Da Acção à Nova Restauração

Por Filipe Batista e Silva (discurso proferido no Almoço-Colóquio Comemorativo da Restauração da Independência Nacional, 01/12/2004, Porto)

Para quê celebrar o Primeiro de Dezembro? Ou, de um modo geral, porque celebramos e relembramos – nós, nacionalistas – as glórias, os feitos e as conquistas do nosso passado nacional?

Para passar o tempo, como quem vai ao cinema ou ao teatro, ouvindo belas histórias de tempos heróicos? Para ficarmos mais instruídos e cultos? Para alimentarmos saudosismos e nostalgias do passado, denunciando a nossa própria incapacidade para reinventar o passado e reconstruir o futuro?

Não, Não e Não!!! Outros certamente que celebram o passado com propósitos estacionários. Nós, bem pelo contrário, celebramos o passado por dois distintos e dignos motivos:

- O primeiro motivo: Prestar a Honra devida àqueles que construíram a Pátria e que são a razão de hoje nos chamarmos, com orgulho, portugueses. Isto é, eternizar os nossos antepassados, mantê-los vivos espiritualmente e, com isso, manter viva a chama da Causa Nacionalista que move cada um dos que se encontram nesta sala.

- O segundo e, com certeza, o mais importante motivo: Justificarmos a nossa acção presente, visto que ela coincide com o fio do destino que atravessa os tempos. Para que a nossa acção seja justificada há que relembrar o passado; relembrá-lo e tomá-lo como nosso, e reivindicarmo-nos os continuadores desse passado.

A História e tudo o que ela encerra (o conhecimento das nossas origens étnicas, civilizacionais e culturais) é, portanto, a resposta e, simultaneamente, a justificação da nossa Acção enquanto continuadores de um destino nacional, destino esse que atravessou os tempos e as vontades de grandes Homens. Deles, saliento os seguintes:

- Viriato: Primeiro ícone da vontade milenária e sanguínea de autonomia, independência e liberdade das gentes que vivem neste ocidente ibérico. É o símbolo da luta contra o centralismo e o administrativismo das estruturas imperiais. Viriato, tão actual quando se fala, hoje em dia, de Constituição Europeia ou de Governo Mundial.

- D. Afonso Henriques: Fundador da Nação enquanto corpo jurídico internacionalmente reconhecido. Reconquistador de um território colonizado por gentes e mentalidades de África. Guerreiro tão espantosamente presente nas nossas memórias quando assistimos, hoje em dia, às nossas cidades ocupadas por gentes estrangeiras, gentes diferentes de nós, gentes vindas de terras longínquas, geográfica e civilizacionalmente.

- D. Nuno Alvares Pereira e D. João I: Reafirmaram o espírito de independência e de individualidade nacional na luta pela autodeterminação dos portugueses, em oposição ao imperialismo castelhano. Consolidado o Reino, foi também nesta altura – séculos XV – que se deu o extravasar das nossas fronteiras terrestres e se iniciou a expansão ultramarina. Empresa de menor paralelismo com as circunstâncias e condições em que, hoje em dia, se encontra Portugal, mas nem por isso menos digna da nossa admiração enquanto feito heróico admirável.

- D. João IV: foi a face da Restauração de Portugal, evento que hoje celebramos, e do recrudescimento da vontade popular, sedenta de liberdade nacional.

- D. Miguel: Último soberano português digno desse título. Lutou até ao esgotamento das suas energias para livrar Portugal das correntes filosóficas doentias e anti-naturais dos republicanos, jacobinos e maçons que, no seu tempo, invadiam o nosso país como hoje nos invadem a cultura afro-americana, os relativismos culturais e morais e a decadência pós-modernista intelo-mediática e bem-pensante da esquerda caviar progressista.

- E, por fim, porque não mencioná-lo, António Oliveira Salazar: O último e verdadeiro Homem de Estado que pisou solo nacional e que, à sua maneira e de acordo com os ventos da sua época, todos os esforços envidou para defender a realidade – então vigente – de um Portugal grande e soberano, onde reinava a ordem, o trabalho e a honestidade. Foi este Homem que proporcionou ao país as únicas revoluções da indústria e da agricultura dignas desse nome.

Mas hoje, em pleno séc. XXI, os novos nacionalistas não querem ser imitadores dos Homens do passado que engrandeceram o nome de Portugal – de Viriato a Salazar. Seria até desrespeitoso e caricatural da nossa parte. Mas também não queremos olhar para as suas obras e conquistas como bois que olham para palácios. Não queremos ser meros espectadores passivos, tristonhos e incapazes desse grande Passado.

As circunstâncias da actualidade são outras, por exemplo, daquelas que levaram D. João I a conquistar a praça de Ceuta em 1415, ou daquelas que levaram Salazar a não ceder as províncias ultramarinas. Hoje, o nosso espaço é só o do Portugal europeu. E é nele que, com autodeterminação, queremos ficar. É nele que assistimos à capitulação da nossa alma nacional e da nossa raça física e espiritual, e é nesse território – aquele que neste preciso momento pisamos – que a batalha deve ser travada.

Daqueles homens do passado, retemos, portanto, apenas o essencial: Continuar Portugal.

Que Portugal, podemos perguntar? O Portugal europeu; o Portugal português; o Portugal das tradições e dos bons valores; o Portugal da Vontade, do Trabalho e da Ordem; o Portugal dos verdes campos e das praias douradas; o Portugal dos rios, das serranias, das florestas e dos bosques; o Portugal da Liberdade, da Identidade e da Justiça!

E que lições retirar, então, de 1640?

Não são lições de âmbito político ou ideológico. São, sobretudo, lições de coragem, determinação e vontade, de espírito de sacrifício e de lealdade a Portugal. Qualidades essas tão indispensáveis à Restauração de 1640 como à Restauração que, neste século, queremos e vamos, seguramente, empreender.

Uma última lição a retirar dos acontecimentos de 1640: Sabiam que de todos aqueles que desejaram a liberdade de Portugal em relação a Castela, a grande maioria correspondia às camadas mais populares da Nação, incluindo jovens e estudantes? E que apenas alguns da fidalguia, pequena burguesia e pequeno clero foram fiéis a Portugal? E que a grande burguesia, a maioria dos nobres e o alto clero estava já a parasitar e a ser bajulada na alta esfera madrilena, não lhes interessando, por isso, a Restauração de Portugal?

Sim, foi o povo a razão primeira e última do sucesso da Restauração da guerra da independência que se lhe seguiu durante quase três décadas! Quando se anunciavam as batalhas contra Castela, o povo alistava-se aos milhares, mesmo sabendo que podiam cair mortos nos lamacentos campos de batalha.

(Estes dados devem dizer-nos algo sobre as alianças que devemos estabelecer e sobre aonde reside, ainda hoje, a nossa massa de apoio.)

Entre 1580 e 1640, Portugal encontrava-se sob o jugo de Castela. Hoje, encontramo-nos sob o jugo tirânico dos traidores da Nação e sob o jugo das ideologias anti-nacionais e anti-tradicionais; sob o jugo do mundialismo, da invasão de povos, da ditadura do politicamente correcto e do pensamento único, das drogas, do crime e do laxismo. Hoje, o Miguel de Vasconcelos é toda a classe de crápulas que habitam aquela casa que se dá pelo nome de Assembleia da República, bem como toda a pocilga de pedófilos, sodomitas e depravados que espoliam como sanguessugas o trabalho honesto do povo português.

Há precisamente 364 anos atrás, de uma janela foi atirado um traidor. Hoje, os traidores são muitos, mas as janelas são mais ainda.

* * *

Podemos com esta cerimónia pretender celebrar e honrar aqueles que, outrora, deram o seu sangue por Portugal. Mas a melhor forma de os honrarmos é dando significado aos seus valorosos sacrifícios. E darmos significado a esses sacrifícios é fazer tudo para que eles não tenham sido em vão. E isso passa por salvarmos Portugal da desaparição. Salvá-lo da morte. É Restaurá-lo de novo! Como? Com a Acção dos nacionalistas. Com a Acção de cada um daqueles que se encontra nesta mesma sala.

Da Acção à Nova Restauração, era esta a mensagem que vos queria transmitir hoje.

VIVA O MOVIMENTO NACIONALISTA! VIVA PORTUGAL!

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