A Raça como o Coro das Raízes

Por Rodrigo Emílio [introdução de Filipe BS]

No passado dia 2 de Abril de 2005, decorreu em Lisboa uma sessão de homenagem ao poeta Rodrigo Emílio, falecido há pouco mais de um ano. Poeta nacionalista e génio da palavra escrita, Rodrigo Emílio foi, todavia, uma personalidade polémica. Aliás, continua a sê-lo - tanto para o regime abrileiro (que o censura até mais não) como para diversas facções, ou melhor, certos indivíduos do nacionalismo português (que o não sabem apreciar e interpretar).

Rodrigo Emílio, «poeta que se vestiu de soldado», foi um intransigente defensor do Império (por armas e por palavras). Não fugiu, como muitos, para França, quando o dever o chamou a servir os desígnios da sua Mãe Pátria. Foi também um inconformista nunca arrependido, que jamais compactuou com o regime que destruiu o Portugal que ele conheceu e amou. Não temos dúvidas acerca de tudo isto nem nos prestaremos a rever nenhuma das facetas de Rodrigo. Tal como a História, os homens e as suas acções só podem ser entendidos (e julgados) à luz das suas circunstâncias.

Não obstante, Rodrigo Emílio, Homem inteligente e lúcido que era, soube ler os ventos da História e, mais do que isso, foi capaz de perceber e aceitar sem reservas as implicações políticas e sociais que a Queda do Império significaram para o «rectângulo». (Já outros nacionalistas, ainda vivos e com idade para terem juízo, falam como se o Império ainda existisse, agora revivido num multirracialismo dentro do «rectângulo». Querem que todo o Império caiba nuns míseros 90 mil quilómetros quadrados! Também assim falam os esquerdistas, quais colonizadores de África no Portugal europeu!)

Antes de julgarmos seja o que for da vida e das crenças de Rodrigo ou antes de nos servirmos indevidamente deste Homem para vender Impérios Africanos no Portugal do séc. XXI, vale a pena, mais, exige-se que se oiça aquilo o próprio nos tem para dizer. A propósito de tudo isto, e ainda no seguimento da homenagem que lhe foi em boa hora feita, publicamos, agora, um pequeno excerto extraído de um ensaio político inédito deste muito nosso poeta.


* * *

A Raça é, para nós, um dado fundacional. Diremos mesmo que é o dado fundacional por excelência, visto que n'Ela se consubstancia o sincretismo supremo do Solo e do Sangue.

Anterior, superior e posterior a tudo, e até a eles; a Raça é obra desses dois elementos: a obra-prima, e primordial, assim do Sangue como do Solo; o seu produto químico e também alquímico; e o resultado físico e metafísico da sua osmose, combustão simbiose e sublimação. O que significa que Solo e Sangue são agentes e também os suportes do espírito da Raça — do seu espírito de corpo, dizemos, já que é disso, e disso mesmo, que se trata.

A inteireza e integridade de qualquer território dependem, naturalmente, do grau de coesão da gente que o povoa. Mas essa coesão não se forja, claro, do pé para as mãos ou de um dia para o outro: pressupõe, sim, uma identidade de destino, que apenas por via racial se atinge, na medida em que tudo terá de assentar num pacto de sangue. Vale isto por dizer que tal coesão, que semelhante identidade, que uma tal homogeneidade, só a Raça as confere e garante, plenamente, ao ponto mesmo de poder afiançar-se que uma coisa está na razão directamente proporcional da pureza da outra (da pureza do corpo e espírito da Raça, entenda-se. Da sua pureza e da sua dureza, claro está; da sua fortaleza, desde logo; e da sua nobreza, evidentemente).

E, aqui, vem ao caso esclarecer o seguinte: a projecção europeia de Portugal nos trópicos, encarada de uma perspectiva imperial, foi sonho que abraçamos e empresa a que nos demos, de alma e coração. Para nós, a cruzada ultramarina sobrelevava, em grandeza, tudo o mais; e nada a ultrapassava, em importância.

E era tal e tamanho o apego a essa causa que reputávamos prioritária entre todas, e de tal ordem o grau de adesão a tão longo desígnio histórico, que de bom grado lhes sacrificámos, logo à partida, muito do nosso próprio pensamento racial; e conscientemente o fizemos.

Falando claro: — fomos integracionistas, a mais não o poder ser! E tal que me manteríamos ainda hoje, se o grande espaço lusíada não tivesse levado o tristíssimo destino que entretanto levou.

Dentro do regaço do Império, só a integração tinha sentido; desintegrado que foi o mesmo Império, já nada disso agora tem sentido algum…

O mundo que o Português criou, anti-portugueses o arrasaram. E em face disso…, — que mais dizer se pode do nosso imenso projecto, senão que foi ele reduzido a dejecto, por obra e gracinha dos poltrões de Abril (e seus derivados…) e por obra e graçola do anti-general (ou anti-marechal) que os pariu a todos?!…

Certo é que no dia em que morreu tamanho sonho, muito de nós morreu também nesse dia…

Muito, também, de TODOS NÓS.

E, posto isto, retomemos, sem demora, o fio do discurso sobre o conceito de Raça, para d'aqui proclamarmos, em alto e bom som, que a Raça tem muito a ver com o génio (ou o carácter) de um Povo, mas mais ainda com o seu intrínseco sentido de casta, até porque é este — a fidelidade a este — que determina aqueles.

A Raça é o coro das raízes.

Sempre que os arcanos e arquétipos de um Povo perduram intactos no tempo e no espaço, então a Raça subsiste como tal e ascende à dignidade de ideal hereditário.

Afirmamos que a Raça é tudo o que impede que um Povo decaia, degenere e se degrade numa massa disforme, desgarrada e caótica.

As ofensas, transgressões, infracções e desvios às leis invariáveis da Raça pagam-se caro. A gente que o diga… Foi por aí que a Raça dita d'O Desejado morreu à mão dos indesejáveis; e não foi, também não foi senão por aí que a Raça dos construtores de catedrais caiu em poder dos arquitectos de capelinhas…

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