O neo-totalitarismo

Por Filipe Batista e Silva

A questão da liberdade na nossa sociedade é um tema deveras polémico e dá azo a uma grande diversidade de opiniões e interpretações. No meu entender, uma visão que se fica pela convicção de que dispomos de total liberdade de expressão e de pensamento e que existe respeito pelas divergências de opinião é tão incorrecta como inocente.

Desde o 25 de Abril de 1974 que a “liberdade” (ou libertinagem?) se tem tornado, em Portugal, uma prioridade acima do próprio interesse nacional. Tanta é a “liberdade” e tantas são as pessoas que querem opinar que acabamos por cair no extremo em que pouco ou nada se decide. No entanto esta interpretação é, uma vez mais, demasiadamente incompleta e, além disso, tem o “dom” de nos ofuscar a realidade: Desde há algumas seis décadas que uma nova forma de regime totalitário, de hegemonia mundial, tem vindo a implementar-se no âmago das nações e no seio das instituições internacionais, com vista a propagar o seu poder, diga-se, absoluto, em todo o planeta.

As massas vivem num autêntico “sonho cor-de-rosa” no qual julgam possuir algum poder, alguma voz, e serem detentoras de verdadeira liberdade de pensamento e acção. Tudo não passa de uma reles, mas bem montada, ilusão… A verdade é que as pessoas só pensam aquilo que alguns querem que elas pensem. Nas ditaduras políticas tradicionais a filosofia política era imposta declaradamente. Na nova ditadura mundial, a filosofia mundialista é sub-repticiamente incutida, levando à inevitável uniformização efectiva do pensamento. Apesar de se tratarem de manipulações exercidas por entidades com um poder avassalador, elas são feitas de um modo tão dissimulado e paulatino que poucos se apercebem da lavagem cerebral de que estão a ser vítimas. A opinião pública de hoje não passa de uma espécie de plasticina moldável perante as máquinas compressoras, pertença dos grandes lóbis internacionalistas e amorais. Mas o mais grave de tudo isto é que poucos são os que se apercebem do que está realmente em causa, e menos ainda os que têm tido coragem para denunciar e combater este processo.

Certamente que o leitor mais perspicaz e atento identificou já as entidades a que me refiro. Falo, concretamente, das organizações que beneficiam de um mundo globalizado e homogeneizado, e, evidentemente, daquela comunicação social que serve esses mesmíssimos interesses. Essas organizações vão desde algumas indústrias multinacionais, passando por interesses especulativos, até aos poderosos impérios financeiros internacionais, sedeados sobretudo na América do Norte mas também nos países mais ricos da Europa. O leitor porventura pensará que me ocorrem teorias de conspiração. Mas basta que atentemos nos factos e que neles reflictamos para nos apercebermos de como o nosso pensamento tem sido delicadamente conduzido por um vasto número de pessoas e organizações, muitas delas já inocentemente (ou não) mergulhadas nas filosofias neo-liberais mundializantes.

Vejamos como os novos modelos sociais, surgidos ao arrepio das mais antigas e estabelecidas convicções seculares, têm minado, por dentro, as sociedades mais castas. Muitas das revoluções e reformas sociais que o mundo ocidental tem sofrido não são mais do que meios para empobrecer o sentimento nacional e identitário dos povos, e com isso, eliminar o mais poderoso obstáculo à empresa do governo mundial – as Nações. Importa, aqui, denunciar a extrema-esquerda libertária, que, afirmando-se contra o neo-liberalismo e contra a mundialização, tem apenas – através das suas reivindicações de cariz libertário – servido os interesses que aparentemente combate. Surgem, assim, as mais diversas campanhas em torno da despenalização do aborto, da liberalização das drogas e da prostituição, da implementação de salas de chuto, da propaganda do sexo desenfreado (cuja justificação é a SIDA), dos direitos dos (orgulhosos!!!) homossexuais, da impunidade dos criminosos, da tolerância face à invasão imigratória do terceiro mundo, entre outras… Inúmeras políticas sociais erradas são tidas como as mais correctas e acertadas. As vertentes ideológicas da esquerda libertária têm sido extremamente difundidas através de órgãos de comunicação social. Publicitam-se as ideias “que interessam” e desvalorizam-se, ocultam-se ou ridicularizam-se as “que não interessam”.

Quem quer que se pronuncie contra este tipo de corrente, sejam eles patriotas, nacionalistas ou tradicionalistas, são tidos por antiquados, irracionais, ignorantes, quantas vezes “fascistas” ou “neo-nazis”. Está foi, aliás, uma técnica muito utilizada pela União Soviética – o agit-prop. Consiste em diabolizar, primeiramente, um conceito (ex.: burguesia). Em segundo lugar atribui-se o tal termo (sob a forma de adjectivo, ex.: burguês) a todos os que inimigos, desumanizando-os e, com isso, ou seja, sob a capa diabolizadora do termo empregue, conseguem, em gritante ausência de argumentação, pois tornada desnecessária, invalidar – aos olhos e ouvidos das massas – as suas ideias. Esta técnica tem-se revelado extremamente eficaz, sobretudo nos dias que correm. Os constantes insultos dirigidos às forças de oposição, têm o efeito de desencorajar outros a constituírem, também eles, oposição. Por outro lado, esse insulto generalizado, fácil e não fundamentado, é o suficiente para convencer a populaça que a oposição está errada. Quanto a isto, muito poderiam dizer os magnatas dos grandes grupos de audiovisuais e de comunicação social, até mesmo os de carteira profissional portuguesa. O papel que os meios de comunicação, e, em particular, que as televisões adquiriram nas sociedades pós-modernas – a Sociedade da (des)Informação – confere-lhe um enorme potencial transformador/orientador de mentalidades. Como tantos outros avanços da Técnica, também o invento da Televisão, originalmente – cremos – inocente, tornou-se, como temos vindo a constatar, num objecto utilizado para a mais pura e avassaladora propaganda neo-liberal e mundialista que jamais o mundo conheceu.

Também no plano económico o panorama não é favorável. Vejamos como o mercado, no caso português, se tornou permeável às multinacionais. Nada é já genuinamente português! A nossa indústria vem caminhando, já há algum tempo, para a extinção, e a remanescente, tem sido comprada ou substituída por equivalentes estrangeiras. Enfim, os meios produtivos nacionais foram literalmente delapidados. Para isto também os media e os políticos irresponsáveis têm colaborado sem medir a meios. Quando, em ocasião posterior ao atentado de 11 de Setembro de 2001, o presidente norte-americano George W. Bush lançou o repto às nações do mundo, afirmando: “ou estão por nós ou contra nós”, não se referia apenas à chamada guerra “anti-terrorista”, mas também às ideias de mercado livre e de globalismo uniformizador que os americanos nos querem ver incorporar a todo o custo. Isto acontece porque os americanos sabem perfeitamente que com um mundo globalizado sob a sua égide ideológica e com sua supervisão belicista, continuarão a ter todo o poder e dinheiro para as suas luxúrias, enquanto o resto do mundo caminha alegremente em direcção ao abismo, iludindo-se com as “liberdades” deificadas e venerando irresponsavelmente uma miríade de normas e “valores” holiudescos.

Eis, então, caído o véu do ideário “democrático” e “livre” do mundialismo: O fim último é a formação de uma mentalidade mundial, homogénea, permeável a todo o tipo de ameaças às identidades nacionais. Aos poderosos deste mundo jamais servirão os homens verdadeiramente livres! Servem-lhes, isso sim, os autómatos, sobretudo se programados para aceitar qualquer absurdo anti-natural de conveniência. Importa-lhes o lucro, tão-somente o lucro, quanto mais dilatado, melhor. Que lhes importa o meio? Que lhes importa o sangue derramado da história trespassada? Sequer as lágrimas dos heróis ultrajados? Pois claro, há que matar a memória, e, nomeadamente, a saudade dos povos!

A realização da nova ordem mundial está mais perto do que nunca. A sua face mais visível corresponde apenas a algumas organizações internacionais, tais como a ONU, a UE, a OTAN, o FMI, a OMC, o TPI, que, nos seus actuais moldes, são os “moços de recado” de outras organizações, desta feita secretas, obscuras, de cariz maçónico, tais como a Comissão Trilateral, o Grupo Bilderberg, entre outros lóbis internacionais…

Calculadas as vertiginosas alturas do abismo e a cega negritude do seu fundo, avançamos, para já, com uma evidente conclusão – a dos fortes e determinados: Há que combater a maquinaria que nos empurra em direcção a esse abismo! Como? Temos em crer que o sentimento nacionalista, são, renovado, respeitante, no seio dos vários povos, constitui o maior obstáculo ao mundialismo dinossaurico e totalitário – o tal abismo de que falámos. A mundialização, seja ela produto de um capitalismo desalmado e sem fronteiras ou de um comunismo tirânico e de Estado único, será sempre um diabólico atentado ao direito dos povos se organizarem em Nações soberanas, e de, aí, poderem partilhar as suas identidades específicas e leis próprias. Opor à ditadura das “liberdades individuais” e do Totalitarismo Mundial as genuínas Liberdades Nacionais! Parece-nos ser esta a rota que conduz à tradicional liberdade do Homem, por um lado, e ao respeito da Ordem Natural, por outro! Ou não fosse o Homem um ser, além de biológico, espiritual, social e histórico!

Mais do que nunca, os povos do mundo, e quanto a nós, portugueses, devemos estar despertos e atentos para que não venhamos a cair irremediavelmente na cilada que as ‘novas’ ideias e processos globalizantes representam. Sejamos, por isso, cautelosos, e zelemos afincadamente pela manutenção da nossa Pátria una e coesa.

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