«Uma Ideia de Portugal»

Por Bruno Santos

Pediram-me que escrevesse meia dúzia de linhas subordinadas ao tema: «Uma Ideia de Portugal». Lamento desiludir os solicitantes, mas não tenho qualquer ideia sobre Portugal. A nossa Pátria precisa de ser respeitada, amada, engrandecida, mas dispensa bem pensadores que se ponham a meningitar sobre uma ideia de Portugal.

Os intelectuais assalariados do sistema é que costumam ter uma ideia sobre tudo e mais alguma coisa, para depois se verificar que não fazem ideia de nada.

As ideias não passam as mais das vezes de disparatadas abstracções, que colidem mesmo com o «interesse nacional». Os senhores do regime andam carregadinhos de ideias sobre Portugal. Afigura-se-me certo que não fazem outra coisa na vida senão «pensar Portugal»: um país multirracial e multicultural. Foi nisto que deu o «pensar Portugal» deles. Ora eu acredito que Portugal não é para pensar, e muito menos um objecto que nos suscite ideias.

Das coisas que amo, como a Pátria, em vez de ter uma ideia – eu tenho uma imagem real e bem visível, uma imagem concreta e fotográfica. Ter ideias – a
maior parte das vezes, fracas ideias – é do domínio do abstracto ou do especulativo. Em matéria tão séria e sagrada, prefiro ter uma imagem física, real, concreta e definida.

Pátria amada que tanta vez execro, que tanta vez maldigo (há lá outra forma de amor?) mas que trago no peito de português e da qual tenho uma imagem real: uma pátria histórica, europeia, com uma língua, uma raça e um território definidos e concretos. O mais são ideias. Pobres ideias.

Comentários

Sem comentários

Adicionar Comentários

Este post não permite comentários