Discurso pronunciado no Porto pelo prof. A. J. Brito no passado dia 28 de Maio de 2006

Meus queridos Amigos.

Começo por saudar de entre os presentes aqueles que se bateram no Ultramar. Aproveito o ensejo para estender a minha homenagem a todos os autênticos combatentes, que não os renegados que se proclamam vítimas justas de uma «injustiça».

Recordo agora os nossos camaradas que a morte já levou, desde os mais humildes, como o Luís Ferreira Gomes que quase ninguém conhece, o qual compareceu ainda a esta pequena cerimónia de fidelidade e de protesto quando mal podia andar, falecendo pouco tempo depois, até ao Dr. Menéres Pimentel que jamais faltou, mantendo-se inquebrantável na sua devoção ao pensamento de Salazar — que, de resto, não é inteiramente o meu. E de entre os que se foram, permitam-me que destaque dois príncipes do espírito, como o Rodrigo Emílio, poeta e soldado cuja perda é ainda dolorosa para mim, e o Caetano de Mello Beirão, uma espécie de irmão desde os tempos de Coimbra que, a derradeira vez que esteve presente neste Jantar, foi antes de uma operação de alto risco que enfrentou com plena serenidade e consciência. Lembro-me que, já com dificuldade, transportava as bagagens.

Não esperem de mim palavras de ordem pois não tenho vocação para chefe, pela sublime razão que Pessoa invocava — não sei estrelar ovos. Limito-me a repetir o lema do Rodrigo Emílio — não cedam nem se excedam. E apenas me atrevo na hermenêutica do não cedam a sublinhar o apego às nossas ideias, ideias que importa sempre confirmar pelo estudo e pela meditação.

E, nesta altura, sofram umas curtas reflexões minhas.

Uma nação é uma vontade supra-individual de existir que se projecta num território. A materialidade deste não é o que interessa. A Pátria pode subsistir perdendo territórios, se se bateu bravamente até ao último cartucho. Por isso, a garantia da sua honra está nas forças armadas. Quando estas se sublevam — tendo a certeza de que não encontram resistência — para entregar larguíssimas fracções do solo português, com a agravante de abandonarem, para serem executados, bom número de soldados que pelejaram sob a bandeira das quinas, então chegamos ao fim. Um fim tanto mais ignominioso quando se sabe que essas forças armadas continuam a exibir-se em paradas e desfiles de luva branca, e a restante população acha bem, acontecendo até que fracções da mesma têm o descaramento de aplaudir.

Éramos uma nação e passamos a ser um canapé anárquico da Europa. Diz-se que, em troca, ganhámos imensas coisas preciosas. E começam a enumerá-las. Temos liberdade de opinião. Mas o que é uma opinião? O ilustre pensador Jean-Paul Sartre abriu, brilhantemente, o caminho explicando que o anti-semitismo não era uma opinião. E, hoje em dia, não é uma opinião o fascismo, o princípio do chefe não é uma opinião, o colonialismo não é uma opinião, o fundamentalismo não é uma opinião e o velho aforismo "o interesse geral está acima do interesse particular" não é uma opinião. Na Áustria alemã, esse modelo de liberalismo, um partidozinho foi logo proibido porque proclamava «Gemeinutz von Eigenutz». Isso foi considerado filo-nazismo que, pelos vistos, também não é uma opinião. E assim sucessivamente. A liberdade de opinião é a liberdade de ter a opinião deles, a que desgoverna o mundo. As outras opiniões… não são opiniões!

Acrescenta-se que não há felizmente partido único. Pois não. Procurem, todavia, criar um partido contra o Sistema e vejam onde vão parar.

Há uma lei, brilhante e sábia, que proíbe a formação de partidos fascistas, com uma noção de fascismo tão ampla que abrange o simples corporativismo. O pobre Leão XIII ver-se-ia em bolandas nestes deliciosos tempos!

Mas não possuímos vários partidos? Oh, decerto com tantas diferenças que são todos pela constituição, só pela constituição e apenas pela constituição. Divergem, como se sabe, em decidir, v.g., se para ser proprietário de uma farmácia basta dinheirinho ou é preciso um diploma. Questão vital, consoante bem se percebe. Aliás, não há um só que não seja abrilista, comportando-se todos como secções de um partido único.

Brada-se que acabaram os dogmatismos próprios da outra senhora. Óptimo, diremos. Possuímos, então, a liberdade de ser contra a liberdade. Mas, logo se ouve uma voz severa esclarecer: não, meus caros, não há liberdade contra a liberdade. Com o que a liberdade passa a ser obrigatória: e se é obrigatória não é liberdade. Surge, assim, um novo dogmatismo e o mais absurdo — o dogmatismo da liberdade.

E que dizer da democracia que as massas amorfas e as elites refinadas idolatram com êxtase? Não é um outro dogmatismo e, honra lhe seja, bem falacioso? Se, numa clássica definição, representa o governo do povo pelo povo, afinal o povo é governado e governante ao mesmo tempo? Isto é, ao fim e ao cabo, não há governantes. E não exagero, porque um dos grandes teóricos da democracia, Hans Kelsen, ensinava que só por a anarquia ser praticamente impossível se optava pela democracia! E um filósofo, que nada tinha de reaccionário, Augusto Comte, exclamava (salvo erro) "toda a escolha dos superiores pelos inferiores é profundamente anárquica".

Um último dogma, porém, esse de índole muito especial acaba de surgir — é o holocausto. O holocausto apresenta-se como um facto histórico. Os anti-dogmáticos afirmam com ar grave que a história alemã está sempre sujeita a revisão, a alterações, a novas descobertas e assim por diante. Tente-se, contudo, exercer a crítica sobre o holocausto, apontar aspectos que se assemelham estranhos ou discutíveis. Caem o Carmo e a Trindade, chovem as demissões, as multas, as penas de prisão, sem falar nas injúrias e calúnias, o que é o menos. Até neste canapé anárquico se ergueram os brados de protesto face às declarações do presidente do Irão sobre o holocausto. Até S. Marcelo dos domingos, esquecendo a sua habitual prudência, lá apareceu a sagrar o holocausto qual verdade histórica, esquecendo que há centenas de anos as cortes de Lamego, igualmente, eram uma verdade histórica. Enfim, uma festa!

Talvez, por acaso, na citada Áustria, nessa altura, estava a ser julgado David Irving por negacionismo. Ignoro o que se passou realmente no julgamento e se, como pretenderam as notícias televisivas, ele se penitenciou das suas dúvidas. O que vi foi um belo ar de satisfação por parte do locutor da televisão do Estado e ouvi-lhe, mais ou menos, as palavras "de nada lhe valeu ter mudado de opinião". A Inquisição ainda admitia o arrependimento. Os nossos anti-fascistas são mais restritos. O ter passado pelo cérebro de alguém uma vacilação, depois abandonada, sobre o holocausto já é delito. Isto anuncia brilhantes amanhãs que cantam!

Um personagem que pretende ser das mais altas autoridades espirituais do mundo anda em peregrinação pela terra. Foi visitar o túmulo de S. Luís que morreu em cruzada contra os infiéis? Nem por sombras, que as cruzadas suscitaram pedidos de desculpa por parte do seu glorioso antecessor! Ele marchou para o lugar que é símbolo da nova crença — Auschwitz. Nem o fez hesitar que, em Nuremberga, um dos chefes do campo tivesse falado em três milhões de mortos (o outro faleceu na prisão com um conveniente ataque cardíaco antes de ser julgado na R.F.A.) e o número ter, agora, baixado de cerca de metade. Tão estranha diminuição não o perturbou. E seguiu impávido na sua rota!

É de origem alemã tal pretensa autoridade espiritual. Isto leva-nos a lembrar que a Alemanha deu espectáculos de inultrapassado heroísmo durante a guerra, heroísmo que me faz sentir bem pequenino e de que guardo reverente no coração como modelo para qualquer homem digno. Quanto a grande número de alemães de hoje, nem quero falar.

Procuremos, além das ruínas desta ex-nação, construir o Quinto Império em que reine o princípio — o bem comum esteja acima do bem particular, vigorem a ordem, a hierarquia, a disciplina e seja um só a mandar, porque, como diz Homero pela boca de Ulisses, "o comando de vários não é bom, haja um chefe único".

Viva o Fascismo!

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