Léon Degrelle: sentido heróico da Vida

Por José Luís Jerez Riesco*

Léon Degrelle pertence a essa estirpe de guias e condutores de povos que enchem a História da humanidade. A sua palavra era viva, ardente, como a sua alma. Fez da sua existência um ideal e, do ideal, honra. Resistiu como uma rocha firme. Léon foi aquela águia que fixou o olhar no sol. E nunca pestanejou!

Fundador do Movimento REX na sua pátria natal, a Bélgica, os seus discursos eloquentes elevaram-no à categoria de tribuno; falava com o coração e atingia o sentimento do seu povo. Estava seguro da grandeza que se esconde em cada homem quando emprega as suas energias para conseguir atingir alegremente o superior. A sua existência foi uma exaltação…

Por isso não concebia a vida sem arte ou sem beleza. Convocava o esforço colectivo para arrostar empresas de envergadura. Desdenhava o fácil, amava a virtude e o poder da vontade.

Quando as forças do Eixo quiseram libertar a Europa do comunismo, sendo um chefe popular e um Caudilho, alistou-se, sem galões nem postos, como soldado raso na frente do Leste. Na sua folha de serviço constam 62 combates corpo-a-corpo contra o inimigo; cicatrizou cinco feridas quase mortais. Por mérito de guerra ascendeu de soldado a general, sendo o único estrangeiro que atingiu tal grau nas SS.

Foi a 23 de Fevereiro de 1944 que o próprio Hitler lhe veio a impor o colar da Cruz de Ferro – a Ritterkreuz – com as folhas de carvalho, a distinção máxima que podia ser outorgada. Condecorou não apenas a coragem, mas a inteligência também.

Alcançou a felicidade ao libertar-se dos seus desejos. Resistiu de peito erguido contra o vento desfavorável da história, sem se render nem claudicar. Soube vencer a adversidade. Jamais foi derrotado porque «a própria desgraça nos traz a alegria dolorosa da alma que se entrega sangrando, que sopesa o seu sacrifício e disseca e analisa a sua amargura. Alegria cruel, mas alegria de hierarquia excelsa, da que só é capaz o homem que, com o coração destroçado, compreende tudo!»

É um motivo de orgulho ter podido conhecer Léon Degrelle e ter sentido o calor da sua amizade inquebrantável. A sua figura, se é possível, só muito dificilmente poderia ser comparada. Sem egoísmo, sem falso orgulho, sem nenhuma vaidade, irradiava a autoridade que emergia da sua própria pessoa e da disciplina, do trabalho e do sacrifício, da sua voz de comando, da ordem, da generosidade e, sobretudo, do contraste genuíno de verdade contra a duplicidade e a hipocrisia circundantes.

Foi o único estrangeiro que recebeu a medalha da Velha Guarda da Falange. Foi dos primeiros camaradas a ligar-se ao espírito de poesia e combate que José António desfraldou. Recordo, como se fosse ontem, e já passou um quarto de século, uma manhã de um Janeiro longínquo quando, na sua casa de Madrid, me mostrou, no intervalo de um solilóquio, a credencial da sua pertença desde 1934 com carácter honorífico à FE das JONS. Ainda recordo o número do ofício de concessão da Medalha da Velha Guarda aos militantes anteriores a 16 de Fevereiro de 1936. Era o número 35:214.

O que foi secretário-geral do Movimento, José Utrera Molina, referia-se a Degrelle nestes termos: «Devo afirmar que, ao longo da minha trajectória humana, conheci muito poucos homens com a mesma energia intelectual e moral de Léon Degrelle».

Guardo na memória muitas evocações pessoais que deixaram marcas profundas no meu ser. Ceava com ele em 10 de Outubro de 1975 na casa recém estreada da sua filha Anne e em que me dispunha a tomar o avião com destino à Itália para participar num meeting convocado em Reggio Calábria a favor da Justiça espanhola e contra o terrorismo, no momento em que em toda a Europa se tinha desencadeado uma campanha orquestrada para tentar legitimar acções criminosas, como ataque ao regime de Franco… Os conselhos que me deu naquela velada robusteceram e reafirmaram a minha convicção de, em quaisquer situações, por mais hostis que viessem a ser, advogar todas as causas nobres e justas.

Anos mais tarde subiria com toga à barra para testemunhar a minha adesão pessoal e jurídica no processo que certa organização judaica interpôs contra o velho Léon Degrelle. Degrelle continuava na trincheira, desmascarando com a sua caneta brilhante as mentiras históricas com que tenta lavar-se o cérebro da humanidade e se procura confundir as suas consciências. Foi defendido pelo seu genro, Servando Balaguer, que, em 1973, apadrinhou a minha filiação no Ilustre Colégio de Advogados de Madrid.

A nossa maior vitória moral talvez, foi, depois da perseguição e da guerra sem quartel a que Léon Degrelle se viu submetido, a entrevista que realizei em sua casa em 28 de Fevereiro de 1992 para ser publicada a 24 de Maio no semanário de Moscovo, O Dia. As suas declarações causaram um impacto insuspeitado. O povo russo lia com assombro, nos seus próprios termos e em caracteres cirílicos, as palavras que, de Madrid, no ano das Olimpíadas e da Expo, lhe dirigia o antigo general das SS, Léon Degrelle… solidarizando-se com eles, animando-os a não ceder na sua ânsia de liberdade… enquanto assegurava confiar nas virtudes tradicionais do povo que estava começando a despertar da longa letargia do comunismo. A entrevista foi ilustrada com uma fotografia de Léon ostentando a cruz de ferro com folhas de carvalho e tinha a seguinte dedicatória: «Aos meus amigos russos de O Dia, com as saudações de Léon Degrelle». Foi um golpe de mão que o encheu de satisfação e que celebrámos a sós.

A última vez que vi Léon foi este Inverno, em sua casa, durante uma curta estadia em Madrid. Fui convidado para uma ceia, que compartilhei à mesa do casal Baillo. Joanne, a esposa de Léon, tinha-a preparado. Falámos até depois da meia-noite. Fizemos uma análise de tudo, tendo-nos Degrelle confiado pensamentos e inquietações. A sua saúde, jovialidade e fortaleza não faziam pressagiar um fim próximo.

No dia 10 de Março dava entrada no quarto 225 do hospital malaguenho, a sua última casa. Imediatamente telefonei a saber do seu estado. A esposa informou-me que a minha chamada fora a última autorizada pelos médicos…

No passado dia 31 de Março, sexta-feira santa, o tanger dos sinos recolheu ao silêncio e voltou depois, lento e pausado, em som de bronze e loureiro do toque a defuntos. O destino quisera que, no mesmo dia em que a Igreja comemora a expiração de Jesus Cristo, falecesse aquele que da sua vida fizera um permanente acto de heroísmo, Léon Degrelle.

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* Presidente da Associação Cultural Amigos de Léon Degrelle

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