Pelo direito à diferença, contra o racismo

Por Alain de Benoist & Charles Champetier (Manifesto para um Renascimento Europeu)

Não se pode definir o racismo como a preferência pela endogamia, que é algo que procede da livre escolha dos indivíduos e povos (o povo judeu, por exemplo, deve a sua sobrevivência à recusa do casamento misto).

Face à inflação de discursos simplificadores, propagandísticos e moralizantes, é preciso voltar ao verdadeiro sentido das palavras: o racismo é uma teoria que postula que entre as raças existem diferenças qualitativas de tal ordem que seria possível distinguir-se raças globalmente “superiores” e raças globalmente “inferiores”, ou que o valor de um indivíduo se deduz inteiramente da sua pertença a uma raça, ou que o facto racial constitui o factor central de explicação da história humana. Estes três postulados podem ser defendidos em conjunto ou separadamente. Os três são falsos. Se é verdade que as raças existem e divergem em relação a critérios estatísticos isolados, não há entre elas diferenças qualitativas absolutas. Por outro lado, não existe nenhum paradigma que determine a espécie humana e permita hierarquizar globalmente as várias raças. Finalmente, é evidente que o valor de um indivíduo reside, antes de tudo, nas suas próprias qualidades.

O racismo não é uma doença do espírito, engendrada pelo preconceito ou pela superstição “pré-moderna”, como nos diz a fábula liberal que remete para a irracionalidade a fonte de todo o mal social: o racismo é uma doutrina errónea, historicamente fechada, cuja origem se deve procurar no positivismo científico, que pretendia medir “cientificamente” o valor absoluto das sociedades humanas, e no evolucionismo social, que tende a descrever a história da humanidade como uma história unitária dividida em diversos “estados”, cada um dos quais correspondendo a diferentes etapas do “progresso” (e em que determinados povos seriam, provisória ou definitivamente, mais “avançados” que outros).

Face ao racismo, há um anti-racismo universalista e um anti-racismo diferencialista. O primeiro conduz indirectamente aos mesmos resultados que o próprio racismo que denuncia: ao ser tão alérgico como este último às diferenças, o anti-racismo universalista não reconhece aos povos mais do que a sua comum pertença à espécie, e tende a considerar as suas identidades específicas como transitórias ou secundárias. Ao reduzir o Outro ao Igual, numa perspectiva estritamente assimilacionista, torna-se incapaz, por definição, de reconhecer e respeitar a alteridade em si mesma. Pelo contrário, o anti-racismo diferencialista, no qual o GRECE se revê, considera que a humanidade é valiosa pela sua irredutível pluralidade. Assim, esforça-se por outorgar um sentido positivo ao universal, não contra a diferença, mas sim a partir dela.

Para a nossa corrente de pensamento, a luta contra o racismo não passa pela negação das raças nem pela vontade de as fundir num conjunto indiferenciado, mas sim pela recusa simultânea da exclusão e da assimilação. Nem apartheid, nem melting-pot: aceitação do outro enquanto outro, numa perspectiva dialogante de mútuo enriquecimento.

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