Os substitutos dispensáveis

Por Rodrigo Nunes (publicado no blogue Batalha Final)

Um dos chavões de estimação dos imigracionistas é o de que os imigrantes do Terceiro Mundo, que invadem literalmente o Ocidente, vêm realizar trabalhos que os autóctones não pretendem fazer. Ainda que tenhamos consciência de que sob outras condições salariais, laborais (que são precisamente impedidas de concretização pela pressão que a imigração coloca sob o mercado de trabalho), o argumento cai por terra, é preciso dizer que mesmo fora desse cenário alternativo, isto é, mesmo no contexto da realidade que temos, essa é uma ideia falsa.

Mas embora seja uma ideia falaciosa não deixa de ser constantemente repetida por quem é conivente com a destruição da identidade ocidental. Ao contrário do que os imigracionistas possam pensar (e isto poderá ser um choque, aconselha-se por isso aos mais sensíveis de entre eles que parem imediatamente de ler) a verdade é que antes da entrada numerosa de imigrantes nos países europeus, os autóctones – miraculosamente – já tinham cafés, restaurantes (com empregados e tudo!), já construíam casas, pontes, estradas, colhiam os frutos da terra, conduziam transportes e sabe Deus o que mais – espantosa e inexplicavelmente, é claro. Saindo da realidade ocidental consta que até mesmo em países com políticas de imigração tradicionalmente muito restritivas, como o Japão, todo o tipo de serviços foram sendo efectuados!

Na verdade, assim como todo o género de trabalhos eram realizados antes do início da moderna vaga de imigração de larga escala para o Ocidente, continuariam a sê-lo se ela não existisse. As economias dessas nações não deixariam de funcionar, dar-se-ia um ajustamento dos salários e dos preços, apenas isso.

Curiosamente (ou não), este argumento dos imigracionistas é generalizado a todo o mundo desenvolvido, ele é usado pelos lóbis multiculturalistas em todos os países afectados pelo fenómeno, o que significa que é indiferente às regras a que estão sujeitos os subsídios de desemprego em países com modelos de funcionamento diferentes, dos mais liberais aos menos, dos que têm mercados laborais mais flexíveis às suas contrapartes. De tal modo que os próprios imigracionistas americanos o papagueiam.

Steven Camarota, do Center for Immigration Studies, analisou a questão nos EUA e chegou à conclusão que em todas as áreas onde incide maioritariamente o trabalho imigrante existem percentagens significativas de trabalhadores nacionais no desemprego, ou seja, não existem trabalhos que os nacionais não estejam dispostos a fazer (ver tabelas 5 e 6)*. Conclui também que o desemprego de nacionais tende a ser superior nos sectores onde incide o maior influxo de imigrantes; como esses sectores são os de trabalho menos qualificado acabam por ser os cidadãos mais desfavorecidos a pagar o preço directo mais elevado da torrente imigratória. Finalmente, o estudo contesta a benignidade da permanência no país de imigrantes ilegais e o próprio aumento do número de imigrantes legais.

O que é válido aqui para a realidade norte-americana é extensível, na generalidade, ao mundo desenvolvido. Também no Velho Continente existem autóctones a trabalhar em todas as áreas e também por cá existem desempregados nos sectores mais atingidos pela imigração. A questão não é, pois, que existam trabalhos que apenas conseguissem realização pela imigração mas antes que existem interesses em disputa para controlar o mercado laboral, através da afluência permanente de imigrantes.

* Dropping Out, Immigrant Entry and Native Exit From the Labor Market, 2000-2005.

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