Vacas sagradas

Por “Camisa Negra” (Fascismo em Rede)

A religião do politicamente correcto tem os seus santarrões, de veneração geral e obrigatória.

Trata-se em geral de personagens falsas, de virtudes escolhidas por catálogo e montadas ardilosamente para servir os objectivos predefinidos, cujas imagens e biografias supostas são posteriormente universalizadas pelas agências especializadas, em campanhas repetidas «ad nauseam».

São vultos que têm o condão de me despertar especial irritação.

Surge-me à cabeça o Ghandi. Este distinguia-se por ser um indiano mestiço, com superior cultura britânica, de tendências snobs e ambições grandiosas. Com os ingleses tinha aprendido tudo, sobretudo a hipocrisia.

A certa altura descobriu a fórmula: largou as fatiotas elegantes e o «look» oxfordiano e assumiu aquela imagem de faquir embrulhado num lençol. Ao mesmo tempo teve uma genial intuição propagandística: a ideia da não-violência, que de modo simplificado consiste em agir de forma a obrigar quem tem o bastão a usá-lo para logo depois ir exibir as nódoas negras à compaixão universal.

Os caudais de violência e de ódio desencadeados por todo o subcontinente indiano pela aplicação sistemática dessa táctica, com recurso a constante mobilização das massas e hábil domínio da psicologia das multidões, tudo sempre acompanhado de propaganda infindável para uso interno e externo, geraram situações de conflitualidade e violência que não conheceram qualquer acalmia nos últimos sessenta anos.

Outra vedeta desta galeria é o Luther King. Trata-se de um vulgar pregador negro daquelas inumeráveis igrejas mais ou menos evangélicas que abundam nos Estados Unidos, que à partida nada diferenciava da gritaria e das obsessões dos outros.

Na sua biografia nada há de especial a não ser o forte apetite sexual, com fixação em «teenagers» (ao que parece tinha isso em comum com o “asceta” Ghandi). Mas também este sofria de ambições megalómanas e descobriu um caminho: a exploração política dos ressentimentos seculares das comunidades negras americanas.

O activismo dele e dos seus criou uma realidade política incontornável desde então na política americana, traduzida na presença da sensibilidade específica dos negros, definida pela negritude e não por qualquer ideia ou projecto. Racismo puro.

E a criação dessa realidade, através do reforço dos mecanismos de identificação pelo apelo a sentimentos e emoções tribalizantes, gerou uma cadeia inesgotável de conflitos sociais e raciais, atrasando a integração e cindindo dolorosamente a comunidade negra em relação à sociedade americana, e afectando grandemente a coesão desta. O gueto gera o gueto.

Finalmente, outro santarrão por aí infindavelmente reproduzido em bandeiras, medalhões e t-shirts: o Che Guevara.

A propósito deste ocorre-me sempre a reacção espontânea da filha de Fidel Castro, Alina, numa entrevista a propósito da sua fuga da ilha-prisão. O jornalista perguntava-lhe pela sua visão de acontecimentos e personagens, numa perspectiva adequada ao que ele aprendera aí pela subcultura generalizada. E a dado pessoa pergunta respeitoso: - “E Che Guevara? Conheceu-o?”

A jovem olhou-o e respondeu com naturalidade, mais ou menos isto que cito de cor: - “Sim, eu era muito pequena, mas lembro-me bem de Ernesto… aparecia muito lá em casa… era ele e Raul que tratavam dos fuzilamentos…”

O jornalista fugiu para a frente apressado. Na mente daquela rapariga que descobria a sociedade fora da ilha a imagem gravada do “libertador” era a do fanático ministro dos primeiros tempos do castrismo: o homem que tratava dos fuzilamentos, o assassino dos anos negros do “paredón” para os inimigos da revolução, levados às centenas e aos milhares, quando ela era menina e os pais habitavam os palácios do poder.

A filha de Fidel desconhecia visivelmente o que as agências tinham feito de Ernesto: uma imagem viva do Cristo, redentor dos povos, mártir da tirania e da opressão – quanto andava a tentar reproduzir noutros locais o que já experimentara em Cuba.

Curiosamente, e aqui termino, estes três homens tiveram todos o fim trágico que se conhece. Como se os ódios acumulados na caixa de Pandora que abriram acabassem sempre por apanhar no seu vórtice de destruição os próprios que os soltaram pelo mundo.

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