A Honra das Ideias

Por Pierre Hofstetter (in «Política», n.º 30, pág. 8, 01.04.1971)

Para quantos teimam em considerar os fascistas de hoje como velhos nostálgicos de uma época remota, talvez cause uma certa perplexidade o testemunho de quem não conheceu directamente os homens e os conhecimentos que influíram na tentativa de criar uma Nova Ordem europeia.

Antes de tudo o mais, é interessante verificar que os mais entusiastas militantes nacionais-revolucionários da actualidade nasceram, quase todos depois da queda de Berlim em poder das hordas bolchevistas: não participaram, portanto, na aventura política da Revolução Fascista nem foram submetidos àquela educação totalitária tantas vezes criticada pelos salta-pocinhas das nossas sacristias. Nasceram sob o signo da derrota, crepúsculo marcado pela sombra sinistra das forcas, após uma paródia de justiça que perdurará na história universal sob o nome ignominioso de «julgamento de Nuremberga».

A vitória dos «cruzados da democracia» originou uma impiedosa perseguição a todos os suspeitos de oposição aos mitos democráticos sobre os quais se procurou fundamentar a monstruosa aliança entre as plutocracias ocidentais e o comunismo internacional. A par da caça aos fascistas, os vencedores desencadearam contra os regimes subjugados uma campanha caluniosa sem precedentes, que envolveu todos os sectores da informação e da cultura, no propósito ostensivo de difamar e denegrir, de falsear e deformar, de modo a condicionar as massas e orientar a «opinião pública» no ódio aos vencidos.

Mas não obstante as perseguições, as denúncias, as traições de toda a espécie de que têm vindo a ser vítimas os fascistas fiéis aos seus ideais, o certo é que, por mais esforços da vingança judeu-comunista não conseguem extirpar completamente uma fé que não se rende. Prevaleceu a força bruta do materialismo, mas os seus processos não convenceram os vencidos nem aqueles a quem estes transmitiram a ideia de que eram portadores.

O repugnante espectáculo da exposição pública do cadáver de Mussolini, o massacre dos intelectuais fascistas em toda a Europa, deram a impressão do colapso do movimento de ideias que eles haviam suscitado. A morte do Duce, a morte do Führer, e o desaparecimento trágico de tantos outros mentores da cruzada anti-bolchevista teriam como corolário a falência do Fascismo no mundo? Muita gente convenceu-se de que a queda aparatosa das potências do Eixo, o banimento das ideias que geraram as suas instituições, representavam efectivamente aquele fim. Pura ilusão! No preciso momento em que os rebeldes comunistas penduraram numa praça de Milão o corpo ensanguentado de Mussolini, o Fascismo, ferido no seu corpo, mas invulnerável na sua alma, voltou a surgir com a força irreprimível das grandes certezas.

Com a morte do Duce martirizado, o Fascismo, liberto do seu invólucro terreno, superando finalmente as contingências históricas, alcançou o nível espiritual do transcendente ultrapassando os compromissos quotidianos inerentes ao poder político, os erros que são imputáveis ao seu exercício e as limitações que a guerra não podia deixar de impor, o Fascismo que nasceu novamente quando os Aliados desferiam os seus golpes fatais nos europeus vencidos, surgiu nos escombros da derrota como um sinal de redenção, um apelo à vida, um impulso à reconquista.

O desfecho da guerra, longe de dar por findo o combate, conferiu-lhe nova dimensão. A continuidade ideal que, a partir de então, sustentou a chama do Fascismo, traduz-se por uma visão do mundo e da vida que não se compadece com transigências doutrinárias nem com subterfúgios diplomáticos. Quem escreve estas linhas não tem — nem quer ter — outra óptica dos acontecimentos, quanto à formulação dos juízos de valor, que não seja a correspondente a uma visão do mundo e da vida em estrita conformidade com a ortodoxia fascista.

Trata-se, na verdade, de dar testemunho de uma fé, de apresentar, agora e aqui, as soluções mais adequadas para a resolução dos grandes problemas da nossa época. A nossa voz, que tanta gente procura sufocar, poderá, ou não, ser ouvida no deserto em que estamos confinados? Não importa. Sabemos que, como afirmava Guilherme, o Taciturno, «não é preciso ter esperança para empreender, nem ter êxito para perseverar». Temos deveres para com os nossos mortos: são eles, afinal, que nos indicam o caminho da honra. Caminho difícil e penoso, que implica para quem se decida a trilhá-lo, uma abnegação sem limites e a total renúncia aos prazeres legítimos que a escolha voluntária de uma posição na trincheira de combate acarreta no seu rol de sacrifícios. Mas a decisão de «viver perigosamente», subjacente numa profissão de fé fascista, encontra, para nós, a sua significação profunda na frase de Schopenhauer: «o que precisamos não é de uma vida feliz mas de uma vida heróica».

Assim, como as perseguições obrigaram os primeiros cristãos a procurar refúgio nas catacumbas romanas, para nas tenebras preservas a Luz que aquecia as suas almas, também os vencidos tiveram de subtrair-se à furiosa depuração do pós-guerra. Mas a Vigília nas catacumbas a que eles foram constrangidos não deve ser interpretada como uma fuga à batalha: na verdade, o combate continua. E nessa autêntica velada de armas, a que não falta a reconfortante presença de jovens militantes, cada vez mais numerosos, para quem a guerra é um episódio de um passado a que não assistiram, estão a forjar-se as almas dos futuros combatentes do Fascismo.

No final do profundo túnel onde a derrota militar precipitou os vencidos, antevê-se já a claridade de uma nova aurora, assinalando a vitória da vida sobre a morte. Os momentos que precedem a confrontação decisiva, são precisamente aqueles que exigem maior força de vontade e serenidade. Sejamos, pois, sóbrios e vigilantes, conforme recomenda o Evangelho, e procuremos não adormecer como os Apóstolos no jardim das oliveiras. Há-de chegar a hora do resgate. Temos de ser dignos dos camaradas que nos precederam e vingar a sua morte. Se não nos furtarmos a essa obrigação, também de nós se poderá dizer que a nossa Honra é a nossa Fidelidade.

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