Doutrinação Política

Por Luís Fernandes (In «Agora», n.º 325, pág. 10, 07.10.1967)

O Homem é, por essência, político — só pode ser considerado efectivamente como ser humano pela sua integração na sociedade. Mas viver em sociedade implica também uma vontade colectiva e um esforço pessoal de cada membro do agregado social.

O Estado é a forma mais perfeita de comunidade organizada a cuja institucionalização chegaram os homens. O Estado, único detentor da soberania, é um instrumento totalitário ao serviço dos fins da Nação e como tal deve subordinar os interesses particulares e individuais ao interesse nacional, respeitando os imperativos históricos da Pátria.

A preparação das novas gerações para continuar a tarefa colectiva que a Nação exige, é uma das finalidades mais importantes de um Estado ético, possuidor de uma determinada orientação política concretizada numa ideologia.

Os jovens são cidadãos que ainda não participam plenamente na vida política e administrativa da Nação nem na feitura das suas leis. O dever imprescindível de um Estado ético será de ministrar uma educação que coloque os jovens em condições de assumir a direcção da vida nacional quando chegar a hora de render a guarda.

Até que ponto se pode afirmar que os jovens portugueses foram educados politicamente e preparados para assegurar a continuidade da Revolução Nacional? Existe realmente uma consciência política da juventude orientada no sentido de preservar as conquistas do Estado Novo e alcançar a plena realização de todos os objectivos revolucionários do Movimento?

É preciso criar nas novas gerações, desde a infância, a consciência clara da necessidade e do dever de contribuir para a realização ascendente e total da obra revolucionária iniciada pelo Estado Novo, cuja continuidade depende essencialmente do entusiasmo, da fé, do esforço da juventude.

Inculcar no espírito dos futuros dirigentes do país uma vocação política e social, fomentando o seu interesse pelos grandes problemas da Lusitanidade e o seu orgulho nacionalista, será, sem dúvida, o meio de alcançar o Império, limpo da corrupção e dos interesses alheios, que sonhamos ardentemente.

Pensar que a juventude deve ser educada de modo a adquirir uma maior sensibilidade artística ou uma melhor preparação para o exercício das suas faculdades físicas e intelectuais, mas deve permanecer céptica relativamente às necessidades de desenvolvimento e aperfeiçoamento da ordem política vigente, a que está subordinada e que condiciona naturalmente todas as actividades sociais, é uma criminosa inconsequência. É obrigação do Estado interessar a juventude pelas realidades institucionais, sociais, económicas e culturais que constituem o essencial da política portuguesa. E interessá-la através de uma informação objectiva, mas baseada nos princípios imutáveis do Movimento, que permita propostas generosas e revolucionárias para realizar as necessárias correcções da ordem política, levando até às suas últimas consequências a Revolução Nacional.

Mas também é indispensável assinalar o rumo à juventude em exemplos humanos de comportamento moral e cívico que possam dar confiança e esperança aos jovens, na certeza de que os esforços e os sacrifícios que terão de enfrentar valem a pena.

A coerência política e a fidelidade aos princípios consagrados constituem o melhor exemplo que se possa dar à juventude — o exemplo da autenticidade.

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