A chave etnopolítica

Por Pierre Vial (traduzido e publicado pelo blogue Arqueofuturismo on-line)

Etnopolítica. Uma palavra complicada, inventada pelos intelectuais que não têm mais nada que fazer? Não, uma palavra muito simples para dizer que a política e o político, os dados políticos, os desafios políticos são determinados largamente pelas questões étnicas.

Sabemo-lo muito bem desde essa Grécia antiga que é “a nossa mãe”, segundo a bonita expressão de Thierry Maulnier. “Étnico” deriva de uma palavra grega, ethnos, que significa “o povo”, “comunidade do povo”. Platão, em A República, afirma que os gregos “estão unidos pelo parentesco e pela comunidade de origem” porque “os povos gregos diferem dos bárbaros pela raça e pelo sangue”. Quanto a Aristóteles recorda, na sua Política, que “é factor de sedição a ausência de comunidade étnica (…) porque, tal como uma cidade não se forma a partir de uma massa de pessoas tomadas aleatoriamente, do mesmo modo ela não se forma em qualquer espaço de tempo. É por isso que entre os que, até agora, aceitaram estrangeiros para fundar uma cidade com eles ou para os agregar à cidade, a maior parte conheceu sedições”. Ilustração destes princípios: os atenienses, inegavelmente reconhecidos como os pais da democracia, tiveram o cuidado de se prevenir em relação aos que denominavam metécos – estrangeiros que residiam provisoriamente em Atenas devido às suas actividades económicas – um estatuto muito específico, não lhes atribuindo nenhum dos direitos políticos e civis de que beneficiavam os atenienses.

Uma questão: a etnopolítica está em concorrência com a geopolítica? Certamente que não. Completam-se. Mas precisando que a etnopolítica determina em grande parte a geopolítica. Simplesmente porque o povo é mais importante que a terra. Que a terra provisoriamente seja perdida não é insuperável. A Reconquista ibérica é o exemplo mais espectacular. Em contrapartida, é insuperável a perda de um povo, a substância viva que ele representa. Esta condenação à morte pode fazer-se por genocídio. Pode também fazer-se pela mestiçagem. Esta solução final miraculosa com a qual sonham todos os que querem o fim dos povos, para desembocar num mundo paradisíaco que seria o de uma humanidade uniformizada, não diferenciada – essa massa tão fácil de robotizar, de dominar, de explorar.

É por isso que estamos em total desacordo – a palavra é fraca – com os que, como Douguine ou os seus associados na França, na Itália, na Espanha ou noutros lugares, consideram como uma solução de futuro a Eurásia, ou seja, um conjunto territorial que agrupa populações europeias e outros povos que não o são, sob o piedoso pretexto de que a terra russa fora habitada, durante a história, designadamente por pessoas que não eram europeias. Esquece-se, ou antes quer-se esquecer, que os russos, esses europeus, não descansaram enquanto não expulsaram ou submeteram à vassalagem esses hóspedes indesejáveis… Podemos colocar, de boa vontade e graciosamente, à disposição daqueles que tenham essa necessidade, um documento auxiliar de memória, sob a forma de cursos de história… Uma história que bem conhece o Presidente Putin e da qual tira as conclusões que o seu povo, incontestavelmente, aprova.

Quanto a nós, preconizando, como grande intenção e grande destino para todos os europeus, a Eurosibéria, não colocamos senão em aplicação o princípio etnopolítico. Um princípio que, se for tido em conta em todos os continentes, permitirá encontrar soluções equilibradas e equitativas para todos os povos. Estes povos, todos os povos, cujo direito à identidade deve ser reconhecido. Se não… agucem os ouvidos. O galope dos cavaleiros do Apocalipse aproxima-se.

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