O porquê dos conservadores não poderem ganhar

Por William L. Pierce

Alguns dos meus melhores amigos são conservadores. Gosto deles sinceramente e admiro-os pelas suas virtudes genuínas: pelo seu senso de propriedade e integridade pessoal numa era de corrupção, pelo seu espírito independente e a sua vontade de liberdade individual numa sociedade crescentemente paternalista.

Por isso, espero que os meus amigos conservadores me perdoem por aquilo que estou prestes a escrever.

Uma escolha trágica

Não tenho qualquer dúvida de que se fosse forçado a escolher entre o conservadorismo ou a esquerda – nova ou velha – escolheria o conservadorismo.

Mas felizmente nenhum de nós está confrontado com uma escolha tão limitada. Seria certamente trágico se assim fosse. Seria trágico no grande sentido, no sentido Spengleriano. Estaríamos a fazer a escolha do soldado romano de Spengler, cujos ossos foram encontrados em frente a uma porta de Pompeia – que, durante a erupção, morreu no seu posto porque alguém se esqueceu de o dispensar. Estaríamos a escolher aquilo que é correcto e honrado e conforme às tradições da nossa raça – e condenados a falhar.

Pois os conservadores não podem emergir vitoriosos da luta de vida ou morte em que se encontram envolvidos. Embora os seus oponentes da esquerda radical possam não atingir os seus próprios objectivos, – na verdade nunca os conseguirão atingir porque eles se baseiam numa concepção errónea do Homem e da Natureza – os conservadores demonstraram ser completamente incapazes de evitar a destruição do seu mundo pelos esquerdistas radicais.

Vantagem Revolucionária

Os conservadores não podem ganhar porque o inimigo ao qual se opõem é um inimigo revolucionário – um inimigo com objectivos revolucionários e guiado por um modo de vida revolucionário.

A vantagem sempre esteve – e sempre estará – do lado do contendor preparado para tomar a ofensiva, ao invés de manter apenas uma posição defensiva. E as naturezas evolucionárias do conservador e do revolucionário determinam que aquele terá sempre um papel essencialmente defensivo enquanto que este terá um papel ofensivo.

Sitiado vs. Sitiante

A dicotomia ofensivo-defensivo não se aplica de modo algum à táctica, é claro, mas aplica-se à estratégia. O conservador pode lançar breves contra-ataques – sair da sua fortaleza e avançar sobre o seu sitiante revolucionário – mas a longo prazo ele será sempre o sitiado e o revolucionário o sitiante.

O objectivo do conservador é manter o estado actual, ou, no extremo, restaurar um estado recente. O objectivo do revolucionário é transformar radicalmente o estado actual, ou pô-lo totalmente de lado, para que possa ser substituído por algo completamente diferente.

Nirvana arracial (1)

Assim, o conservador fala de pôr cobro ao crime nas ruas, de manter os impostos baixos, de combater a disseminação das drogas e da pornografia, de controlar os gastos do governo. E o esquerdista luta por uma utopia em que não haverá guerra, “repressão”, “discriminação”, “racismo”, limites à liberdade individual – um nirvana voluntário e arracial de “amor” e “igualdade” e abundância.

Mundo de Fantasia

Os objectivos do conservador podem parecer razoáveis – e alcançáveis. Os objectivos dos esquerdistas, por outro lado, assentam num mundo de fantasia muito para lá dos limites da realidade. E é precisamente isso que dá a vantagem à esquerda. Quando o conservador consegue algum pequeno ganho – eleger um conservador – é provável que se comporte como se já tivesse ganho a guerra. Vislumbra a realização dos seus objectivos ao virar da esquina, baixa a guarda, e recosta-se para gozar os frutos da sua vitória imaginada. Mas o esquerdista nunca está satisfeito, independentemente das concessões que lhe sejam feitas, pois a realização dos seus objectivos mantém-se tão remota como anteriormente.

O conservador funciona por impulsos. Ele reage alarmado às novas depredações da esquerda, mas fica satisfeito se for capaz de recuar, reagrupar, e estabelecer uma nova linha de defesa. O esquerdista continua a insistir, sondando, avançando, dando um passo atrás agora, apenas para dar três em frente no futuro.

Derrota por Metades

Se o esquerdista faz novas exigências – por exemplo, a integração racial forçada das escolas ou bairros – o conservador irá opor-se apelando à manutenção das escolas de “vizinhança” e à “liberdade de associação”. Quando a poeira assentar, o esquerdista terá obtido talvez metade do que queria, e o conservador terá perdido metade daquilo que tentou preservar.

Mas depois o conservador aceitará o novo status quo, como se as coisas sempre tivessem sido assim, e preparar-se-á para o defender de novos ataques da esquerda com a mesma inabilidade demonstrada na defesa do estado anterior.

Ideologia Perversa

Esta posição em constante mudança é para o conservador uma desvantagem quase tão grande como a sua crónica incapacidade de tomar a iniciativa. A esquerda revolucionária tem uma ideologia, por mais perversa e contra-natura que seja, e desta ideologia provém a unidade e continuidade de propósito que são pré-requisitos indispensáveis para a vitória.

O que podem os conservadores, por seu turno, olhar como um credo de combate, um princípio imutável pelo qual estejam dispostos a sacrificar tudo? Eles têm recuado tão rapidamente nos últimos 50 anos que perderam completamente a noção de onde se encontravam anteriormente. Simplesmente recuaram sobre o horizonte ideológico.

“Racistas” são Radicais

Consideremos a raça, por exemplo. Há cerca de meio século homens como Madison Grant e Lothrop Stoddard eram porta-vozes da posição conservadora sobre a raça. Eles defendiam eloquentemente, embora defensivamente, a preservação da identidade racial do Ocidente mantendo rígidas barreiras contra a miscigenação, adoptando políticas razoáveis de imigração, e aplicando padrões eugénicos ao problema da qualidade populacional. Hoje em dia nenhum conservador “responsável” seria apanhado com os livros de nenhum destes homens na sua estante da sala, pois pelos actuais padrões conservadores eles são “racistas” – daí, “radicais”, e não conservadores respeitáveis.

A armadilha da livre iniciativa

E que tal resgatar o sistema de livre iniciativa das maléficas maquinações do Grande Governo?

Na verdade o sistema de livre iniciativa ainda estava relativamente intacto durante o período em que forças hostis subverteram o nosso governo e assumiram o controlo dos nossos países, e não podemos dizer que a livre iniciativa os tenham abrandado nem um pouco. As pessoas que obtiveram o controlo dos nossos maiores jornais e indústria cinematográfica e das nossas estações de rádio e televisão fizeram-no com a ajuda da livre iniciativa, e não apesar dela.

Mais do que Economia

Estas observações não devem ser consideradas uma condenação da livre iniciativa per se, nem uma diminuição da importância dos problemas económicos em geral; mais do que uma nação entrou em ruína devido a má gestão económica. A questão é que os nossos problemas actuais são mais profundos do que qualquer reforma governamental possa aspirar a curar ou mesmo melhor substancialmente.

A juventude americana é suficientemente inteligente para reconhecer estas coisas por si só, e, consequentemente, não os devemos culpar de não chorarem o fim das nossas instituições de governo ou do capitalismo laissez-faire.

A esquerda consegue encontrar bastantes jovens fanáticos desorientados dispostos a imolarem-se ou a rebentar com uma esquadra de polícia para fazer avançar a causa da “igualdade” ou da “paz”, mas a ideia de jovens a montar bombas em caves escuras para por um fim ao imposto progressivo ou às deduções para a segurança social é simplesmente ridícula.

Enquanto os conservadores não oferecerem algo de mais inspirador à juventude, esta não se reunirá em torno do seu estandarte.

As duas principais falhas do conservadorismo – falta de um espírito agressivo de activismo e falta de uma base ideológica claramente definida – andam de mãos dadas. Não se pode ter uma sem a outra.

Fins Últimos

Nas palavras de um extraordinário líder anti-comunista: “A falta de uma ideia grandiosa, criativa significa sempre uma limitação na capacidade de luta. Uma firme convicção no direito de usar toda e qualquer arma está sempre ligada a uma crença fanática na necessidade de vitória de uma nova ordem revolucionária sobre a terra”.

“Um movimento que não lute por tais ideias e fins últimos nunca recorrerá à derradeira arma” … e, escusado será dizer, nunca emergirá vitorioso de uma luta com um oponente tão motivado.

Revolucionário vs. Revolucionário

Embora o conservadorismo não possa vencer a esquerda, uma nova força revolucionária, com a base espiritual que falta ao conservadorismo, e sendo ainda mais arrojada e determinada do que as forças da esquerda, pode vencer!

Essa nova força revolucionária está a ser construída neste momento. As suas fileiras estão a ser preenchidas por jovens disciplinados e idealistas.

Eles não se revêem no libertinismo de drogas e sexo da esquerda nem no libertinismo económico da direita.

Uma Nova Ordem

Eles lutam por uma nova ordem, baseada não nas modas e caprichos do momento, mas nos valores fundamentais da raça e personalidade – valores que outrora guiaram o homem ocidental ao domínio da terra e que ainda lhe podem voltar a dar esse domínio e guiá-lo à conquista do universo.

Eles sabem que longe vai o tempo em que a retórica conservadora ou os votos conservadores poderiam ter salvo o dia. Eles compreendem que a salvação do Ocidente está nas mãos de jovens de mundividência e espírito revolucionário que estão fartos de conversa e ao invés estão dispostos a fazer tudo o que for necessário para recuperar a sua nação.

Este ensaio foi publicado originalmente em Attack! (um tablóide antecessor da revista National Vanguard), número 4, em 1971.

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Notas:

1. No original em inglês aparece a expressão “Raceless Nirvana”. Não havendo uma palavra em português equivalente a raceless (sem raça), preferimos utilizar um neologismo – arracial – para transmitir a ideia de ausência de raça.

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