Considerações sobre uma reserva

Por Miguel Jardim

A entrevista por mim concedida à Causa Nacional suscitou as mais variadas críticas e reacções. Ainda que não tencione hierarquizar as mesmas, aliás todas elas caracterizadas pela cordialidade e respeito, saliento particularmente os comentários amáveis proferidos pelo meu amigo Dr. António Cruz Rodrigues, no "blog" da Aliança Nacional. Todavia não posso, em consciência, deixar de responder à reserva que me foi colocada a respeito da minha apologia de um nacionalismo de feições marcadamente etnicistas.

Assim, reafirmo que para mim, a etnicidade e a raça são conceitos incontornáveis a uma verdadeira e radical reflexão sobre o nacionalismo. Estas são pilares do nacionalismo de sempre!

Evidentemente que sempre acompanhadas de outros factores de identificação como são a língua, a religião, a cultura, os costumes, o legado histórico, os patrimónios artísticos e arquitectónicos...

Tal postura não implica, longe disso, o aniquilamento e a destruição do "outro", possuidor de um registo etno-cultural diferenciado. Salvo se este vier a constituir-se como inimigo do meu lugar (oikos) histórico-territorial e da minha vivência civilizacional.

Reclamar e preservar a minha identidade etno-cultural não supõe, nem obriga a extinção de outras identidades. Pior racismo é o que pretende diluir todas as marcas antropológicas e culturais numa massa anónima e descaracterizada. Quem não é capaz de se reconhecer no local extingue-se no universal! Seria o mesmo que projectar um arrojado edifício em altura negligenciando as fundações!

A assumpção do que somos é sempre encaminhada no sentido da positividade e da afirmação construtiva do nosso porvir. A intenção não é repetir erros trágicos cometidos no passado...

E é por essa razão que comparar a minha atitude filoétnica ou racialista, a ideologias de outro tempo e de outros lugares, parece-me exagerada e precipitada. Ao fim ao cabo não foi o enraizamento étnico e o apego às tradições culturais e religiosas que garantiram a sobrevivência de povos tão diferentes como os Israelitas, Palestinos, Bascos, Afrikaners, Arménios, Kurdos, Gregos, Bretões, Aromenos, Tibetanos, entre outros?

É lógico e curial que o definido e o identificado se regem pelo princípio da generalidade e, por razão de maioria, o povo Português e Europeu (branco). O eventual benefício de uma qualquer excepção só nos pode reforçar e confirmar esta regra.

Alterar a realidade antropológica e cultural do nosso povo distorce e subverte a sua herança e memória histórica. Afinal os árabes não foram expulsos e os judeus obrigados a converterem-se?

Se, por força da invasão e colonização demográfica, a textura étnica dos Portugueses fosse transfigurada, não se poderia mais falar de Portugal tal como hoje o concebemos. Provavelmente seria mais uma "crioulice" espartilhada em castas antagónicas entre si. Exactamente o oposto de uma comunidade de destino comum. Para não falar dos custos económicos e sociais de uma sociedade assim estratificada e conflitual. Esta imagem é infelizmente bem real para quem vive "ilhado" entre os "bairros sociais", vulgo zonas ocupadas!

Acrescente-se que todos os indicadores na esfera económica e social demonstram-nos categoricamente, que as nações cultural e etnicamente coesas desfrutam dos mais elevados e prósperos níveis de vida. Até o politicamente correcto Manuel Castells reconhece e confirma este dado.

E mais ainda: definir uma nação como multirracial e multiétnica é incorrer no contraditório. E secundarizar a concepção jacobinista do "nacionalismo da cidadania", herdeiro da revolução francesa, destruidor e assimilador de qualquer veleidade regional, linguística. Que o digam os Bascos, os Catalães, os Alsacianos, os Corsos, os Bretões e os Occitanos em França! Todos preteridos e desrespeitados em proveito de um qualquer árabo-berber recém-chegado. Atinge-se o limite do etno-masoquismo!

Por clássica definição a nacionalidade caracteriza-se por um máximo de homogeneidade cultural e étnica. O inverso significa o confronto e a disputa, sobretudo se as etnias são antagónicas.

Afinal não é este o motivo invocado por Israel para teimar em qualificar-se etnicamente e culturalmente como estado judeu, separando claramente o conceito de pertença étnica da pura cidadania jurídica...

Em suma: uma concepção de estado e de nação fixada pelo conceito "volkisch", o mesmo que é ironicamente recusado e negado a outros povos! A este propósito aconselho a leitura do livro "Aux Origines d'Israel", Gallimard, escrito pelo conhecido investigador Israelita, especialista do fascismo, Zeev Sternhell. Bastante esclarecedor...

E mesmo no aparente "melting pot" norte-americano, Samuel Huntington, autor de "Choque de Civilizações", e Pat Buchanan consideram a imigração Mexicana, Haitiana e Caribenha como a maior ameaça à matriz etno-cultural dos Estados Unidos. E que me conste, estas duas personalidades não são propriamente dois perigosos "neo-nazis"!

O que na verdade assistimos hoje no mundo é a eclosão das referências identitárias mais profundas, epidérmicas. Contudo, é paradoxalmente na concepção dos grandes espaços civilizacionais, organizados politicamente em Confederações e Comunidades de destino que será possível garantir e respeitar as identidades de todas as nações. Uma releitura cuidada de Althusius impõe-se.

A busca de novas formas de relacionamento entre estados será uma constante do futuro, o actual entendimento de soberania, herdado de Jean Bodin, será revisto e actualizado. As novas circunstâncias históricas, económicas e sociais irão ditar a necessidade da Europa se unir em torno dos seus valores civilizacionais comuns. No mundo em que vivemos, a raça branca já está em minoria, e pretender ou fingir que os "outros" nutrem por nós uma simpatia congénita é resvalar no angelismo político. E não tomar em consideração a actual correlação de forças a nível mundial. E não tirar conclusões das imagens chegadas de diversas partes do chamado "terceiro-mundo". Não definir a identidade do nosso verdadeiro inimigo ser-nos-á fatal! Convirá fazer-se uma leitura da história a partir do olhar daqueles que foram colonizados e ocupados no passado. Um exercício obrigatório para a compreensão da realidade em que vivemos!

Não pretendo alimentar polémicas estéreis, que muitas vezes levam a mal entendidos, mas penso que esta troca de ideias tem o mérito de revelar a pluralidade ideológica do movimento nacionalista e identitário. Demonstra-nos também a coexistência de diferentes famílias de pensamento e de diferentes olhares sobre Portugal, desmentindo a ideia preconceituosa de que reflectimos todos pela mesma "cartilha".

Reitero que é possível e desejável, um compromisso de unidade entre todos que amam Portugal.

Não creio que alguém de bom senso e preocupado com o nosso futuro como Povo, possa claudicar perante a colonização e ocupação demográfica de que estamos sendo alvo. O que hoje enfrentamos é uma lenta "bomba atómica" humana, destruidora do nosso "modus vivendis".

Se os povos Europeus, incluindo o Português, não responderem colectivamente a esta ameaça, então temo que a história do futuro me venha tragicamente oferecer a razão.

Creiam-me.

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