Uma certa Europa

Por Luís Paulo Henriques (in Revolucion Europea, nº 3, 1988)

O interesse deste curto texto, da autoria de Luís Paulo Henriques, à altura dirigente do Movimento de Acção Nacional (MAN) reside, principalmente, em nos mostrar como a ideia de uma Europa unida estava já presente neste movimento nacionalista português dos anos 80. (Nota da redacção do Causa Nacional)

Sabemos que estamos situados no continente europeu, mas o que se passa é que fazemos parte de “uma certa Europa”, de uma certa forma de ver a Europa.

Na realidade, estamos absorvidos por um “Mercado Comum” de interesses económicos, por um Parlamento de partidos e por um Pacto Militar com centro fora do nosso velho continente.

Nada temos a ver com esta “certa Europa” de que tantos falam, nem com patriotismos chauvinistas que impedem o reconhecimento e o fortalecimento da verdadeira Europa.

Muito pelo contrário, nós desejamos outra visão da Europa, mais solidária, mais unitária, mais federal, uma Europa onde as relações entre países não se façam na base de meros cálculos comerciais, mas sim numa vontade política irreversível de unidade e cooperação. Uma Europa onde não tenhamos de esquecer metade dos seus componentes por pertencerem ao império comunista, em que tenhamos de obedecer na outra metade, às ordens capitalistas.

Não é esta a Europa Alternativa e Nacionalista que desejamos e procuramos, pois não passa de uma Europa colonizada pelos blocos imperialistas.

No entanto e pese embora tudo isto, não desdenhamos esta “certa Europa” com todas as suas limitações, pois é um caminho actual pelo qual convém ir delineando uma certa unificação técnica, económica e legal, à medida que vamos esquecendo certas rivalidades originadas por patriotimos excessivos e ridículos que nos levaram a tantas guerras civis entre europeus.

Um dia Portugal fará parte dessa Europa Unida, onde não seremos escravos nem do poder do dinheiro, nem dos tanques soviéticos.

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