A tarefa histórica do Nacionalismo Revolucionário português

Artigo anónimo publicado no fanzine Vanguarda (n.º 1, Setembro/Outubro 2003)

A catástrofe histórica do 25 de Abril conduziu esta Nação, outrora soberana, a um abismo espiritual, político e social de incalculáveis dimensões. De império passámos a colónia, de colonizadores a colonizados, de orgulhosamente sós a vergonhosamente acompanhados. Nunca na história nacional se assistiu a um tal estendal de podridão.

A função política transformou-se num trepar frenético de crápulas que em qualquer comunidade decente estariam atrás das grades. A “intelectualidade” desempenha alegremente o seu papel de prostituta a troco de exibição balofa no jet-set local. A burguesia assume o seu papel histórico de sempre: subversão de tudo o que é sagrado, busca do lucro fácil e subserviência perante as ordens do imperialismo sionista americano. O país real, roubado e dominado pela associação de malfeitores que se auto-denomina de “estado de direito”, limita-se, aqui e acolá, a alguns assomos protestatários que, por falta de concepções claras e de enquadramento político, estão condenadas ao fracasso.

Perante este panorama, a questão que se põe aos militantes NR é uma só: que fazer?

A resposta a esta pergunta implica, antes de mais, uma síntese do que foi e é, a área nacionalista portuguesa.

Logo após do 25 de Abril, os nacionalistas viram-se confrontados com uma vaga de repressão para a qual não estavam preparados devido às décadas de «dolce fare niente» regimista a que se tinham habituado.

Os mais agressivos militaram no E.L.P. ou combateram nas organizações armadas que se revelaram o mal menor. Aqueles que se situavam no plano da intervenção político-ideológica formaram agrupamentos diversos (Movimento de Acção Portuguesa, M.I.R.N., Intervenção Nacionalista, Movimento Nacionalista, Frente Nacional Revolucionária e Ordem Nova) que tiveram em comum várias características: a efemeridade e as boas intenções mal servidas por uma ausência de visão estratégica face aos desafios colocados pelo cataclismo abrilista.

A década de 80, aparte algumas iniciativas mais circunscritas (Mocidade Patriótica, Último Reduto, fanzines NR Combate Branco, Vento do Norte), viu nascer a tentativa mais organizada – até agora – de criação de um movimento NR minimamente coerente e activo. Referimo-nos, como é óbvio, ao Movimento de Acção Nacional.

Nos últimos anos apareceram e, em alguns casos subsistem, colectivos ou iniciativas individuais que têm desenvolvido um trabalho válido. Num âmbito estritamente cultural, destinado ao grande público, apareceram duas editoriais que, não sendo da nossa linha ideológica, editam textos de grande interesse: Nova Arrancada e Hugin. Perante isto importa perguntar: quais as razões que têm impedido a constituição de um grupo NR minimamente estável e activo?

Elas são várias e a primeira tem a ver com a lamentável constatação de que não existe uma cultura de resistência e combate político nos chamados Nacionalistas Portugueses. Em França, Itália e Alemanha (para citarmos os exemplos mais notáveis) a repressão policial e o terrorismo intelectual e físico da ralé antifascista exacerbaram e endureceram as falanges NR. Em Portugal, os Nacionalistas mal habituados por décadas de salazarismo só enfrentaram uma situação de grande violência (74/75) e desde logo evidenciaram que não estão minimamente preparados para tal.

A segunda razão relaciona-se com a ausência de um programa ideológico/estratégico realista e atractivo que enquadre um combate político em circunstâncias adversas como são as nossas. Para esta ausência contribuíram a conotação e coabitação (por nós consentida) com os piores resquícios do salazarismo, a assimilação mal digerida e folclórica de certas correntes do NR e a lógica gruposcular com o seu cortejo de paranóias e ineficácias.

A terceira e última razão concerne à escassa formação ideológica da maioria dos elementos das nossas fileiras. Lê-se pouco e mal no nosso movimento. De Evola a F.P. Yockey, de Nietzche a Konrad Lorenz, passando por W. Beveraggi, pelos textos da Nova Direita francesa e outros mais, existe um riquíssimo corpo ideológico/cultural que abrange todas as áreas do pensamento humano e que deve ser explorado.

Face a tal panorama, quais as alternativas/estratégias que se impõem para o progressivo abandono do gueto em que nos encontramos e passar à ofensiva política conciliando os princípios (inegociáveis) com a eficácia necessária?

A nosso ver as opções são duas e complementares: activismo cultural/metapolítico e activismo político.

No plano metapolítico o cenário nacional começa a apresentar alguns sinais animadores com a existência das duas editoras já mencionadas. No entanto, há muitíssimo a fazer neste domínio importantíssimo. Para darmos um exemplo do carácter decisivo da luta cultural, meditemos na infiltração praticada pela esquerda portuguesa no interior do Estado Novo. Com paciente inteligência, a esquerda (a partir dos anos 50) começou a dominar o sector intelectual. A partir da década de 60 e até ao 25 de Abril, Portugal era uma Nação administrativamente à direita e culturalmente à esquerda. A acção dissolvente desta política cultural contribuiu muitíssimo para a implantação da democracia no nosso país.

A outra via (que deve ser preparada e complementada por esta) é a do activismo político. Para termos sucesso nesta opção é conveniente esclarecermos que tipo de erros deveremos evitar.

Em primeiro lugar, é imperioso eliminarmos a mentalidade gruposcular que se instaurou nos NR portugueses. De há alguns anos para cá, assistimos ao proliferar de pequenos grupos que, por falta de visão estratégica (além de outras lacunas) rapidamente decaíram e desapareceram. Esta incapacidade estratégica de romper o gueto em que o sistema nos quer encerrar gerou consequências desastrosas. Uma delas foi a criação de uma neurose sectária. Assistimos assim, nomeadamente em Lisboa, a lutas verdadeiramente grotescas entre colectivos dominados pelos mesmos ideais, chegando-se à baixeza absolutamente intolerável de se difamar bons camaradas que, por razões óbvias da situação em que se encontram não se podem defender.

O segundo erro consiste no uso de actuações que não nos levam a lado nenhum. Passando a casos concretos: de que nos serve organizar campanhas de agitação e propaganda a nível local, regional ou nacional se depois não temos estruturas organizadas para recolher os dividendos daí resultantes? Qual a utilidade de termos publicações, melhor ou pior confeccionadas se não temos meios de canalizar as boas vontades por elas atraídas?

Uma outra vertente deste segundo erro é o uso incorrecto de uma estética e de meios contundentes a ela associados. Este erro tem sido corrente em alguns sectores mais jovens. Desde já esclarecemos que uma coisa é o inalienável direito/dever de qualquer NR à autodefesa, especialmente quando está em risco a sua (e dos restantes camaradas) integridade física, outra coisa é a violência frequentemente alcoolizada – usada como descarga destrutiva de tensões e que nos isola dos elementos mais sãos da comunidade nacional.

Continuando no plano activista político deveremos distinguir duas áreas de actuação: a área juvenil (predominantemente NR) e a segunda área (mais sensível a uma mensagem de contornos menos radicais).

No que diz respeito à juventude é imperioso constituir Frentes de Juventude de cariz estritamente NR. Essas organizações serão independentes ou, no caso de se inserirem no âmbito de movimentos políticos de massas, deverão gozar de grande autonomia. Nenhum sector jovem, dos liceus às universidades, dos campos às fábricas, deverá ficar imune ao Nacionalismo Revolucionário. A nossa mensagem à juventude deverá ser radicalizada, insistindo nos aspectos mais exaltantes da nossa luta: combate activo à Nova Ordem Mundial, aos bandos da classe política, contra a imigração, o tráfico de droga, anti-antifa, racismo anti-português…

Os sectores menos jovens deverão ser abordados na base de propostas concretas de luta contra a insegurança quotidiana, o tráfico de droga, a corrupção dos costumes, a incapacidade dos políticos, etc. Neste segundo caso, a abordagem deverá ser feita evitando o recurso a símbolos e palavras de ordem demasiadamente conotadas com o nosso ambiente. Devem predominar as mensagens objectivas e simples, afastadas de toda a verborreia politiqueira.

Recapitulando, se queremos sair do gueto folclórico e politicamente nulo em que estivemos inseridos até agora (em boa parte por culpa nossa) convém seguir dois vectores: rigor nos princípios e flexibilidade na estratégia. Erros a evitar: neurose gruposcular, folclore estéril, militância esporádica, ausência de formação ético/ideológica e de um programa concreto.

O tempo trabalha contra nós, as oportunidades estão aí para quem tiver a audácia de as agarrar. A bola está no nosso campo.

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