Da resistência silenciosa de um pequeno número

Texto não assinado, extraído do blogue “Legião Vertical

Palavras do Mestre Julius Evola “dirigidas aos Legionários”:

«Apenas conta, hoje, o trabalho daqueles que se sabem manter no cume: firmes nos princípios; inacessíveis a todo o compromisso; indiferentes perante as febres, as convulsões, as superstições e as prostituições, ao ritmo das quais dançam as últimas gerações. Apenas conta a resistência silenciosa de um pequeno número, cuja presença impassível de “convivas de pedra” permita criar novas relações, novas distâncias, novos valores, para criar um pólo que, não impedindo, é certo, este mundo de desenraizados e agitados de ser o que é, permitirá, todavia, transmitir a alguns a sensação da verdade, sensação essa que será talvez também o despoletar de alguma crise libertadora.»

Camaradas, cada vez é mais difícil mantermo-nos fiéis a determinados princípios. Nunca antes tinha a estupidez assumido tantas formas como as que se apresentam na actualidade: desde o maltrapilho ao executivo; do varredor ao político; do subordinado ao subordinante; do aluno ao professor; do operário ao patrão… eles conseguiram, institucionalizaram a estupidez e tornaram-na atraente. Mais, ela é um objectivo a atingir. Escolhe o caminho certo e serás estúpido! Este poderia ser um dos lemas do mundo moderno. Estúpido mas informado, dirão alguns. Sim informados de toda a estupidez!

O que é que realmente nos revolta neste mundo moderno? Poderíamos escrever páginas cheias de coisas de que não gostamos e não ficaríamos saciados. Da mesma forma que é assinalada quase diariamente uma nova doença psiquiátrica para somar ao volumoso calhamaço dos doutores norte-americanos, sempre desejosos de anotar e catalogar os últimos efeitos da modernidade no cérebro humano, também nós teríamos diariamente uma nova crítica a acrescentar.

Evola fala-nos de uma sensação de verdade, talvez o princípio ou a chave para despoletar uma crise libertadora. Gosto de pensar nesta sensação como um pequeno satori (lembram-se do Zen?), que devemos procurar, alcançar todos os dias aquando dos breves momentos de introspecção ou em “meditação formal”. Analisando o que nos rodeia, poderemos dizer deste mundo moderno: – Estou presente mas não te pertenço, é difícil mas agora que a “crise da verdade” se instalou em mim eu não me vou deixar corromper. Até aqui eu estava cego, tinha desculpa, agora senti essa sensação, já não te pertenço.

Diziam-nos os filósofos estóicos que a melhor maneira de ensinar era fazer da sua vida um exemplo a seguir. Este é um bom princípio para pormos em prática entre nós como irmandade que somos, pois partilhamos a mesma “sensação de verdade”. Mas lá fora a atitude a tomar deverá ser um pouco mais reservada, pois a luz do mundo moderno não é a nossa mas sim uma lâmpada psicadélica que embriaga e confunde.

O nosso objectivo é instalar a dúvida, não caindo no erro do prisioneiro da Caverna de Platão que viu a Luz e com a ansiosa bondade de A mostrar aos outros prisioneiros caiu no ridículo e foi condenado por aqueles a quem queria ajudar.

Avé!

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