Alternativa Nacional à Decadência Democrática

Por Nunes da Silva, publicado n’O Dia, 18 e 19/09/99

Em Abril de 74 viu a luz do dia um nado-vivo baptizado Democracia. Sobreviveu de início à custa de prolongado tratamento hospitalar – ouro e posição forte da moeda, herdados do Estado Novo – que, infelizmente, lhe prolongou a vida. Com a exaustão daqueles poderosos meios de ressuscitação, salvou-se da morte útil aquele aborto incapaz de vida própria pela injecção atempada e continuada dos últimos fármacos saídos dos laboratórios de Bruxelas e Estrasburgo – os fundos da CEE/UE.

Acontece que todo o esforço aplicado na salvação do monstro de Abril não resultou como os pais e padrinhos esperavam. A necrose tecidular e a putrefacção celular da Democracia lenta mas inexorável, tem trazido todos os pais, – os verdadeiros e os adoptivos –, mais os padrinhos, e os inúmeros apadrinhados, verdadeiramente preocupados. Já não é possível dizerem que tudo vai bem, que a tal criatura vive como Alice no País das Maravilhas. É que o cheiro que exala é nauseabundo. Já recorreram a todos os renomados fabricantes de elaboradas fragrâncias e exóticos perfumes, mas o investimento não tem resultado.

O povo já anda de nariz no ar…

Eles bem disfarçam com o eclipse, mas o odor fétido alastra.

A maioria dos órgãos da ‘expulsão abortiva de Abril’ estão em degenerescência acelerada. Veja-se o que se passa com os autarcas e os recuados, os deputados e as viagens, os ministros e as JAEs, as melancias macaenses e as amizades salvadoras, os presidentes e as excursões faraónicas, os partidos e os boys, etc., etc. O Estado é a teta da vaca onde mama toda esta vaga de oportunistas e materialistas, laicos ou não. «…Se a Democracia, sociedade em que todos governam, não existe, que é que existe com o nome de Democracia? Existe a sociedade em que alguns se governam – mentindo, iludindo, sofismando, arrastando o povo atrás da sua mentira, levando-o, cego e surdo, atrás de uma ilusão! (…) Mas essas Democracias que por aí passeiam a sua vida, que são afinal? São burlas escandalosas e é à sua qualidade de burlas que devem o poder viver.
São sociedades de negócios, materialistas e jogadoras da vermelhinha – em que, repito, alguns se governam…» (1)

A própria Igreja, não constituindo evidentemente nenhum órgão do corpo da dita Democracia, está contaminada por ela. As relações de proximidade facilitam as infecções cruzadas se, para além dos cuidados de assepsia, o sistema imunitário – fortes convicções éticas, morais e religiosas – não for suficientemente resistente. Veja-se o que se passa com o padre ‘Malícias’, confessor de primeiros-ministros e candidatos a tal, comissário de tudo quanto é assunto de negros ou outros aborígenes igualmente escuros; igualmente de referir neste jet-set democrático-maçónico é o também mediático frei Domingues. Com o renegado Mário da Lixa (ou do lixo?) formam os três vértices do triângulo representativo da dita cuja… Lá dentro, está o olho que tudo vê…

O povo está apático e abúlico, sintomas de que a anestesia actuou.

É preciso que as elites se façam ouvir, que saiam das catacumbas onde se encontram recolhidas há 25 anos. É tempo de terminar a retirada estratégica e tomar a ofensiva. O inimigo está em auto-decomposição.

Agora que as florestas, antes verdes e viçosas, estão secas, carcomidas e irremediavelmente perdidas, é necessário apenas acender o fósforo que ateará a fogueira purificadora e renovadora, que permitirá eliminar de uma vez por todas os germes da destruição, fazendo brotar em seu lugar uma nova flora, verde como antes.

Há alturas em que as queimadas são a melhor e a única solução.

É forçoso que nasça um movimento regenerador que mobilize a «maioria contrariada», todos os potenciais não-democratas que estão localizados na elevada percentagem de abstencionistas.

A abstenção é uma atitude patriótica de quem não legitima palhaçadas com romarias orquestradas às urnas, esses locais lúgubres onde são despejados os papéis sujos de símbolos anti-nacionais representando organizações e pessoas responsáveis por sofrimentos sem conta e mortos sem fim. Como não há funeral sem urna, quem lá vai participa com certeza no enterro de alguém… Admito perfeitamente que a maioria dos que lá vão não suspeitam sequer que a festa «cívica» domingueira em que julgam participar se trata do enterro da Pátria. «As massas não raciocinam: crêem. E quanto mais compactas e mais numerosas são, mais obtusa, irreflectida e infantil é a sua crença.

Não há almas colectivas, não há razões colectivas, não há inteligências colectivas. As massas têm instintos, não têm Razão; têm reflexos, não têm discernimento. Porque as seduz a democracia? Porque as encanta o comunismo? Precisamente, porque são bárbaros e absurdos». (1)

Cada acto eleitoral democrático representa uma pazada no cavar da sepultura da Nação; de uma nação que ainda há 25 anos caminhava pujante de vitalidade, orgulhosa do passado e confiante no futuro (embora com Marcelo Caetano se começassem a avistar nuvens escuras no horizonte). Agora, amputada dos seus membros, resta-lhe a cabeça e um tronco doentes. A cabeça sã, a massa encefálica saudável, somos nós, a elite nacional. A cabeça que nos "tem dirigido" nestas duas décadas e meia e que levou à insensibilidade, parestesia e gangrena progressiva das extremidades, foi fortemente afectada por um volumosa massa democrática de aspecto histológico inconfundível: um tumor maligno, que cresceu desmesuradamente dentro da caixa craniana e que é preciso remover quanto antes (primeira medida terapêutica).

Como segunda medida, é fundamental evitar que o que resta do corpo amputado se esvaia em sangue. E continuamos a ser nós que temos de fazer os torniquetes, aplicar os hemostáticos e assegurar a cicatrização.

* * *

O movimento regenerador que poderá conquistar o poder através do acto fúnebre-eleitoral, ou não, terá de apresentar um programa inicial unificador de forma a evitar a divisão precoce no nosso eleitorado-alvo. Como aconselham as regras básicas da propaganda política, esta deve assentar na apresentação clara e repetida de uma dúzia de princípios fundamentais do nosso projecto político, em ruptura total com o sistema e facilmente apreensíveis pelo povo.

A diferença deverá começar logo pelo estilo, pelo exemplo que terá de vir de cima. Exigir-se-á como conduta para todos os quadros um espírito de Cruzada, no que esta definição representa de escola de virtudes: disciplina, espírito de sacrifício, desprezo pelo risco, abnegação e renúncia ao comodismo e materialismo burgueses.

Propostas mínimas:

a) Estado Nacionalista com predominante pendor social. Portugal é uma realidade histórica – uma nação, uma língua, uma raça e um território – com uma unidade de destino. Um Estado de todos e para todos sem submissões a partidos ou grupos de pressão. Responsável perante o indivíduo pela autoridade, pela hierarquia e pela ordem;

b) Criação de um Banco do Povo como factor importante de uma política económica anti-especulativa (abolição da servidão do interesse), de apoio e promoção da habitação própria e da criação de empresas modelares fruto da iniciativa individual;

c) Recusa de uma interpretação materialista da história; a vida não se resume a um mero jogo de factores económicos. O trabalho desempenha uma função social de realização pessoal e de criação de riqueza. Impedir a sujeição do trabalho à tirania desenfreada do lucro. A riqueza de uma nação não é fruto do capital (financeiro e/ou especulador) mas sim do trabalho produtivo do homem individualmente realizado e socialmente integrado na família, harmoniosa célula da sociedade; o trabalho é o melhor título de dignidade civil. Nada pode merecer mais atenção do Estado que a dignidade e o bem-estar dos trabalhadores; fomento da elevação cultural e espiritual das massas;

d) Capacidade de emissão de moeda pelo Banco de Portugal quando for do interesse nacional, sem servidões a interesses económicos ou políticos exógenos. Renegociação do acordo global com a União Europeia. Economia orientada;

e) Revisão da nossa posição (filiação) na NATO em função das profundas alterações geopolíticas mundiais: o desaparecimento da URSS e do Pacto de Varsóvia deixaria a NATO sem razão de existir não fosse a sua reconversão em ponta de lança do mundial-imperialismo norte-americano (judaico na essência) como constatámos na gratuita agressão à Jugoslávia – a "Saga USAka" dos "Libertadores USAs" (2) – e na revisão dos fundamentos do Tratado da organização que outrora fora defensiva, aquando das comemorações do seu cinquentenário. O mundo unipolar tornou-se assim incomparavelmente mais perigoso para a soberania dos povos que a anterior bipolarização mundial;

f) Luta contra o desemprego (consequência da lógica de mercado): incentivar e apoiar o apego à terra e a uma agricultura moderna. Inverter a lógica concentracionista e desenraizadora do capitalismo liberal, promovendo o retorno da cidade para o campo; preferência no emprego, em igualdade de circunstâncias, ao cidadão nacional;

g) Repatriação imediata dos imigrantes ilegais, pondo fim ao interminável prazo de legalização; combate à imigração ilegal, fonte de enriquecimento ilícito de empregadores sem escrúpulos e como forma de evitar a escravatura e a exploração de gente desinserida do seu meio natural, situação esta geradora de marginalidade e conflito social. Incentivar o regresso aos países de origem de todos os não-europeus através de acordos de cooperação e desenvolvimento com aqueles países.

h) Restabelecimento da cidadania de sangue; preservação da identidade cultural e da homogeneidade racial;

i) Restabelecimento da pena de morte para traficantes de droga e crimes de especial violência como assassínios em série, infanticídios, violações de crianças, etc.

j) Proibição de seitas e sociedades secretas; como tal, a maçonaria seria interditada, como seria completamente impensável a realização em Portugal de qualquer reunião ou encontro de internacionais mundialistas como o grupo de Bilderberg (como o realizado este ano na Penha Longa, em Sintra) ou a Trilateral;

k) Fim da corrupção generalizada; maior energia na investigação e castigo;

l) Rejeição da dicotomia esquerda/direita ou comunismo/liberalismo. Esta é uma falsa questão. Há uma terceira via, ou terceira posição, que é a nossa.

m) Recusa do pensamento único, do politicamente correcto e da Nova Ordem Mundial com que o judaísmo/sionismo mundial pretende conquistar e amordaçar o mundo. «Ao falarmos de "pensamento único", se tal pensamento não é de direita nem de esquerda, é um estado de ânimo que impossibilita sair do discurso da ideologia dominante» (3)

n) Defesa da família e do matrimónio tradicional. Promoção da natalidade.

Antes de terminar, não queria deixar de reafirmar que estes pressupostos não constituem nenhuma base programática, mas apenas e só alguns princípios que considero intocáveis, como ponto de partida para qualquer movimento ou partido que pretenda, com êxito, partir a espinha à ditadura democrática.

O "consenso" e a "tolerância" guterristas não fazem parte do nosso léxico. A intolerância, quando defendemos a Verdade, a Razão, a Justiça e a Pátria, será determinada e violenta se necessária.

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Notas:

1. Alfredo Pimenta, "Contra a Democracia", ed. Amigos do Agora, Lisboa 1949
2. Carlos Ydígoras Rodriguez
3. Ernesto Mila

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