O modelo organizativo do futuro

Por Ernesto Milá

Enfrentamos um momento histórico complexo. O sistema surgido da Europa em ruínas de 1945 parece aproximar-se do seu fim. Se em 1990 morreu Ialta (a divisão europeia em dois blocos), quinze anos depois percebe-se o desgaste terminal do sistema político europeu: desconfiança crescente do eleitorado face às opções políticas tradicionais desde 1945, aumento da diferença entre a Europa Oficial e a Europa Real, crise de crescimento da União Europeia, problemas insuperáveis gerados pela globalização (deslocalização e imigração), etc. Face a estes problemas, as opções políticas tradicionais adoptaram um autismo que, a médio prazo, as conduzirá inevitavelmente à auto-desintegração. Porque o sistema político europeu enfrenta um acontecimento inelutável: o seu prazo de validade pode demorar mais ou menos a caducar, mas a tendência actual assinala uma marcha inexorável em direcção ao colapso final.

Isto marca dois tempos:

1º) Desde o momento presente até ao limite no qual as instituições democráticas entrem em crise ou não estejam em condições de responder às necessidades históricas, e;

2º) A partir desse momento, quando a Europa estará ante uma situação de gravidade excepcional. E isto obriga a prever uma estratégia de longa duração que contemple estas duas etapas.

Na primeira etapa, a actual, as necessidades são óbvias: ganhar peso político, objectivo que passa por uma estratégia eleitoralista. O que implica que há que subordinar tudo a esta estratégia (imagem, programa, táctica), mas sem perder de vista que, à medida que a situação se vá agravando, chegará um ponto em que para avançar será preciso algo mais que uma representação parlamentar e um partido eleitoralista.

Será preciso, nesta segunda fase, uma formação capaz de enquadrar e organizar vastas massas populares, capaz de garantir a autodefesa das comunidades e isto é tanto mais importante quanto, como na actualidade, o exército é uma ficção em países como Espanha e não existe a certeza de que esteja em condições de poder enfrentar, nem uma onda de terrorismo, nem revoltas étnico-religiosas-sociais surgidas a partir dos guetos, nem sequer responder a ameaças interiores que excedam a capacidade anti-distúrbio das forças policiais.

Assim, o modelo organizativo deve prever as necessidades actuais (eleitoralistas), mas também a previsível deterioração da situação (que conduzirá à necessidade de autodefesa). E isto implica, ao fim e ao cabo, que o movimento hoje deve ser uma estrutura eleitoral com capacidade de enquadramento e mobilização, para numa segunda fase, sem abandonar o seu carácter eleitoralista, dar prioridade à capacidade de autodefesa da comunidade.

A perspectiva que temos dos próximos 10 anos é de desagregação do sistema político europeu e da legalidade vigente, somando a isto a debilidade e incapacidade das forças de segurança do Estado e das forças de Defesa Nacional para enfrentar crises graves internas e ameaças exteriores. (…)

Guillaume Faye aludia aos “tempos frios” (os actuais, quando se tem a sensação de que não ocorre nada) e os “tempos quentes” (nos quais a crise se precipita). Nos primeiros, é muito difícil mobilizar as massas, nos segundos, o que é preciso é enquadrar e organizar as massas e é disto que se trata: avançar hoje nos “tempos frios”, mediante uma organização eleitoralista, mas sem perder de vista, o advento próximo dos “tempos quentes”, nos quais fará falta algo mais. E será então que a organização deverá mostrar a sua dureza, a sua coerência, o seu valor para liderar a autodefesa das massas. Assim, o que devemos ter em mente é uma organização facilmente convertível de democrática-eleitoralista em vanguarda organizada da nação.

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