Hitler, Nobel da Paz

Por Bruno Oliveira Santos (publicado no blogue "Nova Frente")

A edição de hoje do «Jornal de Notícias», a reboque do espanhol «ABC», titula: Hitler quase ganhou Nobel da Paz em 1938. "A notícia é no mínimo impressionante" — comenta de seguida o plumitivo, que ainda mais aterrado ficou por saber que uma das mais estrénuas defensoras da atribuição fora a escritora judia Gertrude Stein, que publicou o livro «As grandezas e qualidades do Führer». Ora, na verdade a notícia pouco tem de impressionante. O nacional-socialismo manteve relações amistosas com o judaísmo internacional. As SS, então, foram particularmente efusivas no seu apoio ao sionismo. Numa circular interna de Junho de 1934, recomendava-se precisamente o apoio activo ao sionismo, como modo de encorajar a emigração dos judeus alemães para a Palestina.

O oficial das SS Leopold von Mildenstein (Mildenstein, caro leitor, Mildenstein...) e um representante da Federação Sionista, Kurt Tuchler, permaneceram juntos na Palestina durante seis meses, com vista a avaliar a evolução do sionismo naquele território e as possibilidades de fixação de judeus. Logo após o regresso, Von Mildenstein publicou no final de 1934 uma série de doze artigos ilustrados no importante diário berlinense «Der Angriff» (jornal fundado por Goebbels em 1927) sob o título: "Um nazi em viagem pela Palestina". Os textos exprimiam grande admiração pelo espírito pioneiro e realizações dos colonos judeus. O «Der Angriff», com o nobre propósito de celebrar a visita conjunta, lançou mesmo uma curiosa medalha comemorativa: de um lado, a cruz suástica; do outro, a estrela de David. No ano seguinte, Von Mildenstein foi promovido a director da Secção de Assuntos Judaicos das SS.

O jornal oficial das SS, «Das Schwarze Korps», em editorial de Maio de 1935, proclama o seu apoio à causa sionista: «Pode não estar longe o tempo em que a Palestina receberá de novo os seus filhos, tornados a casa ao fim de tanto tempo». A frase, só por si, é bonita. Lida no jornal das SS, chega a ser comovente.

Em Setembro de 1935, o Reichstag aprova as chamadas Leis de Nuremberga, que interditavam os matrimónios e as relações sexuais entre judeus e alemães, e assentavam que a comunidade judaica era uma minoria nacional estrangeira. Tais medidas chocam hoje as mentalidades mais modernas; na altura, os judeus aplaudiram a mãos ambas. Na publicação sionista «Jüdische Rundschau» podia ler-se: «Agora que os judeus foram classificados como uma minoria nacional, será de novo possível o estabelecimento de relações normais entre a nação alemã e o judaísmo. As novas leis permitem que a minoria judaica da Alemanha tenha a sua própria vida cultural, a sua própria vida nacional. No futuro, abrirá as suas próprias escolas, os seus teatros, e as suas associações desportivas. Isto é, pode criar o seu próprio futuro em todos os aspectos da vida nacional».

O deflagrar da II Guerra Mundial não alterou grandemente este idílico estado de coisas. Em 1941, dois anos volvidos sobre o início do conflito, a organização sionista «Combatentes pela Liberdade de Israel» (conhecida como «Lekhi» ou «Grupo Stern») apresentou à diplomacia do Reich uma proposta formal de aliança político-militar. O «Lekhi» era dirigido por Abraham Stern, acolitado pelo jovem Yitzhak Shamir, mais tarde ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro de Israel.

Todos estes factos são mais ou menos conhecidos e demonstráveis, mas permanecem convenientemente afastados dos media, cá por coisas... A versão oficial aponta noutro sentido. E nestas andanças do 'politicamente correcto', não se deve permitir que a verdade estrague uma boa história.

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