Joris Van Severen e o Verdinaso

Por João Martins

Nascido em 1894 com o nome de Georges Van Severen, mais tarde mudará o nome para Joris a fim de afirmar as suas raízes flamengas.

Com uma infância equilibrada, Joris Van Severen cresceu no seio de uma família conservadora. Enquanto estudante Van Severen estudou no «Barabara College» em Ghent, tornando-se, pouco tempo depois, membro de uma associação católica flamenga, sendo notório desde logo a sua predisposição para o activismo político.

Durante a I Guerra Mundial Van Severen serviu no exército belga. Porém, e sob influência do momento que se vivia, Van Severen expressava um descontentamento acentuado face a uma guerra que não considerava ser a do povo flamengo e que não obedecia aos seus interesses. As suas posições autonomistas rapidamente levaram a que fosse militarmente punido pelas suas actividades.

Terminado o conflito Joris Van Severen, imbuído de um espírito contestatário, dedicou-se à política, apresentando-se como candidato pelo Partido da Frente. Em 1921 entrou para o parlamento como deputado, período em que se dedicou a redigir inúmeros ensaios sobre o nacionalismo flamengo, tornando-se assim um ideólogo de um movimento que reclama a independência da Flandres. A sua evolução política espelhava uma direita antidemocrática ou, melhor ainda, anti partidocrática, levando-o a aproximar-se das posições ideológicas preconizadas pelos movimentos “fascistas” que emergiam por toda a Europa.

A 6 de Outubro de 1931 Joris Van Severen, Jef François, Wies Moens, and Emiel Thiers fundaram o Verdinaso (Verbond der Diets Nationaal-Solidaristen - Liga dos Nacional-Solidaristas Holandeses). Wies Moens redigiu o programa no qual era bem patente as inclinações fascizantes da organização, particularmente pelo seu espírito antidemocrático e retórica anti-judaica, advogando um Estado corporativo numa sociedade com o Rei dos belgas como figura cimeira. Não obstante, o Verdinaso, em contraste com o Fascismo italiano, promovia uma acentuada descentralização assente no princípio da subsidiariedade. A sua relutância face à democracia e ao jogo eleitoral levou a que a organização não participasse em eleições, o que teve directa influência na sua capacidade de se afirmar enquanto grupo de pressão política. Em 1937, surgiu o Dinaso, uma ordem militante uniformizada com camisas verdes (a farda havia sido desenhada pelo próprio Joris Van Severen) ao melhor estilo paramilitar. De salientar também que uma associação homónima foi criada na Holanda de maneira a vincar o ideal da reunificação da Flandres com esse país.

Com a pressão exercida pelo estado belga sobre o Verdinaso, nomeadamente através de buscas a casa de militantes, bem como pela tentativa de proibir o Dinaso, Joris Van Severen decidiu imprimir uma nova direcção na organização, anunciando a rejeição do sentimento anti-belga e, em seu lugar, promoveu a unidade das regiões que viriam mais tarde a ser designadas como Benelux, isto é, a Bélgica, Holanda e Luxemburgo, dado que estes três países tinham por base uma história comum. Também a sua lealdade à Casa Real belga foi reafirmada. Esta reviravolta de posicionamentos políticos e ideológicos não foram bem aceites no seio do movimento identitário flamengo, particularmente pelo VNV (Vlaams Nationaal Verbond - Liga Nacional Flamenga) de Staf de Clercq, que acusaram Van Severen de sujeição ao regime francófono.

Em 1932, Jef François e Van Severen foram eleitos para a Câmara de Deputados. Nas eleições de Outubro de 1936, o Verdinaso concorreu numa lista conjunta com outras organizações nacionalistas flamengas sob a designação de Vlaams Nationaal Block (Bloco Nacional Flamengo), obtendo 13% dos votos e 16 deputados. No ano de 1939, aumentaram para 15% dos votos e alcançaram 17 lugares no parlamento. O partido cresceu exponencialmente e o Dinaso contava nas suas fileiras com mais de 3.000 militantes sob a liderança de Jef François.

Com o eclodir da II Guerra Mundial e posterior ocupação alemã da Holanda, com o desbaratar das linhas de defesa belgas e perante à incompetência dos militares franceses para travar o avanço germânico, Joris Van Severen foi a detido a 10 de Maio de 1940 juntamente com os líderes de diversas organizações nacionalistas, acusados de serem agentes ao serviço do inimigo. Transportados para França, foram colocados numa prisão na pequena cidade de Abbeville. A 20 de Maio de 1940, sem qualquer acusação formal e sem julgamento, Joris Van Severen é conduzido para o pátio da prisão e, juntamente com os restantes prisioneiros, executado pelos guardas franceses.

Sob a liderança de Jef François o Verdinaso não conseguiu recuperar da perda do seu carismático líder, vendo-se forçado a aderir à União Nacional Flamenga em Maio de 1941, dando por finalizado o projecto idealista de Joris Van Severen.

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