos, de uma fonte inextinguível de receitas, das quais boa parte é reinvestida no apoio ao islamismo wahabita em todo o mundo: criação de universidades islâmicas, escolas corânicas, impressão e distribuição de milhões de Corão, imãs itinerantes, etc. De facto, Riade teceu uma rede de organizações privadas, financiadas por bancos islâmicos, e que operam na propagação do islamismo. A natureza do país-alvo condiciona os métodos utilizados: tanto proselitismo todo-o-terreno como guerrilha activa, da qual se pode medir a devastação na Argélia, na Chechénia e na Caxemira. Frequentemente, combinam-se as duas estratégias. Na Europa, a estratégia actual é, para além da construção de mesquitas, a irrigação financeira maciça de inúmeras associações de imigrados. As declarações anti-sauditas de alguns islamitas não devem enganar ninguém. A manobra, indubitavelmente orquestrada pelos Estados Unidos, pretende desvincular a Arábia Saudita de qualquer ligação com os movimentos islâmicos. Como veremos nos parágrafos dedicados ao Afeganistão, à Chechénia, aos Balcãs, os Ossama Bin Laden, Camil Bassaiev e seus clones balcânicos são puros produtos wahabitas.

Não se pode deixar de invocar os Estados Unidos neste risonho quadro do expansionismo pró saudita. Washington, indefectível aliado de Riade, não quer, por nada deste mundo, mudar uma vírgula ao regime local. Apenas porque os sauditas fornecem aos americanos o petróleo indispensável, mas também porque a manutenção de um país pouco industrializado permite aos Estados Unidos fazer dele um mercado monopolizado pelos produtos americanos, e mantê-lo em dependência tecnológica e militar. Dependendo do facto de o país dispor de recursos estratégicos (petróleo, gás natural, minerais, etc.), Washington ajustará a sua estratégia. Em países como o Afeganistão ou o Paquistão, desprovidos de riquezas de monta, instalam regimes fundamentalistas que garantem o subdesenvolvimento da população e a sua instabilidade potencial, e servem tanto de tampão contra os concorrentes em potência, como de instrumento de desestabilização dessas mesmas potências (Chechénia, Balcãs).

Turquia: ameaça neo-otomana?

«Cem milhões de habitantes: a Europa pode gerir isso», proclamava no ano passado Mesut Yilmaz, ministro turco, após o que pareceu uma aceitação condicional pela União da candidatura da Turquia. O processo, ainda que possa ser longo, é, desde agora, teoricamente imparável: antes de duas dezenas de anos, a Turquia (e os seus futuros cem milhões de habitantes) será membro da moderna Europa.

Para além do absurdo económico de tal entrada (importante diferença de desenvolvimento e de PNB, que se tornaria um peso morto para a Europa e que sublinha ainda mais a actual crise financeira turca), e do balanço dos Direitos do Homem (tortura generalizada, violação das liberdades decorrentes), a inclusão da Turquia na União é uma aberração histórica. Durante cinco séculos, estivemos em conflito com o poder otomano. Este pretendia conquistar a Europa e erradicar o Cristianismo, e só devemos a nossa salvação à determinação de alguns dos nossos antepassados, a despeito da traição de outros… Geralmente, foi contra o Islão como força civilizadora e ideológica que a Europa principalmente se reuniu. Catorze séculos de luta são mais determinantes do que a islamofilia dos convertidos e dos intelectuais doentes de orientalismo. A força demográfica e religiosa da Turquia de amanhã faz dela um inimigo schmittiano, natural. E mesmo que o inimigo possa ser por si respeitável, nem por isso se tem de ser cego.

O jet set corrompido e ocidentalizado das margens do Mar Negro representa uma minoria; a maioria dos turcos define-se como um conjunto etnicamente e culturalmente homogéneo, e não largaria por nada deste mundo o seu nacionalismo, mesmo nos arrabaldes de Hamburgo ou de Paris. Aguardando a realização deste funesto acontecimento, a Turquia importa-nos aqui mais particularmente pelo papel de pólo de imigração para a Europa, e de difusão do islamismo. A força dos islamitas surgiu nestes últimos anos com a potência eleitoral do Fasilet Partisi, o qual, ainda que na mira dos militares turcos, não deixa de prosseguir o seu papel de reunião e de emulação dos activistas muçulmanos. O Fasilet está próximo dos Irmãos Muçulmanos, estes mesmos em estreita simbiose com a Arábia Saudita. Nas margens do partido navegam mesmo organizações radicais implicadas na morte de dezenas de pessoas, as quais organizações fazem parte da constelação wahabita. Ademais, a diáspora turca na União – mais de três milhões de pessoas – está enquadrada pelos integristas. O governo turco, oficialmente laico, nem por isso deixa de jogar um jogo turvo, organizando o Islão dessa diáspora em bases fundamentalistas.

Bósnia e Kosovo: rumo a uma islamização definitiva

Além do reforço da presença turco-muçulmana na Europa Ocidental pela via da imigração, é preciso assinalar a estratégia da Turquia no conflito balcânico, onde Ancara conjuga expansionismo neo-otomano e arrebatada propagação do Islão.

«Ancara foi o primeiro fornecedor de armas e de apoio logístico do UCK, e concluiu, entre 1995 e 1999, uma série de acordos militares com a Bósnia, a Albânia e a Macedónia, igualmente ameaçadas de implosão pelo irredentismo islâmico albanês, instrumentalizado por Tirana e Ancara.» Estas afirmações de Alexandre del Valle levam-nos ao rasto do Islão balcânico, e em particular do da Bósnia e do Kosovo, guardas avançadas estratégicas do expansionismo muçulmano.

Observando os acontecimentos actuais – islamização, criminalidade exportada, entre a qual o tráfico de pessoas – o apoio sem falhas concedido pela União Europeia aos muçulmanos bósnios e albaneses aparece hoje, simultaneamente, como aberração e como traição ao espírito europeu. Mas, mesmo antes do início dos conflitos balcânicos, a classe política bruxelense dispunha de todos os elementos que lhe permitiam desenvolver minimamente uma análise equitativa e coerente face aos partidos em presença, quando muito ligeiramente pró sérvios. Com efeito, antes do incêndio, o reforço da presença fundamentalista era patente nas duas “regiões” jugoslavas. Sem mencionar comportamentos mafiosos que parecem derivar de um estranho atavismo. Logo à saída das masmorras titistas, o presidente bósnio Izetbegovic foi de visita aos Estados fundamentalistas. Em 1970, editava a sua famosa “Declaração Islâmica” dirigida aos do interior e aos confinantes evidentes, reeditada em 1990, e confirmada em propósitos inequívocos sobre o carácter temporário de convívio com os muçulmanos. No Kosovo, tal como na Albânia, desde 1993 que estão activos grupos fundamentalistas pró wahabitas.

A Albânia torna-se placa giratória do islamismo, aliás tanto sunita como xiita.

Assim, os iranianos dispõem, desde 1997, de redes recheadas, e vêem-se os pasdarãs iranianos que combateram na Bósnia treinar, desde então, os comandos do UCK. Desde o início, a influência fundamentalista, sobretudo na Albânia e no Kosovo, é exercida em estreita colaboração com as máfias. Durante os dois conflitos, o partido DAS de Izetbegovic, assim como o UCK no que se refere aos kosovares, não se preocupam em dissimular, por pouco que seja, o sentido da sua luta, bem como os seus verdadeiros amigos. Contudo, o apoio europeu nunca foi desmentido. Os apelos à djihad multiplicaram-se, entre eles os da autoridade suprema dos muçulmanos da ex-Jugoslávia. Em 1993, pela sua tomada de posição a favor da djihad, Izetbegovic foi oficialmente recebido em Riade com honrarias. 300 milhões de dólares de ajuda militar e 500 milhões de ajuda pseudo humanitária ser-lhe-ão concedidos pela Arábia Saudita, só entre 1993 e 1995.

Quanto ao Irão, consagrará outro tanto ao armamento dos bósnios. Dezenas de associações humanitárias muçulmanas na Europa e fora dela, principalmente integristas, confundem alegremente humanitarismo e tráfico de armas e de “voluntários”. As diásporas turcas e bósnias, como posteriormente a kosovar, angariarão de quem mais possa a protecção beneficente dos multimilionários sauditas. Os americanos e os europeus fecharão os olhos, facto muito compreensível para o chefe dos Estados Unidos, estes indo mesmo, violando o embargo onuzino, armar e treinar a soldadesca bósnia. Note-se igualmente a adesão da Bósnia à fundamentalista Conferência Islâmica, ou ainda a exclusão dos elementos não muçulmanos do exército bósnio.

No Kosovo impõe-se idêntica verificação: financiamento maciço dos sauditas e dos iranianos – paralelamente e/ou conjuntamente com o dos Estados Unidos – superabundância de associações islâmicas activas no terreno, apela à djihad, islamização das zonas controladas pelo UCK desde antes da agressão ocidental…

Os voluntários

A participação de milhares de voluntários muçulmanos estrangeiros nas guerras da Bósnia e do Kosovo, sintomática do carácter internacional do fundamentalismo, mas também primícia do aumento dos perigos na própria União Europeia, é um facto maior da década de noventa. Mais de 15.000 voluntários estrangeiros se teriam batido na Bósnia ao lado dos muçulmanos. Os voluntários estrangeiros, «comummente designados sob o vocábulo de “afegãos”, compreendiam não apenas árabes veteranos da guerra do Afeganistão, mas também paquistaneses, egípcios, turcos, sudaneses, iemenitas e mesmo trabalhadores imigrados albaneses e turcos da Alemanha, da Áustria e da Suíça.» (3) Entre os voluntários, estavam 2.000 europeus, dos quais alguns belgas convertidos, e bom número de muçulmanos idos dos arrabaldes quentes franceses. Grande número regressará aureolado aos seus bairros, e transmitirá o vírus integrista.

No Kosovo, a mesma realidade: desde antes de Março de 1999, dezenas de voluntários estrangeiros tinham morrido ali. A implicação do islamismo internacional era, portanto, uma evidência gritante para todos os que queriam ter os olhos abertos.

Hoje

Bases de expansão do terrorismo islâmico, territórios em islamização acelerada, e malhas indispensáveis nas redes de imigração: tal é a realidade em 2001 na Bósnia e no Kosovo, e o resultado directo das guerras orquestradas pelos Estados árabes e pelas potências ocidentais. As estruturas do islamismo internacional estão mais activas do que nunca na Bósnia e no Kosovo. Os campos de treino estão operacionais ainda hoje. Sem dúvida, é devido a estes campos que se pode atribuir a progressão de nova guerrilha albanesa no sul da Sérvia, e a nova guerra que ameaça a Macedónia. Na Bósnia, grande número de “voluntários” e de iranianos casaram com mulheres muçulmanas locais e prosseguem a sua metódica implantação. O fenómeno é, pela sua verdadeiras semelhança, parecido com o do Kosovo.

Enriquecidos com a sua experiência guerreira, também alguns mudjaedines regressam ao seu país de origem ou vão para outros pontos quentes (Chechénia, Ásia Central, Caxemira, Argélia…) para levar até eles a sua djihad.

Outro eixo da estratégia expansionista: a organização do tráfico de imigração muçulmana. Dezenas de milhares de iranianos e turcos transitam pela Bósnia e pela Croácia e enxameiam as grandes metrópoles europeias. Os voluntários europeus e imigrados que chegam deste modo podem, assim, constituir novas redes mais ou menos subterrâneas, e beneficiar, uma vez chegados até nós, da infra-estrutura de acolhimento da sua comunidade e da dos grandes irmãos sauditas e iranianos.

Mesmo nos Balcãs, a reislamização ou a extensão do Islão atinge o auge. Bem entendido, com financiamento dos provedores de fundos atrás mencionados, mas também da União Europeia e da ONU. Com efeito, numerosas mesquitas estão em construção ou reparação no Kosovo e na Bósnia. Paralelamente, e com a cumplicidade da OTAN, centenas de locais de culto sérvios foram destruídos.

Mais genericamente, são perceptíveis numerosos indícios de reislamização (programas escolares exaltando a História turco-muçulmana, preferência aos muçulmanos nos empregos, expulsão dos sérvios de Saraievo, arabização da língua, etc.).

«O que choca os visitantes à sua chegada a Saraievo, são as mesquitas e centros islâmicos que florescem em cada bairro, mas principalmente a presença de inúmeros islamitas de origem albanesa, árabe, turca, chechena, afegã ou paquistanesa, “naturalizados” cidadãos bósnios após a guerra, como agradecimento pelos serviços prestados.» (4)

Finalmente, última consequência, até à data, da vitória islâmica na Bósnia e Kosovo: a abertura, anunciada pelos sérvios há dois anos sob a chacota generalizada dos europeus, de novas frentes nas fronteiras do Kosovo.

Milhares de albaneses e de voluntários islâmicos batem-se agora na Macedónia e no sul da Sérvia. Por detrás deste sobressalto está uma estratégia expansionista turca, que A. del Valle expõe de maneira luminosa. Assim, em destaque:

«Na realidade, o fim inconfessado dos diferentes movimentos irredentistas eslavo-muçulmanos ou albaneses, é o de reconstituir uma espécie de confederação islâmica sob protectorado turco, sendo ainda mais importante para eles o facto de se desligarem do “poder infiel”, servo-cristão, do que a independência.
«Chama-se a este projecto pan-islâmico e neo-otomano a “diagonal” ou “transversal verde”, que gregos e eslavos igualmente chamam “corredor turco”.
«Trata-se, com efeito, de um longo continuum geopolítico muçulmano, partindo da Trácia Oriental turca e chagando à bolsa de Bihac, passando pela Trácia Ocidental grega, Bulgária e Macedónia, onde vivem importantes comunidades muçulmanas e, bem entendido, pelo Kosovo e Bósnia, duas áreas principais da “transversal verde” já “libertadas”. A prazo, a reconstituição de uma confederação islâmica neo-otomana é factível, e a continuidade da “diagonal verde” eslavo-albanesa com a Turquia irradiante passa pela junção geopolítica de uma parte da Bulgária, que possui forte minoria muçulmana (12%), muito ligada aos vizinhos macedónios da zona albanesa da Macedónia, assim como do Sandjak e da Bósnia, de um lado, à Albânia, de outro, via enclave de Goradje e Kosovo. Assim, só 100 km teriam de ser conquistados para obter a continuidade e unificar os muçulmanos da ex-Jugoslávia com os do Kosovo, da Bulgária e da Turquia. Como sinal precursor, estão em construção numerosas mesquitas ao longo da fronteira servo-búlgara, abandonada pelos sérvios, e que se arrisca a ser rapidamente povoada pelos muçulmanos pomak do Rhodope, búlgaros eslavos aturquisados ou deseslavisados, que constituem o laço humano “natural entre o mundo turco-muçulmano e o mundo eslavo.» (5)

Eixo paquistano-afegã

Certamente, o viveiro mais prolífico dos incontrolados de Alá: a zona paquistano-afegã é intermediária essencial da estratégia wahabita. As suas repercussões sentem-se não apenas nos Balcãs, mas também no Cáucaso (Chechénia, Daguestão), sendo o círculo fechado pela presença de instrutores e combatentes chechenos na Albânia, na Bósnia e no Kosovo. Factor determinante: a existência de milhares de escolas corânicas no Paquistão, que alimentaram em combatentes os talibãs e hoje ainda a guerrilha da Caxemira, e formam, igualmente, numerosos europeus “em estágio”. Redes de Ossama Bin Laden, inúmeras organizações integristas locais, mas também argelinas (GIA), egípcias (Gamaat), activistas oeste-europeus ou balcânicos, sob a égide dos veteranos do Afeganistão: o Paquistão é o pólo central do fundamentalismo wahabita, cujos tentáculos se estendem da Chechénia à Grã-bretanha, passando pelos Balcãs e pela África do Norte, Caxemira, Filipinas e China. Em toda a parte em que guerrilhas islâmicas visam erradicar o poder local julgado “infiel”, encontra-se a mão de uma formidável estrutura ideológica e terrorista totalmente incontrolável e em permanente expansão.

Conclusão

Neste trágico drama em que os europeus estão na primeira linha, os Estados Unidos são, sem dúvida, passíveis de condenação. Mesmo que a sua criatura islâmica possa escapar, como aconteceu com o financiamento da guerrilha afegã nos anos 80. Mas, na expansão da ameaça islâmica na Europa, os governos das diferentes nações europeias terão, aos olhos da História, contas a prestar.

Soltando na Europa, principalmente pela imigração descontrolada, hordas de potenciais assassinos, querendo interditar toda a contestação, apoiando nos Balcãs os islamitas contra os Cristãos, até financiando as associações de dezenas de organizações fundamentalistas, os nossos dirigentes reproduzem os erros e as demissões que foram, há muito tempo, as dos Cristãos da Turquia, do Oriente e do Magreb, divididos ou cúmplices do invasor. Para reprimir a terceira expansão islâmica, a Europa deverá desembaraçar-se de todo o escrúpulo “direitumanista”, mas também desse hediondo etnomasoquismo que lhe serve de elixir mortal.

Ferg

------------

Notas:

(1) Islam: le défi, Edition L’Anneau, 1997.
(2) Editions des Syrtes, 2000.
(3) Idem, p. 119-120
(4) Idem, p. 119
(5) Idem, p. 131.

Nota: Se a pertinência da análise desta obra de Alexandre del Valle sobre o conluio Estados Unidos-islamismo nos parece incontestável, temos de precisar que condenamos firmemente as suas posições actuais, e as colaborações mais do que duvidosas tanto com o UMP como com outras organizações pouco preocupadas com a identidade do nosso povo.

Comentários

Sem comentários

Adicionar Comentários

Este post não permite comentários