Solução Nacional-Sindicalista

Por Zarco Moniz Ferreira

O Sindicalismo revolucionário, qual doutrina político-social, surgiu das meditações de Georges Sorel, como crítica e revisão do socialismo marxista, no campo das ideias, como um meio, como um instrumento de luta de classes nas mãos de um dos contendores, no campo da acção.

Porém, perfila-se, cada vez mais, a pretensão do mesmo (o sindicalismo) constituir, por si próprio, uma nova estrutura social que invalide e, incluso, derrube as instituições das democracias ocidentais — quase todas capitalistas ou filo-capitalistas — e evite o cair, das mesmas nas mãos do marxismo — mais teórico que prático — o qual constitui o sistema do mundo comunista.

Como é do conhecimento geral, é opinião da política soviética — de Lenine a Estaline e deste a Kruschev — que a sociedade burguesa caminha inexoravelmente, soprada pelos «ventos da história», para uma forma marxista ou marxistizada, pois as massas trabalhadoras, — incompatibilizadas com o mundo capitalista, no seu horror ao vazio que o derrubamento deste ocasionaria, e sempre advogadas da lei do menor esforço —, aceitariam, com um alívio quase absoluto e na base de uma identificação subjectiva total, a doutrina que há mais de meio século os «profetas», mais ou menos barbudos, mais ou menos judeus, apregoam como sendo a do proletariado e da qual a URSS é a realidade mais tipicamente exemplar.

Assim, perante a carência da sociedade burguesa — cuja expressão política é a democracia liberal e a económica o sistema capitalista da produção e consequentemente da injusta distribuição da riqueza — em apresentar uma ideologia capaz de contrapor-se às predições marxistas, nós devemos procurar uma nova forma que sendo crença total substitua, e urgentemente, as fraquezas e debilidades da democracia burguesa e capitalista.

Sabemos já, que alguns dos nossos opositores apresentarão o caso dos regimes sociais-democráticos nórdicos como exemplo de uma possível, simpática e moderna solução. Independentes, portanto, de tudo o que seja extremismo marxista. Para eles, também, temos uma resposta. As realizações — principalmente as de previdência social — dos partidos socialistas ocidentais, quer ou não no poder, não são realizações marxistas, mas feitas por marxistas, tanto mais que esta doutrina política (o marxismo) pressupõe, para a sua verdadeira aplicação, a conquista do poder, mas incondicionalmente, isto é, nunca travado pelo sistema eleitoral ou por outros partidos políticos existentes. Assim, no fundo e não obstante uns pequenos sucessos, as causas originantes do comunismo mantêm-se, ou seja, as taras da democracia burguesa, e as soluções, na falta de quem se lhes anteponha com ideologia contrária, só poderão ser as preconizadas pelos teóricos marxistas.

Ora é partindo destas premissas que o Sindicato, que não é só um órgão tendo por fim a defesa dos salários e das condições de vida dos trabalhadores (sindicato classista), mas deve ser entendido também como união de todos os que produzem — capital, técnica e trabalho — (Sindicato vertical), se vai perfilando, cada vez mais, na nossa doutrina, como único modo de, após propagação e explicação entre as massas desconformes, lhes indicar uma nova rota radicalmente liberta da ingerência monopolizadora e tentacular do capitalismo e da solução planificadora e totalitária do socialismo marxista, tornando-se o organismo garante duma justiça distributiva da produção e uma das células orgânicas da Nação, sobre a qual toda a Sociedade deve ser reorganizada no campo económico, social e até político.

Nota-se do exposto, que nós partimos, assim como os nossos inimigos comunistas, da crítica à sociedade burguesa, mas a nossa posição já difere quando pretendendo defender a civilização ocidental e cristã das investidas judaico-moscovitas, queremos canalizar o estado latente do revolucionarismo das massas para uma solução possível e única — porque cristã, natural e humana.

Os nossos postulados ideais, históricos e políticos são claros.

O Nacional-Sindicalismo é, hoje, uma necessidade vital e improrrogável. Ele representa a síntese dinâmica do nosso tempo, do nosso século: a síntese do Social e do Nacional.

O homem como fonte e portador de valores eternos; as massas trabalhadoras, como energia renovadora; a Nação, como a afirmação da vida espiritual e material.

Através do Nacional-Sindicalismo, o mundo do trabalho libertar-se-á das supra-estruturas burguesas e encontrará, de novo a Pátria, que não é já e só a consciência de pertencer a uma mesma terra, a um mesmo destino histórico, mas a criação humana no esforço de exprimir uma nova ordem moral, social e política.

O Nacional-Sindicalismo que pretende ser, pois, o equilíbrio entre as exigências da vida individual e as da vida social, no desejo de proporcionar à Grei as instâncias de liberdade e de justiça autênticas, próprias à humana dignidade cristã, parte de uma realidade autêntica — o homem e o seu meio — rejeitando todas as doutrinas ou movimentos políticos e sociais, incluso o marxismo, originários na pura razão, pois esta não cria a verdade, limita-se sim e quanto muito, a intui-la com maior ou menor exactidão. Portanto, nós, nascendo da acção, damos a esta a sua justificação pela observância real dos factos políticos, económicos e sociais que se apresentam no tablado do Portugal hodierno, sem considerandos utópicos ou fantásticos baseados em não menos utópicas e fantásticas ideologias.

Resumindo, nós consideramos a Pátria como a comunidade histórica e social mais autêntica e desejamos dar a esta, quanto antes, sem recorrer a internacionalismos, um conteúdo concreto, uma estrutura adaptada aos tempos actuais, pois a unidade nacional não tem valor se não representa o ímpeto dinâmico das forças do trabalho — intelectual e manual — na direcção da «res publica».

Em Portugal, não obstante o apregoar-se, constantemente, a unidade das classes, a cooperação dentro das empresas, a solução pacífica de todos os conflitos, não se pode negar o facto realíssimo de uma crise no mundo do trabalho, graças à ganância capitalista, o que origina, porque o terreno é fértil, termos de enfrentar uma conjuntura subversiva, não forçosamente comunista, mas devidamente explorada e orientada pelo imperialismo moscovita.

Ora se queremos, de facto, evitar que da insatisfação das massas surja a sua desconexão com os interesses e missão de Portugal-Império, há que, em marchas forçadas, ganhar o terreno perdido pelos que nos precederam (que não nas ideias, mas no tempo), encontrando a solução para as contradições do económico, político e social vigente.

A hora portuguesa é, pois, para nós, magnífica e única para iniciar uma propaganda urgente e rápida da possibilidade e verdade de uma solução que harmoniza o que de espiritual e eterno tem a Pátria com a resolução das necessidades inadiáveis que postula a vida da Grei. Isto é, de uma solução nacional-sindicalista.

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