Entrevista a Bruno Oliveira Santos

Entrevista realizada pela redacção do Causa Nacional a Bruno Oliveira Santos, cabeça-de-lista do PNR por Aveiro, a propósito das eleições legislativas de 2005

1. A internet é um veículo de comunicação ainda a explorar. Sendo cabeça-de-lista pelo círculo de Aveiro, pretende explorar nesta campanha as potencialidades da internet, nomeadamente através do seu blogue?

Anunciei no “Nova Frente” a minha candidatura pelo círculo de Aveiro, que é o meu distrito. E conto, durante as próximas semanas, ir informando os leitores sobre as nossas propostas e as actividades que viermos a realizar nesse círculo.

2. A exposição pública dos candidatos dos pequenos partidos é nula. Como podem então dar-se a conhecer aos eleitores?

Par além das tradicionais acções públicas nas principais cidades, é imperioso utilizar os novos meios electrónicos: o “site” do partido e os blogues dos candidatos. É igualmente importante participar em todos os debates que se realizem em cada círculo, promovidos por rádios locais ou nacionais. E, sobretudo, é preciso fazê-lo com um discurso novo, que rompa com os lugares-comuns dos políticos do sistema.

3. Na sua opinião, qual é a diferença entre o PNR e os outros? O que faz do PNR um partido de combate ao sistema?

Os demais partidos – uns mais que outros – são os principais responsáveis pelo estado a que Portugal chegou. Em poucos lustros, retrogradámos século e meio para o tempo de uma “regeneração” feita à custa de obras públicas – desta vez, com mão-de-obra ilegal e clandestina – e em que o inefável «rotativismo partidário» mudou de designação, para acompanhar os tempos, apresentando-se agora com o nome de «alternância democrática».

Estamos prostrados diante de Bruxelas a mendigar fundos estruturais, sem projecto nacional que se veja. A economia manda na política, e o país é, por isso, uma espécie de Portugal, S.A. preparado para eleger um novo Conselho de Administração. Nós, que somos assim uma espécie de pequenos accionistas, temos tudo a perder com esta situação. O PNR é o único partido que combate frontalmente este estado de coisas.

Que fique bem claro que, com o que acabo de dizer, não estou a defender o regresso ao passado. Não somos saudosistas. A nossa posição deve ser bem clara: não queremos passar ao passado, mas o que hoje nos servem também não nos serve.

4. Não podemos considerar que a Nova Democracia ocupa o espaço do PNR?

De maneira nenhuma! A Nova Democracia é um partido do sistema. Se o Eng.º Sócrates lhes piscar o olho, os neo-democratas vão a correr sentarem-se no colo dele! Alguns dos seus dirigentes disseram com todas as letras que não punham de parte um eventual entendimento com o PS! Isto é, por motivos tácticos e eleitoralistas, os neo-democratas não se importariam de emparceirar com os esquerdistas que defendem o casamento de homossexuais e a adopção de crianças por parte destes, a liberalização das drogas e do aborto, enfim, os que apoiam todas as minorias contra as pessoas comuns, que para eles devem ser os novos “burgueses” ou “reaccionários”.

Se aparecer por aí uma nova seita, de missangas na cabeça, a defender que os seus membros não devem pagar impostos porque tal é proibido pelo chefe da tribo – os esquerdistas defenderão logo os direitos dessa minoria em nome da liberdade religiosa e de costumes.

Tentam impingir-nos hoje o aborto e as drogas com o mesmo entusiasmo com que, há 30 anos, nos impuseram a «via para o socialismo», a descolonização «exemplar» e a nacionalização da economia. Os neo-democratas, pelo que se vê, não se importam.

5. O candidato da Nova Democracia por Aveiro também tem um blogue. Assistiremos a algo inédito como debates através de blogues? Será esse um desafio interessante e inovador?

Publiquei um texto no meu blogue com esse propósito, convidando o cabeça-da-lista da Nova Democracia a iniciar o debate através da blogosfera, tanto que uns dias antes – em entrevista ao “Diário de Notícias” – ele havia solicitado aos demais candidatos que não se furtassem a um debate público. Até hoje, porém, não obtive resposta.

6. Para o PNR, participar em dois actos eleitorais num curto espaço de tempo é um desafio pesado. O que poderíamos considerar nestas eleições uma vitória?

A grande vitória foi alcançada no dia 10 de Janeiro, quando entregámos as últimas listas de candidatos, garantindo a presença do PNR em todos os círculos, excepto a Madeira. Quer isto dizer que o PNR é hoje um partido com implantação verdadeiramente nacional – e com capacidade para, em escassas duas ou três semanas, mesmo sendo apanhado de surpresa com a dissolução do Parlamento, mobilizar centenas de filiados de Norte a Sul do país. Essa foi, sem discussão, a grande vitória.

No que toca ao plebiscito propriamente dito, a este e a outros, o nosso trabalho, não sendo de Sísifo, exige paciência e militância. A nossa vitória será ir conquistando cada vez mais eleitorado, fidelizando-o, de eleição em eleição, e ir passando a nossa mensagem. Um dia, mais breve do que se julga, seremos recompensados.

7. Seria uma vitória o PNR deixar de ser visto como o partido anti-imigração? Ou as políticas de imigração têm de ser o cavalo de batalha?

O combate à actual política de imigração tem que ser um dos pontos fortes do PNR. Os próprios problemas da insegurança e criminalidade crescentes têm que ver com a imigração desregrada. O PNR não pode, porém, esgotar a sua mensagem nessa questão fundamental. Precisa de advogar a defesa inequívoca da nação, hoje ameaçada pelos federalistas de Bruxelas e pelos arautos da regionalização fragmentadora. Precisa, igualmente, de defender uma nova política de natalidade e de defesa da vida, assim como proteger o nosso património histórico e cultural, completamente abandonado e degradado, embora se esbanjem centenas de milhões de euros em estádios de futebol.

Alguns destes pontos são vagamente assumidos por outros partidos, como o CDS/PP, em época de eleições, mas abandonados e esquecidos logo que termina a época de caça ao voto.

8. Com os desejos de uma boa campanha e um agradecimento por esta pequena entrevista deseja fazer algumas considerações finais?

Quero pedir a todos os nacionalistas que se empenhem a fundo nesta campanha e que, no próximo dia 20 de Fevereiro, compareçam em peso para sufragar o PNR.

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