Codreanu, «Capitanul» da Roménia

Por Jaime Leal

Há já mais de trinta anos, na cidade de Jassi, um grupo de jovens romenos, perante o espectáculo de desagregação que lhe oferecia a vida do País, juram perante a imagem do Arcanjo S. Miguel, saírem pelos caminhos dessa velha Roménia para apregoar a doutrina da ressurreição da Pátria.


Do esforço desinteressado desses jovens nascia o movimento monástico e militar da Legião do Arcanjo S. Miguel, que sem meios, sem apoios ocultos, só, absolutamente só, mas com fé viva dos seus militantes, se lança sob o comando iluminado de Codreanu, contra as forças corruptas que envenenavam e faziam perigar a própria vida da Raça e da Nação.

O panorama da Roménia era bem triste.

Carol II, figura de rei de opereta, misto de tirano e poltrão, sob a perniciosa influência da sua amante, a judia Lupescu, e dominado por uma desmesurada paixão de poder, instaura uma ditadura pessoal e procura aniquilar pela força esse Movimenta que, pela justeza das suas reivindicações, pela nobreza dos seus princípios, ganhava dia a dia, o apoio das massas estudantis e trabalhadoras.

No décimo aniversário da fundação da Guarda de Ferro, nome por que foi mais tarde conhecido o Movimento, os seus membros ascendiam já a dois milhões, caso bem demonstrativo da sua vitalidade e unidade. Apesar das brutais medidas repressivas que a polícia de Carol empregava para impedir o que era a vontade popular, a Guarda de Ferro obtinha um segundo lugar nas eleições de 1937.

Carol, sugestionado por uma clique que trabalhava na sombra, protegida par elementos romenos altamente colocados, facilmente corrompidos pelo ouro apátrida, anula as eleições e os chefes legionários são aprisionados. Codreanu e os seus mais directos colaboradores conhecem a tortura e os vexames na prisão de Jilava, perto de Bucareste, mas a Guarda de Ferro não desanima, continuando a sua actividade por uma Roménia livre e consciente das suas tradições de civilização latina e cristã.

Numa atitude ignóbil, Calinescu, então «premier», por ordem expressa de Carol faz assassinar na estrada de Bucareste-Ploesti, a uns trinta quilómetros da capital, numa noite fria de Novembro, junto a esses seus Camaradas da vida e da morte, Codreanu, que nos seus «discours pleins d'une poésie rude et bariolée, faisait appel au sacrifíce, à l'honneur, à la discipline, et reclamait cet état d'illumination collective, (…) qu'il appellait d'oecumenicité nationale.»

Depositário da vontade colectiva dos elementos sãos da sua Pátria, ele soube deixar no seu livro «Para os Legionários», um bem definido repositório de princípios, que mantêm toda a sua pujança e actualidade. Suas são as palavras: «Os legionários não morrem. Firmes, imóveis, invictos e imortais, contemplam vitoriosos sempre, as convulsões do ódio impotente.»

«Penso em vós, os que haveis de morrer recebendo com a serenidade dos nossos antepassados trácios o baptismo da morte. E em vós, os que carninhareis para lá da morte e das tumbas, levando nas mãos os triunfantes estandartes romenos.»

Estes princípios animam ainda hoje os que combatem nos montes e florestas da Roménia, com as armas na mão, ou os que espalhados pelo Globo servem pelo pensamento, o ideal de uma Roménia Legionária.

De todos os chefes nacionais que foram imolados no altar da Democracia, à senha do Bezerro de Ouro, Codreanu é talvez o menos conhecido.

A situação geográfica da Roménia, a perseguição e liquidação dos elementos legionários, a cortina de esquecimento que tombou sobre os países da Europa Oriental, tudo contribuiu para o olvidar de um dos espíritos mais lúcidos da nossa Causa, a Causa dos Nacionalismos Europeus de que a Guarda de Ferro foi o expoente máximo nessa terra sagrada onde os trácios souberam resistir outrora às invasões eslavas, defendendo pela espada a lei e a civilização de Roma.

Partindo do «Homem» como pedra angular do seu sistema, o «Capitanul» pretende criar uma «elite» dirigente, de que o Movimento será a escola. «Na criação desta «elite», não entrarão em linha de conta nem as riquezas, nem os privilégios, pois basear-se-á sobre as qualidades espirituais e sobre a virtude», pois à ideia de «elite», «está ligada a ideia de sacrifício, de pobreza, de vida áspera e severa, pois onde cessa o próprio sacrifício cessa a «elite» legionária».

Era essa estirpe, essa milícia nova, que tentou, por todos os meios, salvar a Roménia de todos os males de ordem política, social e económica que dominavam o país, e substituir a corrupção e despotismo de uma classe dirigente, na sua maioria judaica, física e moralmente degenerada, por uma Ordem Nova, de homens novos, com as qualidades de herói, que Codreanu via como «tudo o que a nossa mente pode imaginar de mais belo como espírito, tudo o que a nossa raça pode criar de mais belo, mais elevado, mais justo, mais fornte, mais sábio, mais puro, mais laborioso e mais heróico.»

Eram estas virtudes e sentimentos, que se são valores éticos intrínsecos o são também políticos, e servem à criação de um estilo de vida, que no seu conjunto de normas activas e integrais, trariam à Comunidade a certeza de melhores dias. A originalidade da doutrina legionária reside, pois, num fundamento essencialmente espiritual e os seus objectivos, contrariamente ao que aconteceu com os outros movimentos europeus, que procuravam especialmente os aspectos políticos e sociais, visavam à criação de quadros humanos, sem os quais, qualquer fórmula técnico-estadual é inoperante.

«Não esqueçais», dizia ele, «que as espadas que levais à cintura são da raça, levai-as em seu nome, e por conseguinte, com elas deveis castigar, desapiedados e implacáveis. Assim, e só assim, preparais um futuro são a esta Nação.»

As forças do mal coligadas venceram Codreanu e os seus partidários, mas a Guarda de Ferro foi a escola e a milícia de uma imensa multidão de homens, que pela sua virtude e energia, poderiam ter dado uma nova face a esse país, nossa irmã latina do Oriente.

Comentários

Sem comentários

Adicionar Comentários

Este post não permite comentários