Para a proto-história do nacional-sindicalismo

Por "Camisa Negra" (Fonte: Fascismo em Rede)

A 18 de Abril de 1931, o semanário de Ramiro Ledesma Ramos, "La Conquista del Estado", no seu n.º 6, publicou um artigo intitulado "Las nuevas voces europeas" em que dava conta das suas impressões sobre as novas forças que se perfilavam no horizonte político europeu.

Não falta aí um eco do relacionamento que existia entre o nascente nacional-sindicalismo espanhol e o núcleo do que viria a ser o nacional-sindicalismo português.

Escrevia-se a dado passo:

"En Lisboa ha comenzado a publicarse el semanario Acción Nacional, dirigido y editado por Antonio Pedro y Dutra Faria. Con Portugal nos une, entre tantas cadenas de hermandad, nuestra devoción por Oliveira Martins, el autor de Civilización Ibérica, ese libro tan preñado para Unamuno.

Con los jóvenes de Acción Nacional también nos enlaza su emoción revolucionaria y además parte de su credo político: «Somos – escriben – antidemócratas, antiliberales, antiindividualistas, tanto cuanto somos anticonservadores, anticapitalistas, antiburgueses.»

Sólo lamentamos y nos separa, que todavía les quede un simplón y anacrónico monarquismo rezagado – todo su programa sería imposible dentro de cualquier monarquía feudal – y ese turbio deliquio primaveral de muchachitos religiosos."

Transcrevo esta passagem não tanto para assinalar as diferenças ideológicas ali apontadas, mas sim para sublinhar algo de mais importante para a história do movimento português.

Com efeito, ainda é frequente, mesmo em obras de responsabilidade e autores de nomeada, procurarmos a descrição dos primórdios do movimento nacional-sindicalista e lá encontrarmos repetidas as mesmas afirmações sobre Rolão Preto, apresentado como o fundador e chefe do novo movimento.

Que tal versão dos factos distorce gravemente a verdade histórica, é do conhecimento de alguns. Mas a falsidade propaga-se facilmente junto de quem de boa fé procura nessas obras a informação que não tem.

Como se constata, os responsáveis do semanário de Madrid têm como referências em Lisboa a António Pedro e Dutra Faria. Podiam acrescentar pelo menos Amaral Pyrrait e António Tinoco. E estão com a razão: no grupo fundador do "Acção Nacional" e depois do "Revolução" está o núcleo criador do nacional-sindicalismo. Ainda eram então todos estudantes: Amaral Pyrrait era de Direito e os restantes de Letras. A raiz do futuro movimento nacional-sindicalista está essencialmente no grupo de estudantes de Letras já organizados como monárquicos e integralistas antes dessa evolução que iria desaguar no nacional-sindicalismo, dando-lhe uma expressão política inteiramente diferente e de certa forma inesperada.

Foi com o êxito do jornal e o crescimento do mesmo que se veio a tomar a decisão de convidar alguém mais velho e já conhecido publicamente para assumir a chefia visível do movimento. Daí o convite formal a Rolão Preto, que o aceitou e assumiu com entusiasmo o papel que lhe era proposto.

Porém, sem querer diminuir a importância da personalidade de Rolão Preto, que viria a marcar esse movimento político e a associar para sempre a sua imagem ao mesmo, quando Rolão entrou limitou-se a tomar um comboio em andamento.

Só a partir de Fevereiro de 1932 se dá essa associação de Rolão Preto ao movimento. E só em Julho de 1932 aparece a expressão nacional-sindicalismo para designar a doutrina proposta. Daqui para a frente a história é mais conhecida. Mesmo assim, com frequentes erros e deformações, nem sempre inocentes.

Fica aqui a nossa homenagem a António Pedro e a Dutra Faria, personalidades que bem mereciam ser mais conhecidas e lembradas.

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