Corporativismo: esse desconhecido

Por João Juzarte (Jovem NR nº 2)

Nos tempos que correm, dominados pelo pensamento politicamente correcto e sua respectiva aplicação mediática, apagaram-se certas ideias tradicionais e intemporais que estão na origem da fundação da nossa nacionalidade e que são, ainda, parte integrante da nossa identidade nacional.

Hoje vamos falar do Corporativismo. E porque é hoje que falamos dele, é importante começar por dizer que a sua aplicação na actualidade é não só possível como necessária.

O Corporativismo resulta, na sua génese, de uma de muitas solidariedades que estão na essência do povo português e dos povos europeus: a solidariedade profissional baseada no valor do trabalho. A esta podemos associar a solidariedade de vizinhança que se traduz no, também nosso, municipalismo.

É precisamente a partir da superação do individualismo egoísta que o homem se dá conta de que faz parte de uma comunidade baseada em valores reais, eternos e tradicionais (que se transmitem, como deixa transparecer a origem etimológica da palavra tradição – transmissão).

Estes valores são, entre outros, o Território, a Língua, a Etnia, a Família, a Propriedade, o Trabalho e a Justiça. A sua aplicação natural por parte de uma comunidade pátria dá origem a uma nação orgânica. No entanto, para que este organismo funcione como um corpo saudável, com uma mente também ela sã, é necessário que exista disciplina nos orgãos que a compõem.

Assim, todos os membros da nação deverão integrar-se em associações (corporações) que não farão distinção de classes, pois agruparão as pessoas pela profissão que exercem independentemente da sua posição hierárquica.

Portanto, o representante da corporação dos livreiros, por exemplo, poderá ser um dono de uma livraria ou um seu empregado – depende do voto de todos os livreiros! Sim, do voto. Porque numa nação orgânica, assente em corporações e municípios, cada indivíduo vota até duas vezes: precisamente para a sua corporação e para o seu município.

Depois, os representantes eleitos de cada corporação e de cada município sentar-se-ão na Câmara Corporativa e no Parlamento Municipal; e daqui sairão, e por aqui passarão, os Governos e as Leis da Nação.

Esta estrutura orgânica deverá ser coroada por um chefe – aclamado por estas duas Câmaras e que estes dois Parlamentos poderão depôr. Esse chefe e guia da Pátria nomeará governantes de entre os membros das duas Câmaras: ou seja, a partir de cada um de nós que, por simplesmente cumprirmos com honra as virtudes do trabalho e da vizinhança, podemos ser eleitos por nossos camaradas e vizinhos para nos sentarmos nesses verdadeiros parlamentos.

Escrevo isto convicto, porque acredito que esta ordem social vai ao encontro do posicionamento tradicional, vanguardista e intemporal de Portugal e da Europa.

É evidente que esta doutrina corporativista é inconciliável com o liberalismo, estruturalmente egocêntrico, e com o comunismo, que se baseia no princípio da ditadura do proletariado.

Por outro lado, o Corporativismo propõe, como única fonte de Bem-Comum e de Justiça Social, os princípios de conciliação e cooperação das forças produtoras. A harmonização e coordenação dos interesses do capital e do trabalho competem ao Estado. O Corporativismo visa também, em última análise, a superação da dicotomia estéril direita-esquerda por uma verdadeira união de todos numa sociedade organicista. Tudo isso assenta na soberania popular, resultante da representação política de todas as forças da Nação através do sufrágio.

A concepção de Estado Corporativo, que descende do Corporativismo Medieval, encontra-se teorizada por figuras tão diferentes como Saint-Simon, Sismondi, La Tour du Pin, São Pio X, Pio XI, Valois, Duguit, Spirito, Costamagna, Castro Fernandes e Martinho Nobre de Melo.

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