Entrevista a Miguel Jardim

Entrevista realizada em 2004 pela redacção do Causa Nacional a Miguel Jardim, destacado militante nacionalista e actual dirigente da Causa Identitária

1. Acredita que o pensamento nacionalista pode ser uma alternativa a este sistema?

Antes de responder à pergunta impõe-se uma breve classificação tipológica do que se entende por nacionalismo. Este resulta da ideia de nação, conceito mais ou menos recente, pois só a partir do século XVIII é que se pode falar com propriedade, de nações estruturadas juridico-constitucionalmente em Estados. Contudo, tal não implica a ausência de Identidades etno-culturais e psico-linguísticas pré-estatais, aquilo a que eu apelido de comunidades enraizadas na mesma herança e tecido étnico, fundadas no idêntico substrato cultural, religioso e costumeiro.

Dito isto, é óbvio que para mim a nação não é, de forma alguma, uma expressão contratual, jurídica, circunstancial, teoria esta subjacente ao "nacionalismo cívico", resultante da revolução francesa e identificado genericamente com a escola do nacionalismo liberal, do qual um dos maiores teorizadores foi Mazzini.

A nacionalidade neste caso, resulta de uma aquisição jurídica, voluntária, contratual, optativa. O critério da pertença nacional é o "jus solis", o culminar desta filosofia é o artificialismo contemporâneo de vermos equipas de futebol Europeias compostas na maioria por jogadores africanos! Ou seja, a nacionalidade enferma de um liberalismo desagregador, acabando também ela (a nacionalidade) por ser mais uma peça mercantilizada no espaço anónimo do mercado mundial, onde tudo é mercadoria.

Esta visão do "nacionalismo" liberal desagua inevitavelmente na edificação de estados jacobinos, imperiais, centralizados, aniquiladores das Identidades e particularismos regionais. Dando origem a nacionalismos de cariz expansionista, triunfalista, bem expresso nas potências coloniais do século XIX.

Oponho-me frontalmente a tal concepção de nacionalismo, inspirador de trágicas rivalidades nacionais entre nações Europeias, levando povos Europeus a confrontarem-se entre si, esquecendo as suas remotas origens comuns. Esta realidade normalmente desvia as atenções dos Europeus perante os seus reais e verdadeiros inimigos. A coberto do direito universal à cidadania destroem-se as culturas locais há muito enraizadas em territórios bem delimitados.

Ancorada na concepção "volkisch" (1), Identitária da nação, a minha definição de nacionalismo prende-se com a Identidade mais profunda e vetusta de todos os povos Europeus. A afirmação nacional é respeitadora e amistosa para com todos os outros povos irmãos, exactamente na medida em que estes respeitem a minha identidade nacional.

É etnicista porque é na etnia que se estabelece a primordial fronteira definidora do que somos perante o "Outro". Só as nações conscientes da sua raiz étnica podem sobreviver num mundo já demais cosmopolitizado e globalizado. Nesta linha de pensamento a nação é Comunidade antes de ser estado. É a imensa família onde todos partilham e comungam dos mesmos valores, da mesma língua e da mesma etnia ou raça. Só se pode participar no universal quando se assume o particular.

A nacionalidade é sempre uma herança que nos foi legada pelos nossos antepassados. A aquisição da nacionalidade pelo mérito e pelos vínculos familiares é a excepção que confirma a regra. O "jus sanguinis" deve prevalecer na atribuição da nacionalidade.

O nacionalismo só poderá ser alternativa ao sistema se for acompanhado de propostas ao nível ecológico, social e económico. A denúncia e crítica do capitalismo liberal é condição "sine qua non" para uma resposta consequente aos problemas com os quais se defrontam todas as nações Europeias. A resposta política consensual no quadro Europeu reside no Confederalismo de geometria variável, o caminho mais viável e realista para a construção de uma sólida unidade Europeia, apesar de eu defender uma integração mais sólida, sempre de acordo com a vontade das populações Europeias. O princípio da subsidiariedade assegurará simultaneamente a independência e integração igualitária de TODAS as nações Europeias. Só assim se pode enfrentar os perigos iminentes e emergentes: capitalismo internacional islamismo, China.

No plano económico os sectores chave devem ser controlados directa ou indirectamente pelo estado comunitário nacional ou pelos seus municípios e regiões. O denominado sector social da economia, cooperativas, mutualidades, associações e fundações deve ser dinamizado e apoiado de modo a fortalecer o tecido social da comunidade.

Em suma, a vontade de inovar o discurso nacionalista, libertando-o de "chavões", erros do passado, leva-nos a propor caminhos que sejam realistas, pragmáticos, sem perder ou esquecer as raízes da memória histórica. É essa a via das correntes Identitárias. O retorno à Identidade fundadora dos nossos antepassados, impregnada de justiça social distributiva, combatendo a invasão dos nossos territórios. Essa é a alternativa.

2. Porque é que a esquerda não pode representar essa solução?

Um prévio esclarecimento: esquerda e direita são conceitos cristalizados no lugar histórico. Dito assim, devo dizer que a esquerda não pode constituir-se como nenhuma alternativa, as suas propostas não representam, nem coincidem com o grito de revolta de muitos trabalhadores explorados e objectizados pelo antigo e novo capitalismo liberal de matriz financeira e especuladora. Esquerda e direita encontram-se hoje, de mãos dadas, no centro do neo-liberalismo.

O pensamento da esquerda contemporânea enferma de contradições genéticas, de incapacidade de leitura dos sinais de catástrofe económica, social e ecológica. Padece de uma esquizofrenia discursiva, pois expressa o que não quer praticar: ao mesmo tempo que predica o igualitarismo, a justiça social e uma melhor distribuição do rendimento e da riqueza, corteja e bajula os sectores mais "reaccionários" do sistema financeiro, anónimo e mundialista, dissolvendo assim as identidades nacionais e regionais.

Almeja a edificação de um sistema social obrigatoriamente homogéneo, de "escravos" produtores/consumidores pretensamente "felizes". Em síntese: é a própria negação do sentido real da democracia, subvertendo a vontade real das populações. Quem é, por exemplo, a favor da invasão do seu território? Contudo, os órgãos de comunicação social manipulam descaradamente, ou não, a realidade social oferecendo-nos uma distorcida imagem da mesma. Vive-se numa ficção da democracia!

Encarcerada no seu beco ideológico, a esquerda busca novos "mercados", isto é, todas as minorias passíveis de serem instrumentalizadas e manipuladas. Daqui resulta o estímulo ao homossexualismo ideológico, a defesa das minorias étnicas, ao feminismo radical, etc.

Por outro lado, o tecido social tradicionalmente apoiante de todas as esquerdas recorre, cada vez mais, a sectores alternativos de "extrema-direita" ou ecologistas. Eleitoralmente este fenómeno foi bem evidente em França, onde bairros operários transferiram o seu tradicional voto no partido comunista para a Frente Nacional. Ou seja, a identidade étnica e social ameaçada pela invasão de não-europeus, prevaleceu sobre a pretensa e idealizada solidariedade internacionalista operária.

Face a esta realidade social a esquerda encontra-se desarmada. Ela encarna uma visão angélica do mundo, oposta às pulsões mais intrínsecas de todos os povos: a raça, a língua, os costumes, a identidade. Contudo, a chamada direita – não gosto da designação – terá que refundar o seu discurso, enraizando-o nas tensões sociais e étnicas que pairam nas nossas sociedades. A justiça social distributiva e a ecologia são temas que foram confiscados pela esquerda, mas que devem retomar a sua fonte original. A chamada "direita" terá que intrometer-se em áreas que supostamente eram monopólio das esquerdas, demarcando-se claramente de um "reaccionarismo" balofo, instrumento de privilégios e injustiças.

O futuro pertence ao eterno confronto entre os nossos mais profundos arquétipos. Em tempos de crise, eles irrompem com toda a força. Não entendendo isto, a esquerda nunca poderá ser alternativa a coisa nenhuma. Os seus valores negam e aniquilam a nossa mais antanha Identidade. E é aqui que reside o problema: recusamos ser aniquilados.

3. Na sua opinião que perigos ameaçam a Europa?

No meu entender, os perigos que ameaçam a Europa são:

1. A "Iminvasão" física da Europa de milhares, senão milhões, de não-europeus.
2. O islamismo.
3. O capitalismo internacional de matriz neo-liberal e financeira.

Comecemos pelo primeiro ponto. A presença, cada vez maior, de não-europeus no nosso espaço civilizacional incrementa – as estatísticas assim o provam – a delinquência, a criminalidade, o desemprego, o tráfico de pessoas e estupefacientes. A descaracterização das nossas cidades europeias é um processo em curso e que não parece diminuir. As cidades europeias mais se assemelham a urbes do terceiro mundo, autênticos "guetos" vão surgindo nas periferias das metrópoles, viveiros da violência étnica contra os europeus.

O nosso espaço público é ocupado pelos "iminvasores" em detrimento das nossas crianças e idosos, remetendo os nacionais autóctones para espaços e condomínios fechados. Não podemos usufruir livremente do nosso próprio território, pois este já está ocupado por bandos étnicos.

A visão trágica, mas profética, de Jean Raspail, no seu livro "Le Camps des Saints" passou a ser uma realidade visível aos olhos do europeu comum. A Europa é agredida quotidianamente nos seus aeroportos, fronteiras terrestres e marítimas, não falando dos "iminvasores ilegais".

A chamada "bomba atómica" do terceiro mundo, o seu galopante crescimento demográfico, rebenta diariamente nas maternidades europeias, enquanto os nossos governos se apressam a conceder a nacionalidade aos novos rebentos, ainda que os progenitores tenham desembarcado ilegalmente há um mês em território europeu! Escandaloso...

Recentemente a Irlanda deu-nos um bom exemplo de como devemos actuar, alterando a sua lei da nacionalidade no sentido de consagrar o "jus sanguinis". Com efeito, a mudança da lei da nacionalidade deve ser assumida com carácter de urgência e deve ser tomada por todas as nações europeias. É um bom caminho a seguir.

2. O islamismo, pela sua própria natureza ideológica e teológica, é inimigo dos povos Europeus. No decurso da sua história, a Europa foi invadida, pilhada e ocupada por povos (Árabo-berberes e Turcos), que utilizaram o islamismo como arma ideológica e religiosa, para justificar e defender a ocupação e invasão do nosso continente. A história de Portugal assim o confirma!

Actualmente, a par da invasão física de muçulmanos, redes islâmicas de inspiração fundamentalista e integrista proliferam na nossa sagrada terra, utilizam as mesquitas e organizações pseudo caritativas como bases de propaganda e divulgação dos seus objectivos inconfessáveis. Guillaume Faye, nos seus livros, bem nos alerta para este facto. Nos seus fundamentos o islamismo é uma religião totalitária e expansionista. Completamente incompatível com os valores europeus de liberdade, respeito pela mulher e laicidade do estado.

Oposto ao Cristianismo, pelo menos nas suas raízes, pois aquele é uma religião do foro individual e separada do poder político como tal, o islamismo constitui-se como uma cosmovisão total, totalitária e globalizadora, impondo o seu conceito de "sagrado" através de um livro, o alcorão, utilizando-o como fonte legislativa (sharia), afirmando o árabe como língua do divino e como expressão mais perfeita existente na terra.

Infelizmente alguns sectores nacionalistas europeus encaram o islamismo como um aliado geoestratégico contra os poderes mundialistas, financeiros e especuladores. Tal perspectiva, baseada na tese "inimigo do meu inimigo, meu amigo é" incorre em graves incorrecções de análise histórico-política, como de uma imensa ignorância sobre o que é o islamismo e as suas secretas ligações com o mundo mundialista e financeiro. O islamismo é, precisamente, uma das ideologias que se pretende mundialista e redutora da humanidade a um gigantesco coro uniformizado, descaracterizado, alinhado em preces a Allah em árabe. Como é possível minimizar esta realidade?

A ameaça islâmica chega-nos pelos "iminvasores", cidades como Paris e Bruxelas, reproduzem bem o que aqui é afirmado. Só interesses obscuros e ingénuos podem, por exemplo, defender a adesão da Turquia à União Europeia. Tal entrada significaria que os Estados Unidos, através da sua "mão invisível" continuaria a dividir os europeus, impedindo a Europa de se organizar como um bloco geopolítico coeso e poderoso. A Turquia seria também a porta-voz, no seio da Europa, das comunidades islâmicas invasoras.

É por todos estes motivos que a Turquia não é bem-vinda à família Europeia. Ela é um foco de desestabilização e conflito, sendo o seu islamismo uma religião visceralmente inimiga da civilização Europeia. Ambos foram nossos inimigos no passado, são no presente e serão no futuro. Não esqueçamos Covadonga, Lepanto e Viena!

3. Capitalismo liberal de matriz financeira e especuladora.

O capitalismo liberal, no seu estádio financeiro e especulador, desempenha um papel instigador e inspirador do movimento imigratório invasor.

As consequências deste sistema predador repercutem-se na baixa de salários e na maximização dos lucros das grandes empresas capitalistas transnacionais. O trabalho passa a ser precário e liberalizado, não passando, aos olhos dos neo-liberais, de mais um valor a ser mercantilizado no mercado global.

Os consumidores, perante a hegemonia cega do mercado, acabam por engolir "gato por lebre", a economia parasitária ligada aos meios criminosos internacionais lava o seu capital no anonimato das conta bancárias secretas e nas sociedades anónimas, sem qualquer tipo de controlo político.

No plano ecológico é bem evidente a destruição dos recursos naturais para fins meramente lucrativos, sem nenhuma preocupação ambiental ou estética. Veja-se o exemplo da especulação imobiliária nos grandes centros urbanos!

Adjacente a este sistema económico, a sua super-estrutura ideológica estimula e fomenta a multiculturalidade e multiracialidade antagónica à Identidade Europeia e nacional. Abolindo todas as fronteiras políticas, económicas e sociais, intentando culminar num mundo materialista, economicista, anónimo e desrespeitador dos particularismos regionais, nacionais e civilizacionais. O que comanda é o que melhor vende no mercado planetário, não importando o custo, desde que seja financeiramente rentável para alguns em detrimento de muitos.

Neste sistema doentio e autofágico, é a economia que dirige a política, bem oposto à tradição indo-europeia, onde toda a actividade económica se submete ao critério da ética e dos valores morais. São os centros de decisão política que devem presidir à vida económica e social. Não o inverso.

Em resumo e parafraseando Alain de Benoist, autor que prezo bastante, diria que: "não se pode ser contra a invasão imigratória não se sendo contra o capitalismo internacional".

4. Que soluções para combater os perigos?

Medidas estritamente legislativas:

1. Consagrar o "jus sanguinis" na lei da nacionalidade. Distinguir o conceito de nacionalidade de cidadania. O hóspede pode usufruir de muitos direitos semelhantes aos dos nacionais, mas não pode decidir do futuro político do país para onde imigrou.

2. Separar, de uma forma inequívoca, os Europeus, dos "iminvasores" vindos de África e Ásia.

3. Legislar no sentido de dificultar ao máximo a imigração, vulgo invasão, de não europeus.

4. Expulsar qualquer estrangeiro que cometa um delito passível de condenação em mais de três anos.

5. Aumentar os abonos de família para os casais europeus.

Medidas de cariz político e económico:

1. A Europa deve constituir-se como um bloco unido, coeso e poderoso do ponto de vista político, económico e social. Contudo ter-se-á que rever a metodologia e a prática da construção da União Europeia. O princípio de igualdade entre todos os estados membros deverá estar sempre assegurado. Porque não instituir um Senado de todas as nações europeias, incluindo aquelas sem "soberania" como são a Bretanha, País Basco (Euskal-Herria), Alsácia, Escócia, Gales, Catalunha, etc.?

2. O princípio da subsidiariedade deve prevalecer nas atribuições de poderes desde a base até ao topo. Privilegiar os parlamentos nacionais e o parlamento europeu na elaboração das leis. O parlamento nacional deve ter a primazia.

3. Abolir a política neo-liberal que preside ao actual modelo económico da União Europeia. Os estados nacionais deverão ter o direito de proteger os seus sectores básicos da economia: energia, águas, transportes, telecomunicações e comunicação social, e a banca. O estado nacional deve dispor de meios de crédito que escapem ao controlo da máfia internacional ligada à usura.

4. Impedir que a CPLP se transforme num organismo de integração política entre os seus estados membros. Isso significaria o fim de Portugal!

5. Cooperar com os Estados Unidos num plano de igualdade e respeito mútuo. Para que isso ocorra, é necessário dotar a Europa de meios necessários à sua coesão política, económica e militar. Simultaneamente estreitar as relações com a Rússia, relevante para a auto-suficiência e independência da Europa como bloco geopolítico.

6. Considerar o Islão como inimigo natural dos povos Europeus. não autorizar mais a construção de mesquitas e centros islâmicos. Encerrar imediatamente as mesquitas e centros que se provem ser "bases" contra a nossa cultura e civilização.

7. Não permitir a entrada da Turquia na Europa. Ela seria um instrumento dos Estados Unidos a fim de dividir a Europa e uma fonte de apoio das comunidades islâmicas no nosso continente.

8. A Europa deve renegociar todos os acordos económicos estabelecidos, no âmbito da OMC com os países africanos/caraíbas, China e Índia, protegendo assim os nossos produtos, comerciantes, agricultores e industriais.

9. Definir as premissas de uma "nova economia", onde a economia social deverá desempenhar um papel muito importante, em paralelo com o sector privado e público. Poder-se-á aprender muito com as experiências dos países escandinavos e com o sistema cooperativo do País Basco.
Estas são, entre outras, algumas das medidas que sugiro para defender a nossa Nação e a Europa.

5. A expressão imigração continua a fazer sentido?

Imigração/emigração significa o movimento temporário de pessoas de um território para outro com o intuito de trabalharem e usufruírem um melhor nível de vida, enviando parte do rendimento para a terra de origem. Nunca se é contra a imigração em si mesma. Mas esta passa a ser uma ameaça quando coloca em questão a harmonia e a paz social do país receptor de imigrantes.

No registo histórico, imigrações/emigrações, e migrações no mesmo território, são fenómenos que sempre ocorreram. Em alguns casos, a transferência de populações implicou o desaparecimento das populações indígenas e aborígenes por força da pressão demográfica e da supremacia tecnológica. Em outros, quando os povos comungavam dos mesmos valores, dos mesmos costumes e etnia, a integração aconteceu em plena harmonia cultural, social e económica. A Europa, ate há pouco tempo, foi um exemplo da segunda situação.

Todavia, quando a imigração assume proporções numéricas importantes e incontroláveis, incluindo a chegada de famílias inteiras, com o objectivo e propósito de residir para sempre no território receptor, então não podemos falar mais de imigração, mas antes de invasão! A Europa sofre actualmente uma invasão!

As estatísticas e indicadores sócio-económicos assim o demonstram. A Europa está sendo colonizada por populações que não partilham da mesma cultura e civilização. Hoje, no continente europeu, quem é espezinhado e violado nos seus direitos à paz social e segurança, são todos os povos Europeus. Bastará visitar em Portugal, a Damaia e em França os bairros Clichy-Sous-Bois, Saint-Denis, nos arredores de Paris, para perceber do que é que se fala.

E, como sempre afirmou Umberto Bossi, líder da Liga Norte, "em nossa casa mandamos nós", é tempo dos Europeus protegerem o seu lar comum. Não queremos, no futuro, ser um gigantesco Haiti ou uma África do Sul; nem tão pouco rezar em árabe!

6. Estamos de facto perante uma invasão?

De facto a Europa enfrenta uma verdadeira invasão. Os números oficiais, já alarmantes, não traduzem a realidade de todos aqueles que entram legalmente ou ilegalmente no continente Europeu. De invasão se trata na medida em que a grande maioria dos que chegam não pretendem regressar aos seus países de origem. Bem pelo contrário! A intenção é de reagrupar o agregado familiar no mais curto espaço de tempo e permanecer na Europa para sempre, como autênticos colonos. Atitude bizarra para quem há mais de 40 anos acusava os Europeus de colonialistas e pretendia expulsar os brancos do continente africano!

Muito mais difícil e complicado é a expulsão dos invasores africanos, pois estes não possuem nenhum documento de identificação, tornando assim, praticamente impossível o retorno ao continente negro.

Acrescente-se que a maioria é analfabeta e muitos deles portadores de doenças infecto-contagiosas.

Por outra parte, governos europeus politicamente incapazes e fracos não conseguem assumir as suas responsabilidades, cedendo às pressões e chantagens das ONG’s "humanitárias" e defensoras dos "direitos humanos". É flagrante a falta de coragem e de vontade para tomar medidas de defesa e protecção dos povos Europeus.

As cidades Europeias reflectem tragicamente esta realidade: turcos, árabes, africanos, asiáticos, povoam cada vez mais as nossas escolas, hospitais, ruas, transportes públicos, etc. A situação é tão grave que ministros, como o insuspeito Social-Democrata alemão Otto Schily, preconizam medidas mais restritivas para pararem o fenómeno "iminvasor".

O que vemos hoje na Europa é, sem dúvida, uma ocupação e colonização do nosso espaço cultural e civilizacional.

7. A Europa deve unir-se contra esta invasão? Porquê?

A Europa deve unir-se porque ela é um grande espaço comum de valores e de civilização. Carl Schmitt, eminente jurista e filósofo alemão, nomeia os espaços civilizacionais como as grandes "unidades de sentido". Estas estruturam-se em torno de directrizes comuns e economicamente autocentradas, em que as zonas de influência e actuação ultrapassam os limites do tradicional conceito de Estado-Nação. Um grande espaço civilizacional será um bloco de nações congregado na base de referências geográficas, culturais, económicas e históricas comuns. Essa potente unidade civilizacional seria dotada de capacidades políticas, económicas e estratégicas. A Europa é, do ponto de vista identitário, um espaço civilizacional coroado de um destino comum.

Entre o que é nacional e mundial situam-se os espaços de civilização. Paradoxalmente, é neles que pode vingar a soberania possível das nações construídas na base étnica e popular. Ideia essa de Europa que corresponde aquela sonhada por Saint-Loup: a Europa das Pátrias carnais.

Num mundo disputado e corrompido pelas tentaculares empresas transnacionais e por todo o tipo de máfias; terreno de confronto geoestratégico entre os Estados Unidos, China, Índia e espaço Islâmico; só uma Europa unida e forte poderá fazer face aos desafios e perigos que ameaçam a sua remota Identidade.

Contra todos os "universalismos" de inspiração liberal ou marxista, ambos fundados na mesma ilusão tecno-industrial, emerge um discurso e pensamento alternativo, fiel à tradição Europeia de espiritualidade e comunitarismo. Em total oposição às teorias de Francis Fukoyama, o tempo que vivemos é o do anúncio do retorno às marcas referenciais e Identitárias dos povos que teimam em sobreviver. Os Europeus irão garantir a sua sobrevivência porque são detentores de uma das mais brilhantes civilizações que a história já conheceu. Bastará não sucumbir à tentação dos "pequenos nacionalismos", apanágio do passado e geradores de conflitos fraternais que nos afastam irremediavelmente dos nossos verdadeiros inimigos. Essa unidade será sempre construída no pleno respeito de todas as Identidades nacionais e em plena igualdade entre todas as nações.

8. E o nacionalismo em Portugal tem futuro?

O nacionalismo terá futuro em Portugal se conseguir articular harmonicamente a Identidade e a Cultura Portuguesa com a unidade Europeia. De outra parte, os nacionalistas portugueses deverão privilegiar e salientar o que os une em detrimento das insignificantes e transitórias diferenças. Paralelamente, e no âmbito da metapolítica, será salutar a criação de revistas, "fanzines", "blogs" e páginas na internet, que possam servir de intervenção ao nível da chamada "sociedade civil".

O movimento associativo de cariz desportivo, cultural e político servirá de palco de debates, conferências, de onde sairão os futuros quadros políticos de um movimento que se pretende bem estruturado orgânica e politicamente, apto ideologicamente para o combate do futuro.

Penso que o maior problema do panorama nacionalista Português está no facto de este estar ancorado no passado e enveredar pelos mesmos erros cometidos nos últimos anos: fragmentação, indefinição ideológica, mesquinhas invejas pessoais.

O "saudosismo" é uma enfermidade ideológica difícil de ultrapassar, impede-nos de analisar e ler a realidade hodierna em termos filosóficos, económicos e sociais. A fraca formação ideológica é outra das debilidades do nosso movimento. Muito se fala do "combate de rua", que aliás é virtual, sem antes se estar preparado ideologicamente para o combate das ideias. Ambas frentes de luta devem caminhar juntas, sempre atendendo ao quadro político onde se pretende actuar.

Numa perspectiva meramente organizativa, o modelo a seguir deverá estatutariamente respeitar as diferentes ideias e correntes de opinião que formam o movimento nacionalista, excluindo, no entanto, todos aqueles que não expressem uma atitude frontal, clara e inequívoca sobre a nossa maior e mais grave ameaça: a invasão e colonização de Portugal e da Europa.

Existem movimentos e partidos na Europa que nos podem servir de exemplo, mas sempre adaptando a situação específica do caso Português. Concluindo: a unidade entre os nacionalistas Portugueses é a meta mais ambiciosa que devemos atingir. Assim, podemos construir uma alternativa viável, moderna, capaz de solucionar os graves problemas que enfrentamos.

9. Obrigado por esta entrevista. Quer fazer algum comentário final?

Aproveito esta oportunidade que me foi proporcionada pelos camaradas da Causa Nacional, a quem desde já agradeço, para lançar um apelo à unidade em torno do que é essencial neste combate pelo futuro do nosso povo, da nossa identidade e da nossa cultura.

Olvidemos as nossas marginais divergências e dediquemos os nossos esforços e energias à construção de um movimento dinâmico, sério e responsável. Os sinais da nossa sociedade indicam-nos tempos de confronto e turbulência. Saibamos, com sobriedade e entusiasmo, conduzir esta luta em todas as frentes: cultural, política, social e económica.

Cada um de nós deverá assumir o papel de um "soldado político" que integra uma equipa coesa e consciente da sua missão: libertar a nossa terra e o nosso povo deste sistema suicidário. Nos partidos que temos e podemos criar, nas associações que devemos fundar, nas revistas, jornais, internet e livros que editamos e publicamos, sejamos uma voz que reflicta os anseios e preocupações de todos aqueles que subjugados e confundidos pelo "politicamente correcto", não podem ou não conseguem expressar a sua revolta e indignação.

Por Portugal e pela Europa, nossa é a vitória!

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Nota:

1. Palavra Alemã de difícil tradução em Português. Significa a alma ou espírito de um Povo. Representa o psíquico da Nação. Foi extremamente importante na teoria fundadora do nacionalismo Alemão a partir do século XIX, com Herder.

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