Para a compreensão do movimento identitário: Racialismo vs. Comunitarismo

Introdução e tradução de Rodrigo Nunes

INTRODUÇÃO

Pensei inicialmente colocar aqui apenas a entrevista de Benoist e o artigo de Faye que saíram naquele inesquecível número da «Terre et Peuple», mas como alguns talvez não estejam familiarizados com o movimento identitário ou as suas origens decidi fazer uma introdução ao que lerão a seguir, baseada na própria introdução feita por Michael O’Meara no seu estudo. As posições de Benoist e de Faye ilustram as razões que levaram às divergências no seio da «nova direita» e explicam as duas abordagens principais que daí surgiram, por um lado o comunitarismo de Benoist e por outro o «racialismo» de Faye e dos restantes dissidentes do GRECE.

Este número da revista saiu na altura em que Chirac decidira banir o uso do véu islâmico das escolas francesas.

O GRECE foi fundado em 1968 reunindo os nacionalistas anti-liberais que procuravam dar uma resposta aos problemas que surgiam na Europa procurando afastar-se do legado de Vichy, do tradicionalismo católico, do pensamento monárquico ou do neo-fascismo que estariam desacreditados e não poderiam, segundo eles, constituir-se como alternativa ao pensamento dominante de esquerda. Assim a estratégia do GRECE passava por um «gramscismo» de direita que conseguisse controlar os movimentos culturais, acedendo aos meios de comunicação e informação.

No início o realismo biológico dos «grecistas» procurou afrontar os princípios liberais e igualitários em voga mas rapidamente falharam. Logo que esta estratégia se mostrou ineficaz os «grecistas» começaram a repensar a sua estratégia cultural e assim rapidamente abandonaram o seu inicial realismo biológico em nome de um conceito de etnopluralismo que procurava salvaguardar a identidade étnica dos europeus em nome da heterogeneidade cultural. Esta estratégia assente no etnopluralismo tão defendido pelos movimentos anti-imperialistas e de descolonização das décadas precedentes poderia então ser usado para defender a preservação da identidade europeia (se os povos do terceiro mundo tinham direito à sua identidade também os europeus teriam).

O argumento etnopluralista do GRECE tomou a forma de dois slogans: “a causa dos povos” e o “direito à diferença” que procuravam salvaguardar as diferenças humanas pela preservação da identidade específica de cada povo (e assim também a dos europeus).

A estratégia do GRECE acabou no entanto por se virar contra si já que ao promover a heterogeneidade algo mudou na sua posição política; à medida que o etnopluralismo se desenvolveu para lá do que inicialmente era pretendido tornou-se o centro de todo o discurso «grecista» e evoluiu progressivamente para um tipo de multiculturalismo, fazendo a defesa de um comunitarismo “segregacionista” no seio das terras europeias, aceitando a imigração como uma realidade inalterável e com a qual teríamos de lidar. A constituição em plena Europa de comunidades identitárias (incluindo as não europeias) seria assim a única solução.

É aqui que surgem as dissidências no GRECE, já que um grupo de pessoas que inicialmente haviam estado na sua origem deixou de se identificar com essa posição de que as comunidades não europeias seriam agora um facto com o qual teríamos de viver. Guillaume Faye, Pierre Vial, Robert Steuckers, Pierre Krebs, entre outros, abandonam o GRECE e desafiam essa concepção fatalista do destino europeu, rejeitando qualquer solução de compromisso com o igualitarismo liberal e afirmando que o GRECE se havia tornado parte do sistema, estes autores continuaram (e continuam) a acreditar na Reconquista e na preservação da homogeneidade étnica europeia. São os combatentes identitários, como um deles se intitulou. Assim, naquele mesmo número da revista conhece-se uma entrevista com Benoist e um texto de Faye a explicar as suas próprias posições, para usar uma expressão popular, Faye “parte a loiça toda” sem compromissos ou receios…

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ENTREVISTA COM ALAIN DE BENOIST
REVISTA «TERRE ET PEUPLE» Nº 18 (SOLSTÍCIO DE INVERNO 2003)


1. A presente disputa (para saber se as raparigas islâmicas poderão usar véu na sala de aula) fez renascer a questão do comunitarismo. Em numerosos livros e artigos publicados ao longo dos anos, particularmente nas colunas da revista «Eléments» (a popular revista trimestral do GRECE) você assumiu posições divergentes das dos seus leitores. Gostaria de começar esta entrevista perguntando se houve alguma mudança fundamental na nossa sociedade ao longo dos anos (desde o fim da guerra fria, quando assumiu uma última posição pública sobre este assunto) e se, por contraste, o movimento identitário não está hoje melhor preparado para abordar esta complexa mas crucial disputa.

Eu sempre tomei posições contrárias em relação àqueles que não conhecem ou compreendem a minha opinião mas admito que desagradei a alguns ao assumir que a imigração é uma facto e não mais uma opção e que ao entrar numa batalha devemos lutar no seu “terreno” específico e não naquele em que preferiríamos lutar…

O que aconteceu nos últimos 14 anos? As patologias sociais geradas por uma massiva, incontrolada imigração tornaram-se incontestavelmente piores. Estas patologias tornaram a vida mais difícil para milhões de pessoas que não vêem nenhum fim provável para estas dificuldades. Uma consequência disto foi uma certa mudança de perspectiva. A confortável ideia de uma futura reconquista (em que os europeus irão militarmente reconquistar os territórios que perderam para os imigrantes do terceiro mundo) já não é plausível, excepto para uma mão cheia de espíritos que não fazem ideia do mundo em que vivem. Ao mesmo tempo ninguém (excepto talvez os empresários) propõe uma maior abertura das nossas fronteiras – o que, em qualquer caso, já não impede ou garante nada. Se a questão do véu tem suscitado uma tão acesa discussão é apenas porque dá à classe política uma maneira conveniente de lidar com um problema que se tem recusado a encarar. Mas, seja de que forma for colocada, é provável que não exista fim para esta disputa. Pela minha parte, a posição que tomei sobre o assunto no «Le Monde» em 1989, quando ainda era possível escrever, não mudou.

Você tem razão, além do mais, ao descrever o assunto como crucial, mas por isso mesmo é importante não o tratar com slogans ou fantasias. Em relação a saber se o movimento identitário está mais maturo, para isso ser verdade teria de parar de confundir a aparência com a verdade e parar de atribuir a factores étnicos o que Karl Marx atribuía a factores económicos. Acima de tudo o movimento necessita de repensar a noção de identidade, reconhecendo que não é uma essência eterna que permite aos seus portadores evitar a mudança, mas antes uma substância narrativa que lhes permite continuarem a ser eles próprios, mesmo em mudança.

2. O fenómeno comunitário inclui muitas realidades diferentes (ou pelo menos assim aparenta): comunidades formadas por imigrantes não europeus, comunidades baseadas na afiliação religiosa, preferência sexual ou identidades regionais; todas elas experimentam agora um renascer… mas são estas comunidades de valor comparável? Para um comunitário é necessário legitimar qualquer comunidade em nome do “direito à diferença”?

Comecemos por clarificar os nossos termos. Primeiro, existe a noção de comunidade que Ferdinnand Tonnies desenvolveu em oposição ao seu conceito de sociedade. Distintamente das relações mecânicas (ou funcionais) de uma sociedade em que a organização social é baseada na individualidade e nos interesses do indivíduo, a comunidade define uma socialização orgânica. Nos termos de Max Weber, esta noção é um tipo ideal para qualquer colectividade, já que, em diferentes proporções, obviamente, todas as colectividades possuem características que são distintas tanto para a comunidade como para a sociedade. Baseado no trabalho de Tonnies, mas com referencia a Aristóteles surgiu uma escola de pensamento comunitário, cujos principais representantes são Alasdair, McIntyre, Charles Taylor e Michael Sandal. Esta escola alude ao carácter fictício da antropologia liberal, já que o liberalismo apresenta um atomismo individual que existe anteriormente aos seus fins, ou seja, um indivíduo cujas escolhas racionais e comportamentos são motivados por factores exteriores a um contexto sócio-histórico especifico. Para o comunitário, por contraste, as forças exteriores ao indivíduo, de laços sociais ou comunitários são o que constituem e motivam o próprio indivíduo. A identidade, assim, é aquilo que escolhemos ser ainda antes de reconhecermos o que somos, sendo uma “estrutura” herdada que define o horizonte dos nossos valores partilhados e dá significado ao mundo que nos rodeia. Como valor moral específico, a identidade é anterior a qualquer concepção universal de justiça, embora os liberais acreditem que essa concepção deva triunfar sobre qualquer sentido particularista do “bem”.

O comunitarismo responde, assim, à dissolução dos laços orgânicos promovida pelo liberalismo e à crise que provoca no conceito de Estado-Nação, porque a sociedade liberal já não é capaz de gerar formas sustentáveis de sociabilidade. Em reacção, comunidades de todos os tipos, quer herdadas quer escolhidas, procuram agora reafirmar-se na vida pública e sair da esfera privada, esfera individualista em que o liberalismo pensou mantê-las.

3. A sistemática legitimação da diferença por parte do comunitarismo não leva a um impasse? Na realidade não é verdade que certas comunidades rejeitam a diferença ou procuram impor a sua vontade aos outros assim que se tornam dominantes? Em nome da diferença não arrisca o indivíduo negar a sua própria diferença?

O reconhecimento da diferença não é necessariamente angelical nos seus efeitos. Também não elimina o conflito. O direito à diferença ou a uma identidade é muito mais como um direito à liberdade: o seu abuso simplesmente desacredita o seu uso, não o seu princípio. Nisto eu oponho-me a Elisabeth Badinter [filósofa feminista], que, ao justificar o direito à indiferença assume que de cada vez que “enfatizamos as nossas diferenças à custa dos nossos laços comuns” criamos conflito. Identidades comuns podem, de facto, ser tão conflituosas como as diferenças: pensem na «rivalidade imitativa» que o estudioso literário e antropólogo René Girard analisou. O reconhecimento das diferenças não é incompatível com a necessidade de um corpo comum de leis (que na realidade é um pré-requisito) nem necessariamente com noções de cidadania ou de bem comum. O dever do Estado é assegurar a ordem pública, não incitar ao ódio. Similarmente uma política que reconheça as diferenças exige reciprocidade. Aquele que me designa como seu inimigo torna-se meu inimigo. Quem promove a sua diferença negando a minha anula a generalidade do princípio. É assim necessário criar uma condição na qual as nossas diferenças sejam reconhecidas, o que não é possível assim que a imigração, o Islão, o fundamentalismo e o terrorismo são metidos no mesmo saco.

No que diz respeito ao direito à diferença é necessário acabar com certos equívocos. Primeiro é uma questão de direito, não uma obrigação. Ao reconhecer a diferença criamos a possibilidade de viver de acordo com aqueles laços ou ligações que consideramos essenciais, não para o efeito de nos fecharmos nestes ou estabelecer uma barreira. A diferença, além do mais, não é um conceito absoluto. Por definição existe apenas em relação a outras diferenças porque nós nos distinguimos apenas em relação àqueles que são diferentes. O mesmo conta para a identidade: ainda mais que um individuo, um grupo não tem uma identidade única. Qualquer identidade é constituída em relação a outra; isto também é válido para a cultura: ao criar o seu próprio mundo de significado fá-lo sempre em relação a outras culturas. Diferentes culturas não são espécies incomparáveis, apenas diferentes modalidades da natureza humana. Não vamos confundir o universal com o universalismo.

4. Na sua opinião é o comunitarismo uma resposta efectiva para o problema criado pela entrada de milhões de não europeus na Europa? Na realidade não é a comunidade importante porque é função do seu próprio espaço e tempo? Por exemplo, existem comunidades que são mais dinâmicas que outras, especialmente em termos de natalidade. Dado o falhanço da integração dos não europeus a utopia de uma reconquista e um comunitarismo que esconde uma bomba-relógio demográfica, não é isto suficiente para nos tornar pessimistas?

Primeiro deixe-me dizer que onde quer que o homem não consiga encontrar a solução para os seus problemas a história encontra uma por eles. Em segundo lugar a história está sempre aberta (o que não significa que tudo seja possível). Finalmente ao colocar um problema de uma maneira que não tem solução não deveria ser surpresa que estejamos condenados ao pessimismo. Hoje, na Europa existem 52,2 milhões de muçulmanos (25 milhões na Rússia e 13,5 na Europa Ocidental), a maioria dos quais são de origem europeia [Esta afirmação não me parece credível - NdT]. O resto, pelo que sei não é são negros nem asiáticos. Se os europeus são menos dinâmicos demograficamente não é culpa daqueles que o são. Se eles já não sabem qual é a sua identidade, mais uma vez não é culpa daqueles que sabem. Em face de povos com forte sentido de identidade aqueles que não a têm podem reflectir porque razões a perderam. Para este fim podem olhar para a disseminação planetária dos valores de mercado ou a natureza do niilismo ocidental. Numa era de geral «desterritorialização» também pode ser útil pensar na identidade de formas que já não dependam da localização. Pela minha parte, eu dou mais importância àquilo que os homens fazem do que ao que presumem ser…

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A CAUSA DOS POVOS?
GUILLAUME FAYE, REVISTA «TERRE ET PEUPLE» Nº 18 (SOLSTÍCIO DE INVERNO 2003)


A «causa dos povos» [do GRECE] é um slogan ambíguo. Foi inicialmente concebido num espírito politeísta para defender a heterogeneidade etnocultural mas desde então tem sido reclamado por ideologias igualitaristas e defensoras dos direitos humanos que enquanto exaltam uma ordem mundial utópica tentam culpabilizar os europeus por terem vitimado o terceiro mundo.

Falhanço de uma estratégia

Quando os identitários [do estilo do GRECE] tomaram a defesa da «causa dos povos» no início da década de 80, fizeram-no em nome do etnopluralismo. Esta causa, contudo, era pouco mais que uma artimanha retórica para justificar o direito dos povos europeus a preservarem a sua identidade num sistema mundial que pretendia transformar toda a gente em “americanos”. Ao resistir às forças de descaracterização cultural era esperado que os europeus, tal como os cidadãos do terceiro mundo, mantivessem o direito à sua diferença, fazendo-o sem terem de sofrer a acusação de racismo. Como tal o slogan assumia que toda a gente, inclusive os brancos, possuíam esse direito. No entanto assim que este argumento foi utilizado o cosmopolita Taguieff [um académico sobre a extrema-direita], começou a referir-se a ele como «racismo diferencialista» [no sentido em que a diferença cultural e não a cor da pele se tornava o critério de exclusão].

Em retrospectiva, a estratégia da «nova direita» parece uma completa invenção, pois a «causa dos povos», o «direito à diferença», e o etnopluralismo foram todos virados contra os identitários. Mais, é irrelevante para a presente condição da Europa, ameaçada que está por uma invasão massiva de não europeus e por um Islão conquistador ajudados pelas nossas elites etnomasoquistas.

Reclamado pela ideologia dominante, voltado contra os identitários e tangencial aos problemas correntes, a estratégia etnopluralista do GRECE é um desastre metapolítico. Também mantém algo do antigo preconceito marxista, esquerdista-cristão acerca da “exploração” europeia do terceiro mundo. Como Bernard Lugan [africanista francês] mostra em relação à África negra, este preconceito é baseado em pouco mais que ignorância económica. A «causa dos povos» é no entanto associada com um altruísmo de tipo cristão que culpabiliza a nossa civilização, acusando-a de ter destruído todas as outras e fá-lo no exacto momento em que estes estão ocupados a preparar a destruição da nossa própria civilização.

O «direito à diferença»… qual direito? Não tivemos já demasiadas choramingueiras Kantianas [acerca dos direitos abstractos]. Existe apenas uma capacidade para ser diferente. No processo selectivo da História e da vida, toda a gente tem de sobreviver por si. Não existem protectores benevolentes. Este direito de sobrevivência, ainda mais, parece estar reservado a toda a gente menos aos europeus que, em nome do multiculturalismo ou de qualquer outra moda cosmopolita estão condenados a esquecerem a sua própria identidade biológica e cultural.

Este slogan tem outro perigo: ameaça degenerar numa doutrina, um comunitarismo étnico, sancionando a existência de enclaves não europeus nas nossas próprias terras, já que prevê na Europa comunidades de estrangeiros, particularmente muçulmanas que por óbvias razões demográficas terão um papel cada vez mais decisivo nas nossas vidas. Esta afronta à nossa identidade é acompanhada por argumentos sofistas que ridicularizam a “fantasia” de uma possível reconquista branca. Neste espírito é-nos dito que teremos de conviver com uma Europa multiracial, mas eu recuso viver assim, nem estou preparado para me retrair perante um alegado determinismo histórico cujo objectivo é transformar a Europa numa colónia do terceiro mundo.

A vida é luta perpétua

A «causa dos povos» faz agora parte dos argumentos dos direitos humanos. Por contraste a tese neo darwinista de conflito e competição, que assume que apenas os mais fortes sobrevivem parece aos olhos dos nossos comunitários de coração mole um vestígio de barbárie, mesmo se esse vestígio coincide com as leis orgânicas da vida. Esta tese ao reconhecer as forças de selecção e competição é por ela capaz de garantir a diversidade das diferentes formas de vida.

A «causa dos povos» é colectivista, homogeneizadora e igualitarista, enquanto o «combate dos povos» é subjectivista e heterogéneo de acordo com as propriedades intrínsecas da vida. Neste sentido apenas o nacionalismo e o choque das “vontades de poder” são capazes de manter os princípios de vida afirmativos da subjectividade. Dada a sua assumpção igualitária de que todos os povos têm o direito à vida, a «causa dos povos» prefere ignorar óbvias realidades históricas por um objectivismo que procura transformar os povos do mundo em objectos apropriados para uma exposição num museu. Assim implica a equivalência de todos os povos e civilizações.

Este tipo de igualitarismo toma duas formas básicas: uma é expressa num conceito homogéneo mas miscigenado do que significa ser humano (a raça humana), a outra procura preservar os povos e as culturas da mesma forma que um curador faria. Ambas as formas se recusam a aceitar que os povos e as civilizações são qualitativamente diferentes. Assim justificam a ideia absurda que temos de salvar povos e civilizações em perigo (pelo menos se forem do terceiro mundo) da mesma forma que salvaríamos uma foca em perigo. O processo turbulento de selecção da história não tem, no entanto, espaço para a preservação, apenas para subjectividades competitivas. No seu tribunal as doutrinas «salvacionistas» são simplesmente inaceitáveis.

A «causa dos povos» também assume uma solidariedade inerente entre a Europa e os povos do terceiro mundo. Mais uma vez isto não é mais que uma duvidosa construção ideológica que os «grecistas» inventaram no inicio dos anos 80 para evitarem a acusação de racismo. Eu não disponho aqui do espaço para desmistificar a teoria da «exploração do terceiro mundo», contudo explicar as dificuldades destes povos em termos puramente neo-marxistas como se fosse devido às maquinações do FMI, da Comissão Trilateral, do grupo Bilderberg ou qualquer outro belzebu, dificilmente merece resposta.

De acordo com os meios de comunicação e os académicos a «cultura do outro» está agora em estado de sítio em França, ainda que a «afromania» estenda a sua fúria. Eu, por outro lado, penso que não é de todo exagerado afirmar que a descaracterização da cultura europeia por influência norte-americana deixou de ser uma ameaça já que foi largamente ultrapassada por outras ameaças mais perigosas.

A Europa primeiro!

Eu respeito o destino dos, por vezes aflitos, esquimós, tibetanos, povos da amazónia, pigmeus, dos Kanaks, dos aborígenes, dos berberes, dos povos do Sahara, dos índios, dos nubianos, dos inevitáveis palestinianos e dos homenzinhos verdes de Marte. Mas não esperem lágrimas de crocodilo da minha parte. Quando a inundação ameaça a minha própria casa eu posso apenas pensar nos meus problemas e não tenho tempo para ajudar ou chorar por outros; além disso quando é que estes outros alguma vez se preocuparam connosco? Em qualquer caso os perigos que supostamente os ameaçam estão largamente exagerados, especialmente em vista do seu vigor demográfico, o qual, diga-se, é devido à medicina e ajuda ocidental – as mesmas forças ocidentais que alegadamente os exploraram também parecem tê-los tornado prósperos (ou pelo menos a reproduzirem-se em números sem precedente).

Se os nossos comunitários querem realmente defender a «causa dos povos», podem começar pelos europeus, que estão agora a ser assaltados pelas forças demográficas, migratórias e culturais do sobrepovoado terceiro mundo. Em face destas ameaças, não nos encontrarão a choramingar (como um padre) ou a fugir (como um intelectual) para a causa dos «outros». Nós próprios, sozinhos, seremos suficientes.

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