O massacre de Katyn

Por Carlos I.S. Azambuja © 2003 MidiaSemMascara.org

[Este artigo foi escrito com dados extraídos do livro “A Grande Parada” de Jean-François Revel, editado em 2001 pela Biblioteca do Exército].

Foi em Setembro de 1939, há 64 anos!

Para as novas gerações, o acidente geográfico "Katyn" não diz nada, pela simples razão de que os seus professores, jornais e outras media tomaram todas as precauções necessárias para evitar que essa palavra lhes dissesse alguma coisa.

Em Setembro de 1939 a Polónia foi derrotada, depois de ter sido invadida simultaneamente pelos nazis, a Oeste, e pelos aliados destes, os comunistas, a Leste. Como recompensa a seus amigos soviéticos pela preciosa ajuda, Hitler outorgou-lhes então uma zona de ocupação de duzentos mil quilómetros quadrados. A partir da derrota da Polónia, os soviéticos massacraram nessa zona, sob as ordens escritas de Estaline, vários milhares de oficiais polacos prisioneiros de guerra – mais de 4 mil em Katyn (perto de Smolensk), local onde foi descoberto posteriormente um dos mais famosos ossários, além de outros 21 mil em vários locais. Deve-se adicionar a essas vítimas cerca de 15 mil prisioneiros soldados comuns, provavelmente mortos por afogamento no Mar Branco. Perpetrados em poucos dias segundo um plano preestabelecido, esses assassinatos em massa de polacos vencidos, exterminados pelo simples fato de serem polacos, constituem indiscutíveis crimes contra a humanidade, e não apenas crimes de guerra, já que a guerra, para a Polónia, havia terminado.

Segundo a Convenção de Genebra, a execução de prisioneiros de um exército regular, que combateram uniformizados, constitui crime contra a humanidade, sobretudo depois do conflito terminar. A ordem de Moscovo era para suprimir todas as elites polacas: estudantes, juízes, proprietários de terras, funcionários públicos, engenheiros, professores, advogados e, certamente, oficiais.

Quando estes ossários polacos foram descobertos, o Kremlin imputou os crimes aos nazis. A esquerda ocidental naturalmente apressou-se a obedecer aos ditames do mestre. Não se pode dizer que ‘toda’ a esquerda não-comunista tenha sido servil. Mas grande parte dos que tinham dúvidas permaneceram muito discretos, numa atitude que era mais de lamento perplexo do que de agressividade categórica.

Durante 45 anos, afirmar em voz alta que era possível que os soviéticos fossem culpados – pela simples razão de que os crimes haviam sido cometidos na zona de ocupação soviética e não alemã – classificaria o autor da afirmação imediatamente entre os obsessivos “viscerais” do anticomunismo “primário”. Eis que em 1990, graças a Gorbachev e à sua ‘glasnost’, o Kremlin reconhece sem rodeios atenuantes, num comunicado da Agência Tass, que “Katyn foi um grave crime do período estalinista”. Em 1992, em consequência de um princípio de inventário nos arquivos de Moscovo, divulgou-se um relatório secreto datado de 1959, de Chelepin, então chefe da KGB. Ele dá conta de “21.857 polacos de elite, fuzilados em 1939 sob as ordens de Estaline”.

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