Contra o espírito burguês

Por J. M. (alterações, adaptações e acrescentos da redacção do extinto Portal Nacionalista)

A burguesia ontem e hoje

Burguesia – termo mais ou menos abstracto para o comum dos indivíduos. Para uns, recordações esbatidas de algo aprendido na escola, para outros, não mais do que resíduos da fraseologia esquerdista. Burguesia – realidade social vetusta, simples resquício empoeirado na prateleira da História.

Com a democratização do consumo, a burguesia, enquanto classe, desapareceu, ou melhor, dilui-se. Porém, o espírito burguês persiste. Persiste disseminado em todas as esferas da sociedade. A burguesia deixou de ser uma realidade económico-social bem vincada nas sociedades situadas entre o (pretenso) Renascimento até aos finais da modernidade, para passar a ser, com o advento da pós-modernidade, uma concepção de vida, um autêntico modus vivendi social generalizado.

O espírito burguês impregnado na sociedade e nos indivíduos

Importa frisar que não nos referimos somente a indivíduos isolados. O espírito burguês está infiltrado em toda a gente: nos nossos companheiros de trabalho, nos vizinhos e mesmo entre os nossos familiares. Do docente universitário ao distribuidor de pizas, do trabalhador da construção civil ao empresário, os desejos são os mesmos, os modos de vida idênticos, todos procuram a mesma coisa: uma vida tranquila, uma mulher fútil e artificial e, claro está, automóveis, casas, televisores, DVD’s, telemóveis de última fornada, férias em destinos exóticos, etc. Há mesmo quem recorra a créditos suicidas ou ao abandono de projectos familiares (leia-se, ter filhos) para poder aparentar riqueza e sorte na vida. (Tristes infelizes… Não sabem que os homens não se medem pelo que têm, mas pelo que são…)

Temos, assim, uma sociedade de indivíduos infantilizados e estandardizados, regidos por uma mentalidade cujo sentido de vida se limita a um impulso cordeiro para o consumo compulsivo. O espírito burguês, ao contrário do industrioso, faz germinar o egoísmo, o hedonismo, a imbecilidade, a futilidade, etc.

A alternativa neo-nacionalista

O nacionalismo identitário e ecológico, enquanto ideologia nova e alternativa, é radicalmente antagónico ao modelo social e político vigente. Em contraposição, oferece uma nova política, um novo estilo e uma nova forma de ser e estar:

- Frente à politiquice interesseira, o nacionalismo opõe uma política séria, alternativa e radical, defensora dos interesses da comunidade, da sua cultura, história e tradições.

- Frente a uma sociedade que só oferece um estilo vazio e materialista, o nacionalismo opõe um estilo genuíno, ardente e combativo, não só na aparência como no comportamento!

- Em alternativa à imposição totalitária e racista do multiculturalismo e da miscigenação, o nacionalismo propõe a liberdade refrigeradora da identidade e da diversidade de todos os povos.

- O cosmopolitismo, o igualitarismo, o humanismo e o individualismo são substituídos, respectivamente, pelo comunitarismo, meritocracia, naturalismo e personalismo.

- Face a uma sociedade em que as pessoas se tornaram tão egoístas que preferem abortar os seus próprios filhos em privilégio do seu bem-estar individual, o nacionalismo promove a dinâmica e o rejúbilo da vida e o elogio e a fruição da família.

Exemplos de aburguesamento das hostes combativas

No entanto, também no meio nacionalista o espírito burguês acabou por se infiltrar. Exemplo disso são as várias atitudes tomadas ao longo dos anos por pretensos camaradas, que vão desde o comodismo, passando pela intriga e até mesmo pela cobardia. É preciso ter em mente que quando nos opomos ao espírito burguês, fazemo-lo porque combatemos o aburguesamento dos outros mas primeiramente o de nós próprios. Coerentes com os princípios que sustentamos, devemos denunciar e rechaçar o espírito burguês nas nossas fileiras. Mas não nos equivoquemos: ainda que a estética desempenhe um papel importante e revele o carácter e a personalidade das pessoas, um camarada não passa a ser burguês só porque veste marcas mais ou menos dispendiosas, mais ou menos na moda. Centremo-nos no essencial e deixemos de parte o acessório.

Führers de bairro – O Professor António José de Brito disse que, em Portugal, aonde estão dois nacionalistas há uma cisão. Felizmente, esta afirmação não corresponde à realidade, embora tenha algum grau de veracidade. Poucas ou nenhumas cisões sucederam por divergências de ideologia ou de táctica política insuperáveis. As cisões têm surgido principalmente devido a problemas pessoais e disputas de poder por parte de indivíduos egocêntricos que se julgam führers de bairro, revelando uma desprezível, improdutiva e incessante busca do protagonismo pelo protagonismo.

Pesos-mortos – Desafortunadamente, persistem outras particularidades burguesas nos ambientes nacionalistas, como é o caso de alguns “camaradas” que, paradoxalmente, são os mesmos que, não raras vezes, se queixam de falta de actividades: em todos os seus discursos se projecta um cenário negro para o futuro da causa, olvidando que a resistência se faz com o entusiasmo e com a ardente crença de que o futuro da nação a nós pertence. Só a esperança é capaz de manter um grupo de activistas mobilizados. Aquele que provoca o desânimo e o esvaziamento da esperança conduz à desmobilização generalizada do grupo. Provocada por apenas um ou dois elementos – os pesos-mortos – num pequeno núcleo de activistas, a situação pode evoluir para um ciclo vicioso, que deve ser travado sem complacências pelos camaradas espiritualmente mais resistentes.

Intriguistas – A intriga e a difamação têm sido largamente utilizadas por sujeitos pouco escrupulosos, certamente desconhecedores de que nós, os nacionalistas, nos devemos reger pela verdade, honestidade e lealdade.

Mortos-vivos – Outras atitudes pouco honrosas, ou totalmente desprovidas desse sentimento tão caro aos nacionalistas exemplares, são a cobardia e a deserção, atitudes que demonstram categoricamente a falta de carácter ou, consoante os casos, o derrotismo. A falta de carácter e o derrotismo são patologias que levam, invariavelmente, ao conformismo. Conformado, um nacionalista não passa de um morto-vivo ou, na melhor das hipóteses, de um deambulante inútil.

Idiotas úteis – Há ainda nacionalistas que se acham a si a brincar às revoluções, conspirando entre canecas e bafos de cerveja. São, em regra, nacionalistas pouco ou nada esclarecidos que encontram o seu modelo de vida, não na reconhecida literatura nacionalista, não no exemplo dos heróis antigos, mas precisamente nas caricaturas que o sistema faz do nacionalista, na sua falsa e pejorativa propaganda – quais caricaturas vivas, quais idiotas úteis ao sistema…!

Consequências e soluções

Poderíamos continuar a explorar outras variantes do espírito burguês, sem dúvida inúmeras, mas também demasiadamente desagradáveis e desprezíveis para aqui serem descritas. O que importa reter é que não se pode criticar o aburguesamento da sociedade enquanto o próprio movimento nacionalista padecer do mesmo mal. Não se pode esperar transformar a sociedade enquanto remanescerem elementos doentes ou propagadores da doença no nosso meio. Só o puro pode purificar o impuro.

Se queremos realmente transformar a sociedade, torná-la mais altruísta, mais comunitária, mais produtiva, então provemos que somos capazes de fazer o mesmo dentro do nosso próprio movimento. Mas isso não acontece por decreto, pela ordem de um líder ou pela simples depuração dos elementos indesejáveis – medidas imediatistas, circunstanciais e efémeras. É necessário que cada um se limpe por dentro, que cada um se discipline ferreamente. Só assim o todo poderá brilhar duradouramente.

A essência do espírito de militância nacionalista

Alguém proferiu um dia que não é nacionalista quem quer mas apenas quem pode. Nós diríamos que é nacionalista quem amar verdadeiramente a sua Nação, mas só é militante quem estiver realmente disposto a sê-lo. Ser-se um militante nacionalista implica, desde logo, um modo de estar positivo e construtivo perante a vida, um espírito permanentemente aceso e desperto e uma atitude de militância constante, que se reflecte na busca ansiosa (mas paciente) da valorização pessoal (física, mental e moral) e no combate político orientado e coordenado. Implica uma conduta diária responsável e metódica.

Por outras palavras, ser-se militante nacionalista é ser-se superior. Não porque se tenha um QI mais ou menos elevado, mas porque se é capaz de superar os vícios da carne humana, porque se dispensa o calor aconchegante do rebanho, porque se trilha – abrindo aos detrás – um caminho ainda por fazer, em vigilância mas sem temor! Esses são os verdadeiros militantes. Esses pertencem ao escol! Quem quiser, que seja nacionalista. Quem se achar capaz, que se torne num militante!

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