A Europa à beira do descalabro...


Dotada apenas de fronteiras culturais, que fizeram a sua individualidade histórica e a sua glória civilizacional, a Europa vive hoje cercada pelos novos bárbaros e já infiltrada por outros tantos, ajuramentados pelo ódio ao branco e europeu…

A guerra mundial de 39/45 começa hoje a ser conhecida pelo designativo mais rigoroso de “guerra civil europeia”. Foi na Europa que ficaram as cinzas do conflito e foi na Europa que sobreviveram os germes da destruição. A guerra fria moldou-se nesse carácter maléfico; e ninguém se espantará hoje que tenham sido os russos os mesmos que desencadearam por todo o mundo as guerras revolucionárias e tomaram partido pelos povos e raças em ebulição contra a Europa.

Três acontecimentos se relacionam nesta conspiração: a revolta da tribo dos mau-mau, no Quénia; a filosofia da negritude inaugurada em França com apoio maciço da esquerda socialo-comunista; e a denúncia comunista do “colonialismo”.

O primeiro estadista a dar-se conta desse projecto maldito foi Salazar, quando abertamente denunciou a campanha internacional contra o branco e europeu. Estranhamente, os grandes propulsores deste plano eram os americanos, a quem Salazar não perdoava a duplicidade e a hipocrisia. Na verdade, os grandes colonialistas do mundo, no pior sentido do termo, eram justamente os americanos e os russos. Os primeiros porque sendo colonos procedentes da Europa, tinham exterminado os índios autóctones ao mesmo ritmo e com as mesmas armas com que tinham exterminado os bisontes. Os segundos porque, além da escravidão imposta a dois terços dos povos atacados do vírus marxista-leninista, constituíam eles próprios uma confederação de povos e nações subjugados, que davam pelo chamadoiro sinistro de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Apesar destas poderosas restrições de sentido e desta completa ausência de autoridade moral para se arvorarem em arautos da libertação dos povos colonizados, foram eles que tomaram conta do processo vergonhoso, engendrando novas guerras e catástrofes que aí estão à vista, e servindo-se na altura de governos cúmplices colocados em França e no Reino Unido.

Neste passo, como em muitos outros passos de que seria paradigma a descolonização portuguesa, americanos e russos estiveram sempre de braço dado e os seus interesses coincidiam perfeitamente, isto é, ordenavam-se para o objectivo essencial de desfazer a Europa, berço e motor da Civilização.

A revolta dos “mau-mau” que surpreendeu a consciência atormentada dos brancos, era apenas o primeiro capítulo de um racismo novo, o racismo contra o europeu. E alastrou pelo mundo inteiro, contagiando negros e amarelos num ódio dementado àqueles indivíduos e povos herdeiros directos da Antiguidade Clássica, da conversão dos bárbaros e da doutrina de Cristo. Tantos os títulos quantos os motivos de oposição e de ódios carnífices.

De começo, ninguém entendia o plano dessa revolta tribal. E os ingleses nunca verdadeiramente o haveriam de descobrir, toldado como tinham o juízo com as campanhas internas do seu socialismo negativista. Também os franceses, endoidados com a negritude, nunca se aperceberam da selvagem criatura que estavam a aleitar.

Mas da França nem é bom falar. O general De Gaule, que conhecia perfeitamente a traição dos comunistas franceses, aliados de Hitler, e que ajudaram a precipitar a derrota do seus exércitos em 1940, compondo a página mais vergonhosa da história militar gaulesa, ao libertar a França, negociou com Estaline o estatuto do País, chamando os comunistas ao governo em troca do apoio mais reticente a Maurice Thorez.

Resultado: os comunistas tornaram-se senhores da França, baldearam o general e engrossaram o lastro de uma oposição que terminaria pela perda da Argélia, pela condenação dos patriotas fuzilados aos centos de milhares e pela exautoração do general, apenas chamado para trair na Argélia os camaradas de armas.

Neste mesmo jornal publiquei dezenas de escritos sobre o verdadeiro rosto, velado por piedosas mentiras, da chamada Comunidade Europeia. Um dos mais repugnantes e eficazes disfarces é precisamente esse da conspiração europeísta, que consiste na aniquilação da Europa. Os agentes dessa conspiração aprenderam com os sucessivos falhanços históricos desde há três séculos, desde Komenius a Monnet, que a tarefa primordial deveria concentrar-se na ruína das nações europeias, os velhos bastiões do espírito e civilização do Continente.

Assim o tramaram e assim o puseram e estão pondo em prática, utilizando subtilezas, enganos e perfídias que se baseiam sempre na falta de resistência moral pregada e posta em prática pela democracia laica.

O plano corre em três vectores: a regionalização, o cosmopolitismo e a miscigenação de povos e raças.

A regionalização tem por confessado intuito fragmentar as nações e quebrar-lhes a unidade. Já ninguém alimenta ilusões neste sentido. A Europa era um mosaico de nações, de culturas, de línguas e costumes. Mas esta diversidade gozou sempre através dos séculos de um liame poderoso que se situava na Fé Católica e na instituição real. A Reforma protestante cindiu a Europa em dois blocos; e a Revolução, sua directa continuadora, tudo fez, como proclamavam os seus bandidos, para estrangular o último rei com as tripas do último padre, invento maçónico que teve expressão na constituição civil do clero e na guilhotina do Terror.

O cosmopolitismo – nem seria preciso dizê-lo – não passa de um rebuçado de veneno distribuído às populações europeias. A propaganda faz crer aos parvos que ser cidadão do mundo traz mais lustres do que ser europeu como se a maltrapilhagem histórica internacional enobrecesse os convertidos de fresca data.

Ora estes dois objectivos – o cosmopolitismo e a regionalização – acham-se em vias de consumação. Já é apenas questão de tempo porque se obteve nos europeus o conformismo e a passividade, a saxonização dos costumes e das culturas no que essa saxonização tem de mais condenável: a dissolução moral, o mau gosto da arte, o materialismo da existência, o culto do reles e do ordinário.

Trata-se agora da miscigenação dos indivíduos e dos povos, do processo da mestiçagem acelerada. O método posto em prática pressupõe a colaboração dos governos de matriz esquerdista, todos acumpliciados neste convite à imigração indiscriminada. Primeiro abateram-se as fronteiras; depois promulgaram-se leis de excepção em favor dos estrangeiros; a seguir instituíram-se nas esferas oficiais os piores anátemas contra os recalcitrantes brancos e europeus: o racismo, a xenofobia, todos os expedientes para lhes calar a boca e os sujeitar à subalternização diante dos imigrantes.

Aquilo que se começou em segredo processa-se agora a céu aberto. Os primeiros imigrantes adaptavam-se aos usos e práticas locais; estes últimos impõem já os seus costumes aos autóctones. E a presidência francesa da UE, durante o conselho informal que abriu em Marselha, já não teve pejo de sentenciar: “ é preciso admitir e indicar claramente à opinião pública que a Europa se tornará em breve um lugar de mestiçagem”.

E calculando melhor: “daqui a alguns anos, e ao ritmo actual da imigração, o território da União, vai receber mais de 80 milhões de indivíduos. E isto é o prosseguimento da política já em marcha…”

Argumentos: toda esta gente compensará os défices de natalidade, os de mão-de-obra, o dos retirados.

Quer dizer: os governos fazem a apologia do aborto, do divórcio, da cultura de morte, e depois aparecem a compensar as ruínas com o advento de estranhos. Primeiro, o genocídio dos nascituros; depois a vinda maciça dos imigrantes de todas as etnias e culturas!

Mas o problema não é apenas demográfico. Ao mesmo tempo, propaga-se nos meios oficiais que a nossa cultura está ultrapassada e que a nossa Igreja se desencarnou, dilacerada pelas divisões que esses mesmos meios se encarregam de difundir.

Por outras palavras, e ao fim do século, aí temos nós a mestiçagem obrigatória, porventura o último capítulo da História da Europa e o último vestígio do branco e europeu.

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