O tsunami da escravidão

Por Eduardo Arroyo (Traduzido por Rodrigo Nunes)

Desde a extrema-esquerda mais retrógrada à extrema-direita de Anson passando por todos os governos que temos tido, escutamos sempre o mesmo argumento: a imigração é necessária para manter o sistema de pensões. Assim, quando algum político, submetido aos interesses do capital, queria fazer render o seu lugar entoava o «mantra» de que os imigrantes vinham para aqui salvar as nossas pensões.

Desgraçadamente o Banco de Espanha (BE) informou que, apesar da imigração, o impacto do envelhecimento da população e a escassa natalidade provocará o défice do sistema, não se adoptando novas medidas, particularmente entre 2025 e 2050. Para chegar a esta brilhante conclusão o BE não elaborou simulações com super computadores, constatou tão-somente, com informação do Instituto Nacional de Estatística, que os imigrantes também envelhecem e que, no futuro, exigirão direitos.

No diário neoconservador La Razón (2/4/06) uma tal Rosa Carvajal afirma que «é indubitável que a sua entrada [de imigrantes] no nosso país potenciou a nossa expansão económica e favoreceu a criação de emprego». Mas se tivesse lido o relatório do Serviço de Estudos Económicos da fundação BBVA (3/3/05) saberia que a mão-de-obra imigrante «favorece a moderação salarial», por excesso de oferta, e «facilita a contenção de preços». A salários mais baixos corresponde menor poder de compra e é um facto que o depauperamento das famílias é uma causa directa na diminuição da natalidade. Beneficia isto o país? Indubitavelmente não.

Joaquín Almonia, comissário europeu de Assuntos Económicos, afirmou diante do Colégio de Economistas que faz falta «reformar o sistema de pensões». Já sabemos como é. Por exemplo, nos EUA, segundo o diário El País (2/4/06) «cada vez mais empresas congelam os planos empresariais tradicionais, criados depois da segunda guerra mundial, enquanto promovem com entusiasmo os fundos de aforro para a reforma, os chamados fundos 401(k), que permitem às companhias contribuições mais flexíveis e passar para o empregado os riscos da gestão… Os «experts» asseguram que no futuro muitos trabalharão pela força para evitar cair na pobreza durante a velhice».

Assim estão as coisas, o capital global está a ponto de consumar o negócio do século. Quando faz falta vende a imigração como panaceia para sanear o sistema de pensões. Mas se quer destruir o sistema público de pensões a fim de obter os benefícios dos planos privados, então diz que as pensões não se salvarão nem com a imigração maciça. No final teremos imigração maciça para garantir os salários esclavagistas e não teremos pensões públicas porque haverá que pagar religiosamente o plano de pensões do Banco de ocasião. E ainda dizem que não existe o crime perfeito.

Assim estão as coisas, enquanto nos enchem os ouvidos com a última idiotice do bufão Otegi ou com as mágoas da «alcaldesa» de Marbella, o tsunami da escravidão, fomentado pelo demoliberalismo, avança imparável.

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