O racismo anti-branco: mitos e preconceitos

Fonte: Arqueofuturismo On-line

1. O mito do “berço de ouro”

O primeiro mito específico do racismo anti-branco é o mito do “berço de ouro”. Este mito consiste na crença de que ter nascido branco constitui uma vantagem inata em todos os domínios da vida, quer sejam privados ou profissionais. Devido à sua cor de pele, os brancos teriam direito a todo o tipo de vantagens que lhes garantiriam uma existência fácil. Decorre, no espírito do racista que adere a esta crença, que uma pessoa de tipo europeu não poderá jamais comungar dos mesmos sentimentos nutridos por um ser humano que pertence a um outro grupo étnico. Este mito contém a sua própria negação: prova pela sua própria existência que os brancos podem ser vítimas de preconceitos racistas. O desemprego, a doença, a morte, a depressão, o luto, o racismo são dramas e dificuldades que os brancos sentem de maneira igualmente aguda e de modo tão frequente como os outros seres humanos. Ter nascido branco não é um seguro ou uma protecção contra as dificuldades da vida: a maior parte dos brancos não nascem ricos, bonitos e famosos. Declarar que ser branco é gozar de um privilégio inato, é negar a plena humanidade aos que assim nasceram.

2. O mito da superioridade branca

O discurso sobre o mito da superioridade branca consiste, para os outros grupos étnicos, em tomar os brancos como bodes expiatórios dos seus falhanços. O mito da superioridade branca consiste em atribuir aos brancos a responsabilidade por todos os problemas possíveis e imagináveis que afligem um indivíduo pertencente a uma minoria étnica no seio dum povo branco e da nação que é o reflexo das suas aspirações e das suas capacidades, ou inversamente pertencente a uma maioria étnica num país onde habita uma minoria branca. A crença na superioridade branca atribui aos brancos intenções sistematicamente maliciosas em relação aos outros grupos étnicos. Assim, qualquer problema não resolvido por estes povos ou por estas comunidades será considerado como o resultado da má vontade dos brancos. Na realidade, não existe uma fatalidade que leve a que qualquer grupo étnico em contacto com brancos esteja condenado sistematicamente ao falhanço e a ser dominado por estes: hoje, o Japão e a Coreia do Sul são respectivamente a segunda e décima potências económicas mundiais, o que os coloca à frente de numerosos povos brancos. Nestes dois casos ninguém sugere atribuir o mérito do sucesso destes povos aos brancos…

3. O mito do racismo específico

Para as pessoas que crêem no racismo específico do homem branco, os brancos serão sempre racistas por natureza. O racismo dos brancos é mais importante quantitativa e qualitativamente que o dos outros povos. Aderir ao mito do racismo específico do homem branco, é demonstrar preconceitos racistas em relação aos indivíduos de tipo europeu. O racismo manifestado por certos brancos não é nem pior, nem mais frequente que o dos indivíduos pertencentes a outros povos. Contudo, ele é muito mais documentado e mais frequentemente denunciado pelos meios de comunicação.

4. O mito da irracionalidade dos brancos

O mito da irracionalidade dos brancos é a crença segundo a qual qualquer conflito, qualquer tensão ou qualquer desacordo que possa emergir entre brancos e outros grupos étnicos não pode senão ter origem num comportamento irracional das populações europeias (por exemplo, o “sentimento de insegurança” imputável à “xenofobia” das populações brancas). Na realidade, o ressentimento ou a hostilidade dos brancos no que diz respeito aos outros grupos étnicos ou em relação a alguns dos seus membros podem ser perfeitamente justificados. Com efeito, de maneira colectiva ou individual, os membros dos outros grupos étnicos podem adoptar um comportamento, fazer opções políticas ou ter um discurso que é – directa ou indirectamente – preconceituoso em relação aos brancos. Estes preconceitos podem ser de natureza política, social, identitária ou física. Em situações de conflitos ou de tensão inter-étnicas, a apresentação do comportamento de indivíduos ou de populações brancas como unilateralmente racistas, xenófobos, sem fundamento e meramente irracionais deverão ser sempre acolhidos com cepticismo.

5. O grande preconceito

Quando um conflito opõe um(a) branco(a) a uma pessoa pertencente a um outro grupo étnico é sempre o(a) branco(a) que é o(a) agressor(a) racista, e a pessoa pertencente a um outro grupo étnico é sempre a vítima de racismo.

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