A força da palavra “racismo”

Por Rodrigo Nunes (Fonte: Batalha Final)

«Uma coisa quero que compreendas, meu rapaz, é que eu não tenho nada a ver com tudo isto. Se fosse oportuno protestar, era eu o primeiro, mas não é oportuno. Há a questão da minha própria carreira, há a questão da fraqueza da minha voz, comparada à dos outros elementos mais influentes da administração. Estou a ser claro?»

«Disse o Dr. Brodsky para a audiência: ― O nosso cobaia está, percebem, programado para o Bem (…)»

Estes dois excertos são retirados de «A Laranja Mecânica» de Burgess; Alex estava agora programado para o Bem. Fizeram-lhe uma lavagem cerebral, drogaram-no, alteraram-lhe a estrutura cognitiva, criaram na cobaia humana um mecanismo de controlo das suas acções e pensamentos de tal forma eficaz que Alex se tornou incapaz de qualquer gesto, qualquer ideia, que não fosse conforme à definição de Bem estabelecida pelos seus regeneradores. A própria ideia de reagir e de se defender perante todo o tipo de enxovalhos tornou-se de tal forma impossível para ele que dores e náuseas insuportáveis o atingiam perante a vontade de o fazer, a simples imaginação de uma reacção provocava-lhe agora um tal mal-estar que Alex se via imediatamente forçado a parar de pensar no que fosse contra a ética dos que o haviam “reabilitado”.

«Ele vai ser o cristão verdadeiro! – gritava o Dr. Brodsky. Sempre a oferecer a outra face, a ser crucificado sempre, sem nunca crucificar, doente até à alma só de pensar em matar uma mosca!»

Em 1950 a população europeia constituía cerca de 22% da população mundial, numa Europa livre de imigração e onde, por consequência, esses 22% representavam de facto europeus, no sentido étnico. Hoje em dia a população europeia representa cerca de 12% da população do planeta e desses 12% uma boa percentagem corresponde a imigrantes extra-europeus que entretanto adquiriram nacionalidade de países do Velho Continente ou aos seus descendentes, por volta de 2050 os estudos demográficos estimam que a população europeia represente 7% da população total, desses 7% quase metade não serão brancos, pertencerão à nova classe de europeus que vem sendo criada, europeus africanos e europeus asiáticos. Por volta de 2025 as estimativas dizem que entre 22% e 37% da população da UE será islâmica (sem fazerem sequer referência à provável entrada da Turquia no espaço europeu).

Tendo em consideração o cenário traçado pelo Eurostat, a ONU e a própria CIA, a Europa será por volta de 2100,muito provavelmente, um continente de maioria não branca.

O cenário demográfico que todos os estudos realizados apresentam seria passível de despertar nos europeus um sinal de alarme, isso, porém, não acontece, mas a razão principal não é o desconhecimento desta realidade, o motivo maior é outro.

Uma população europeia sã, consciente, preocupada com o seu futuro e conhecedora da sua herança, preocupada com as gerações vindouras, dotada de carácter, de espírito, de força moral, vontade de afirmação, capacidade de construir o seu futuro assente num passado que deveria ser motivo de orgulho para os europeus, pelo seu feito civilizacional, essa população europeia seria certamente capaz de lutar uma vez mais pelos seus valores, pela sua cultura e pela sua própria existência, como tantas vezes fez no passado. Uma qualquer nação europeia saudável entenderia que a ideia de nação pressupõe necessariamente a defesa de valores basilares, princípios que definem as fronteiras da própria concepção de nação; a identidade étnica, a identidade cultural, a tradição e uma ideia de continuidade para o futuro.

No entanto, a reacção dos europeus perante o realismo atroz dos cenários que se apresentam é inexistente ou quase nula. Porquê? Por que razão povos que no passado deram mostras de uma força interior e uma capacidade de luta inigualável parecem indiferentes face à sua progressiva caminhada para a extinção, face à criação, por via da imigração descontrolada, de nações estranhas dentro das suas fronteiras e face à progressiva descaracterização populacional das suas terras?

Não é uma questão de indiferença natural, que aliás de natural não teria nada, mas a revolta perante o que se passa no Velho Continente, em face da autêntica colonização de que somos alvo, sente-se silenciosamente, contida, como que incapaz de se libertar, a Europa, a verdadeira Europa, o seu povo portanto, quer gritar, quer reagir, aqui e ali observa-se isso, no entanto tornou-se incapaz de o fazer, já não sabe gritar, o som da sua revolta não é mais que um pequeno ruído imperceptível… que forças estão por detrás disto, quem conduziu as outrora orgulhosas nações europeias à patética figura que hoje fazem, quem transformou os europeus num bando de resignados e cobardes sem vontade ou capacidade de luta, comodistas cínicos e egoístas, imediatistas sem qualquer preocupação que não seja a sua satisfaçãozinha individual e momentânea?

As respostas a estas perguntas dariam um livro, as raízes da derrota europeia, que parece cada vez mais próxima, poderiam ser alvo das mais variadas análises, poder-se-iam encontrar razões históricas no iluminismo, na revolução francesa, mais recentemente na manipulação e culpabilização de que a Europa vem sendo alvo desde que a Alemanha perdeu a II Guerra Mundial ou no advento da nova globalização e da sua apresentação como algo de inevitável e intrinsecamente positivo. No fundo, sejam quais forem os factores ponderados, todos eles se encontram interligados por fenómenos de causalidade que desembocaram na situação presente e que fizeram surgir na Europa ideias e forças que a minam por dentro.

Por detrás da incapacidade dos europeus reagirem à invasão de que são alvo encontramos hoje pólos de força que se auxiliam mutuamente. Por um lado é preciso reconhecer que a esquerda venceu a guerra cultural, essa denominada esquerda é por natureza internacionalista e nutre um desprezo visceral pelas instituições tradicionais, pelos laços de sangue e pela coesão orgânica que seria natural e desejável numa sociedade; mas controla a informação, a cultura e o mundo universitário, e, como tal, controla o pensamento dominante nas sociedades europeias.

É nisto ajudada pelo liberalismo económico, que aproveita a retórica oca dessa esquerda sobre igualdade e direitos humanos para servir os interesses financeiros de uma minoria (que no entanto controla o grosso do rendimento mundial); aproveitando as migrações para controlar a oferta de trabalho nos países ditos desenvolvidos ao mesmo tempo que explora os recursos naturais do terceiro mundo ao abrigo das imposições livre-cambistas, assim sendo é óbvio que lhes interessa o internacionalismo, sobretudo na sua vertente económica, pois apenas a palavra lucro pode ser considerada como ideal do neo-liberalismo.

Finalmente, uma interpretação progressista do cristianismo tem contribuído decisivamente para o enfraquecimento da Europa, com a sua doutrina de fraternidade universal incondicional (sem regras), a causa cristã de respeito pela condição humana parece ser hoje interpretada como inconciliável com a luta pela preservação das identidades específicas dos povos. É uma ideia de cristianismo que se tem vindo a impor sem compreender que a causa da dignidade humana perde o sentido quando implica o prejuízo próprio de alguém e, para esse efeito, de algum povo. Esta resignação auto-destrutiva emana hoje também de uma corrente de pensamento cristão que, no seguimento disso, é necessariamente anti-nacionalista.

Metaforicamente o homem europeu é o Alex do livro, os europeus são hoje programados desde pequenos para serem incapazes de reagir perante determinados factos, as forças sociais atrás referidas contribuem decisivamente para isso, com especial destaque para a esquerda, que detém o controlo dos meios culturais e informativos. Eles são os regeneradores, os programadores, o arquétipo do Dr. Brodsky, são eles quem define o Bem, a ética, e a lavagem cerebral de que o europeu é alvo tem exactamente o mesmo efeito que teve em Alex; perante a imediata acusação de racista ou fascista o europeu fica desarmado; a náusea, o pânico e o medo social apoderam-se dele irremediavelmente, sente uma enorme culpa, sente-se imoral, sente uma necessidade de se desculpar sem no entanto saber bem porquê, apenas sabe reagir como lhe ensinaram. E para que a programação seja eficiente, ela é recorrente e constante, surge nos jornais diários, na escola, nas instituições estatais, nos cursos de formação, nas produções televisivas e cinematográficas, sub-repticiamente, habilmente, quase imperceptível, mas sempre presente, a toda a hora e em todos os sítios, desde que nasce que é cuidadosamente treinado este novo homem europeu…

O europeu, reeducado por esta intelligentsia, que lhe apagou e reescreveu o passado, tornou-se incapaz de reagir porque incapaz de pensar; não lê, não questiona, não faz mais que discorrer chavões, não tem capacidade crítica, é vulgar, odeia o seu passado e não é digno da sua herança, e quando os poucos que escaparam ao programa de reeducação do novo homem europeu protestam e reagem, logo soam os alarmes, repetem-se as acusações de racismo, recaem sobre eles todos os tipos de estigmas. As acusações que visam desacreditar os poucos que ainda lutam partem de uma minoria, a minoria que controla o pensamento, os donos da nova ética, mas nisto são ajudados pelo silêncio ou assentimento das massas amestradas, e mesmo que estas depois fiquem com uma sensação de estranheza ou uma sombra de dúvida, rapidamente esquecem e continuam a vidinha.

A palavra racismo funciona hoje como um mecanismo de controlo intelectual; quase todos receiam ser manchados por semelhante acusação. Tal como com Alex, a simples ideia de ser rotulado racista enche de receio o homem europeu e provoca-lhe uma insuportável sensação de culpabilidade e mal-estar, torna-se impotente e incapaz de reagir mesmo perante os maiores enxovalhos ou perante a proximidade do seu fim; como Alex, para se redimir, o homem europeu precisa de se submeter, de dizer apenas aquilo que os seus regeneradores entendem por certo.

É por isso que a defesa da identidade étnica da Europa é assunto tabu na iminência do seu desaparecimento, ou tornado aspecto de somenos importância quando na realidade é definidor das próprias nações europeias, é a facilidade com que se rotulam de racistas aqueles que fazem essa defesa e a incapacidade do novo homem europeu de se insurgir contra isto. É urgente reagir, gritar bem alto a realidade, mas só poderá liderar a Europa neste que poderá ser o seu último combate quem não recear anátemas, quem tiver preparação e capacidade de crítica, e para isso necessitará de não ser deixado sozinho. Os nacionalistas não podem permitir-se ficar condicionados por calúnias quando a sua única lealdade deve ser para com a sua herança histórica e a verdade.

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